terça-feira, 4 de junho de 2013

Serenata Sem Luar...

 
 

Meu amor vem à janela

Entre nuvens não te escondas

Se dizem que a vida é bela

Vive-a com intensidade
 
 ...deixa-te  de  fazer ondas...:)
 

Ouve a linda serenata…ela é unicamente para ti.

Para quem é? Quem será?
Vocês sabem lá…

 
 
 
Esta  SERENATA é a que mais gosto, mas não consegui trazê-la para aqui.:(
Ide vós até lá...vale a pena a viagem! O grupo é o mesmo, mas a música e a canção já a conheço há algum tempo e adoro-a.
 
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sábado, 1 de junho de 2013

Hiroxima, Meu Amor.



 
A Rosa de Hiroxima

(Vinícius de Moraes)



Pensem nas crianças
Mudas telepáticas
Pensem nas meninas
Cegas inexatas
Pensem nas mulheres
Rotas alteradas
Pensem nas feridas
Como rosas cálidas
Mas oh não se esqueçam
Da rosa da rosa
Da rosa de Hiroxima
A rosa hereditária
A rosa radioativa
                               Estúpida e inválida                                
A rosa com cirrose
A anti-rosa atómica
Sem cor sem perfume
Sem rosa sem nada.



                                     
A todas as crianças, especialmente às vitimas inocentes da crueldade do Homem.
 
 
 


sexta-feira, 31 de maio de 2013

Feliz Dia Do Vizinho...:)





Nós, gatos, já nascemos pobres
Porém, já nascemos livres
Senhor, senhora ou senhorio
Felino, não reconhecerás






                                                                          

Mas agora o meu dia-a-dia
É no meio da gataria
Pela rua virando lata

Eu sou mais eu, sou mais gata
Numa louca serenata
Que de noite sai cantando assim


 
 
 

Bom Fim de Semana - Recados e Imagens para
orkut, facebook, tumblr e hi5
 
Um excelente Fim- de -semana para todos.
 
:)

quarta-feira, 29 de maio de 2013

A Mia Couto...Pedaços do Seu Sentir.

 

Pergunta-me

 

Pergunta-me

se ainda és o meu fogo

se acendes ainda

o minuto de cinza

se despertas

a ave magoada

que se queda

na árvore do meu sangue

 

Pergunta-me

se o vento não traz nada

se o vento tudo arrasta

se na quietude do lago

repousaram a fúria

e o tropel de mil cavalos

 

Pergunta-me

se te voltei a encontrar

de todas as vezes que me detive

junto das pontes enevoadas

e se eras tu

quem eu via

na infinita dispersão do meu ser

se eras tu

que reunias pedaços do meu poema

reconstruindo

a folha rasgada

na minha mão descrente

 

Qualquer coisa

pergunta-me qualquer coisa

uma tolice

um mistério indecifrável

simplesmente

para que eu saiba

que queres ainda saber

para que mesmo sem te responder

saibas o que te quero dizer.

 

 
 

 
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domingo, 26 de maio de 2013

Mil e Uma Formas de Encantar e Enganar! :)

 

A Sábia Sherazade

A história deAs mil e uma Noites”,  foram sendo contadas de uma pessoa para outra e  ninguém sabe, ao certo, quem as inventou! Fazem parte da tradição do povo árabe, com os seus contadores de histórias que reuniam multidões nas ruas e mercados.
 

Parece que tudo começou com a história do rei Shariar. Ele descobre que foi traído pela esposa, e que esta tem um servo como amante. Enfurecido, mata os dois. Depois, toma uma decisão terrível: a cada noite, casar-se-á com uma nova mulher e, na manhã seguinte, ordenará a  sua execução, para nunca mais ser traído. Assim procede por três anos, causando medo e lamentações em todo o reino.
Um dia, a filha mais velha do primeiro-ministro do rei, a bela e sábia Sherazade, diz ao pai que tem um plano para acabar com a barbaridade do rei. Para aplicá-lo, porém, ela precisa casar-se com ele. Horrorizado, o pai tenta convencer a filha a desistir da ideia, mas Sherazade estava decidida a acabar de vez com a maldição que aterroriza a cidade.

