Como inexplicavelmente, me ficou este enorme espaço que não consigo encurtar e o Rogério Pereira já deu uma explicação, que ficou nas entrelinhas, mas todos 'descodificarão', resolvi colocar este vídeo que vos conta a estória de um exemplo do provérbio. Peço desculpa, mas algo se passa com este meu velho PC, uma vez que não obedece ao que lhe solicito para fazer. E esta, hein?
Respeitar a liberdade e o
espaço alheio é algo que ouvimos falar constantemente, mas os invasores da
liberdade estão nos mais diversos locais e quantos nem se apercebem que estão a
violar um direito que tanto defendem.
Imagens da Net
"Liberdade é uma
palavra que o sonho humano alimenta, não há ninguém que explique e ninguém que
não entenda"
Citação de Cecília Meireles
Será que toda a gente entende realmente o verdadeiro sentido do que significa: Liberdade individual?
António era um pequenino doente que estava sempre
deitado na sua cama, ou sentado, de olhos tristes, na sua cadeirinha verde.
Sabia que no mundo existiam muitas outras crianças que podiam brincar, correr
pelos campos, jogar o eixo, saltar a corda; e quando lhe diziam que um desses
meninos se aborrecia de estudar as lições ou chorava por qualquer
insignificância, dizia, sorrindo, em voz baixa:
— Se eu pudesse andar livremente, correr e saltar como eles, estaria sempre
feliz!
E a pobre mãe apoquentava-se por ver aquela pálida carita consumida e aqueles
olhos expressivos sempre molhados de lágrimas.
E todos os dias pensava num divertimento, num brinquedo que ajudasse a passar
as horas amargas ao seu adorado filho. Certa manhã, ocorreu-lhe comprar uma
caixa de tintas.
António recebeu o presente com alegria e em seguida pôs-se a pintar.
Depois voltou-se para a mãe e disse:
— Gostava de pintar as pétalas de uma flor!
— Não é possível, meu filho, as flores têm já as suas cores naturais.
— Mas eu quero pintar uma flor!
E tanto pediu, tanto insistiu, que a
mãe foi ao jardim e perguntou timidamente, se haveria alguma flor que quisesse
renunciar à sua cor, mudar de tonalidade ou de expressão e compadecer-se do seu
pequeno doente.
As rosas nem responderam, na sua altivez serena, tão absurda lhes pareceu
aquela doida proposta.
Os lírios, erguidos na sua elegância frágil, declararam que a sua pureza tinha
de ser intangível.
E as glicínias, e os cravos, e as tulipas, disseram, diplomaticamente que não
era possível imitar o tom caprichoso e belo das suas variadas corolas.
A pobre mãe, ia voltar a casa, desiludida e mais triste, quando ouviu uma voz
débil dizer-lhe quase em surdina:
— As minhas flores nãosão belas mas, se o
teu filho se contenta, leva-as contigo, não hesites…
A planta que assim falava tinha grandes folhas verdes e pequeninas floritas de
um branco doentio amarelado…
A mãe colheu então um ramo dessas flores e levou-as ao seu filho.
Imediatamente, começou a colorir as suas petalazinhas. Era na verdade, um
artista.
As tonalidades mais finas mais delicadas e subtis, um cor-de-rosa esmaecido, um
azul diáfano, suave, um amarelo vibrante, e muitos outros tons de novidade
que nenhuma flor possuía, ele os dava, com singular simplicidade.
Quando acabou, chamou a mãe para lhe pedir que levasse de novo as flores ao
jardim
A mãe obedeceu.
Na manhã seguinte, acordou e disse:
— Minha mãe, quero ver se o orvalho da noite manchou aquelas florinhas.
O sol faiscava nos arvoredos e nas plantas. Apenas chegou encheu-se de
contentamento, os largos molhos de hortênsias estavam cobertos de formosíssimos
tons rosados, roxos, vermelhos, amarelos e azuis.
E por entre aqueles ramalhetes cintilantes de vida, António passou alguns
momentos de felicidade, porque só ele instintivamente criara essa beleza
renovada, eterna e frágil, discreta e decorativa.