Quando chega a noite de núpcias, a sua irmã mais nova, Duniazade, faz o que  Sherazade havia pedido. Vai de madrugada até o quarto dos recém-casados e, chorando, pede para ouvir uma das fabulosas histórias que a irmã conhece. Sherazade começa então a narrar uma intrigante história que cativa a atenção do rei, mas não tem tempo de acabar antes do amanhecer.
Curioso para saber o fim do conto, Shariar concede-lhe mais um dia de vida. Mal sabe ele que essa seria a primeira de mil e uma noites! As histórias de Sherazade, uma mais envolvente que a outra, são sempre interrompidas na parte mais interessante. Assim, dia após dia, a sua morte vai sendo adiada....como todos sabemos!:)
Se esta é uma história por demais conhecida, porque razão eu venho para este blogobairro (adoro esta palavra) falar de algo que todos aprendemos em crianças? Primeiro, porque tenho de publicar algo e quero dar um pouco de sossego à poesia...Neste bairro não faltam bons poetas/poetisas. Segundo, todas as histórias têm um fundo de moralidade.
Qual é a desta? Pois, é tão conhecida como a história!:)
 
Nenhum homem pense que consegue enganar todas as mulheres !! :))

 

                                               
Adenda: Por sugestão do meu Amigo Luciano, que em matéria de música erudita é Mestre, anexei este vídeo do mesmo compositor e referente ao mesmo tema.

                                                                                   
E mais este, escolhido por mim, em virtude de ter um andamento mais rápido e se poderem visualizar os instrumentos musicais e os  músicos que fazem parte da Orquestra Filarmónica de Rotterdam. Ficamos, desta forma, com três vídeos da mesma obra e do mesmo compositor. Não se podem queixar os apreciadores de música clássica....:)
                                                      
                                                                                   
 
        


sexta-feira, 24 de maio de 2013

Amor de Marinheiro...

                                                                           


Não quero mais voltar
Ao agreste abandono do areal
Sinto saudades do mar
 
Longe das rochas impávidas, frias
Onde  com violência impiedosa
A tua ausência me despedaçou.
 
 
AMIGOS, BOM  FIM - DE – SEMANA! :)
 





terça-feira, 21 de maio de 2013

YO NO CREO, PERO....


Como há muito tempo não vos presenteio com um dos contos de Miguel Torga, lembrei-me deste, a propósito de uns boatos sobre bruxaria ligados ao desporto - rei.
 Ele há coisas...


 
O Bruxedo

 

Apesar de a Gomes ter as farroncas que toda a gente sabia, a Melra foi-lhe àquele corpo que lho derreteu. A maior coça de que há memória em Feitais! A velha parecia o diabo, não parecia mulher! Que perdoava tudo, menos que lhe mordessem na reputação das filhas. Estavam casadas, e muito bem casadas! Quem quisesse falar de marafonas, falasse das da Vila Velha. E desancava a outra, com estas razões.

Feitais, embora não pusesse as mãos no fogo pela honra de ninguém, gostou do correctivo. A Gomes a dar lições de moral!

Por que boca nos mandava Deus a verdade!

Os sessenta e cinco anos da Melra é que não eram para semelhantes avarias. Quinze dias depois do barulho, de tão magra e desfigurada, metia pena.

- Você que tem, ti Joana? Anda tão desolhada!...

- Nem sei. Dores no corpo, sem nenhuma vontade de comer, quebrada...

A Melra fora sempre como aço. A ter os filhos, era um ai que lhe dava; ao mato, punha cada carrego à cabeça, que até as mais se envergonhavam; a segar, enquanto as outras faziam cinco, fazia ela dez. Forte! Também lhe comia e bebia como uma valente. O homem, o Inácio, quando iam às feiras, já sabia: onde ele virasse um copo, ela virava outro. Uma mulher de armas! Mas, desde a tosa na Gomes, nem uma candeia, sem azeite, a apagar-se.

- Lá o que tenho, Deus é que sabe. Agora que não é coisa boa, não. Dói-me tudo, repugna-me a comida, sinto palpitações...

O Inácio, que também estava na casa dos setenta, e se sentia cada vez mais duro, no cerne - garantia ele -, não entendia aqueles flatos. Porque eram flatos, sem dúvida nenhuma.

- Eu não sou mulher de flatos! - protestava a Melra. - Quem pariu doze filhos como eu pari, sem um desejo, sem uma palavra que se ouvisse na rua, não é de flatos!

- Pois olha que ou eu me engano muito... - insistia o Inácio. - Que há-de ser?

Na cabeça da Melra andava um diagnóstico à espera de se escapulir. E numa hora de maior fraqueza abriu-lhe a portinhola:

- Até já me lembrou... Cala-te, boca...

- O quê?

- Que me fizessem qualquer bruxaria... 

- Deixa-te de maluquices e vê se tens propósito! Só cá faltava mais essa!... Valha-te Deus!

- Eu sei lá! Sinto-me tão cansada, tão moída...

- São flatos. Não é mais nada.

- E tu a dar-lhe!

As noites eram grandes e o Inácio tinha tempo de aturar a mulher. Encheu-se de paciência e pôs-se a meter um pouco de rigor masculino naquele juízo avariado. Não havia feitiços. O povo, ignorante, é que acreditava nesse e noutros disparates. Pusesse os olhos nas pessoas de certa categoria... 

- Nunca se ouvira dizer que a senhora Fulana ou o senhor Sicrano andassem com o diabo no corpo. Só a gente baixa, coitada, por falta de instrução... Palavra de honra! Estava absolutamente convencido...

A Melra borrou-lhe o discurso:

- Diz-lhe que não.

A Deolinda começou também assim, que eram maleitas, que eram febres intestinais, que eram sífilis, e vai-se a ver, tudo mandingas da Leopoldina.

O Inácio riu-se. Coitada da Leopoldina!

O poder dela era tanto como o dele. E que motivos dera ela à Leopoldina para lhe fazer mal?

- A ela nenhuns.

- Então, já vês... 

- Pois olha que não se me tira do pensamento...

- És teimosa!

- Serei. O pior é o resto... Seco-me de dia para dia...

Diante daquele argumento, o Inácio coçou a cabeça. Lá que a mulher se sumia, sumia. A Leopoldina é que não era para ali chamada.

A que título ?

A Melra concretizou então numa clara luz as penumbras da sua intuição.

- Por incumbência da Gomes. Tão certo como Deus estar no céu! Não se largam. Umas amizades, uns namoros...

- Lá vens tu com enredos, mulher! Trata de dormir e amanhã vai ao Paliteiro que te venda sal amargo e toma-o. Isso ou são flatos ou é estômago sujo.

A Melra, apesar do purgante, não melhorou. E como tivera aquele grande barulho com a Gomes, e agora a Gomes não saía de casa da Leopoldina, aqui-del-rei que andava enfeitiçada.

- Tenho a certeza! Até dou conta quando me estão a coser a andilha! Acordo de noite com os alfinetes cravados no corpo!

- Valha-te um burro, mulher! Reloucaste. Depois de velha, reloucaste!

- Eu sinto! Eu sinto elas picarem o mono.

- Que mono?! Só ao cabo de grandes explicações é que o

Inácio veio a saber do que se tratava. Era pelos modos uma figura de pano, que representava a pessoa a desgraçar, onde a bruxa fazia os malefícios. Judiaria feita no boneco, era tal e qual como se fosse em nós.

- Estás num lindo estado, sim senhor! E tão sã que tu eras do miolo!

A Melra, obcecada por aquela ideia, nem ouvia as ironias do homem.

- E é que dão cabo de mim, as coiras! Uma agonia, não se me abre a boca para nada, uns apertos no coração...

O curandeiro da Azoia, chamado e posto ao corrente do que se passava, auscultou, apalpou, virou, receitou uma garrafada e prometeu a cura. Qual o quê! A Melra sentia-se cada vez pior.

- Bota-te à serra a casa da santa, se me queres viva! Leva-lhe uma camisa minha e conta-lhe tudo.

O Inácio, então, resolveu cortar o mal pela raiz. Iam mas é no dia seguinte à Vila, consultar o Dr. Amaral. Santa! Santa estava a mulher da caixa dos pirolitos.

Deitou-se nessa firme resolução, e acabara apenas de adormecer, quando, repentinamente, a Melra piorou. Foi-lhe fazer chá de cidreira e deu-lho. A doente pareceu melhorar. Mas passadas algumas horas, já de madrugada, estava ele a pegar no sono outra vez, a Melra deu um grande grito.

- Ai, que aquelas grandes putas atravessaram-me a alma! Ai! que eu sinto-me estrafegada! Ai Jesus, que eu morro! Ai...

O Inácio ergueu-se dum salto.

- Sossega, mulher, sossega! Valha-me nossa Senhora!

Palavras. A infeliz ficara-se-lhe já. Doido, sem um gemido que lhe abrandasse o desespero, tal e qual como saíra da cama, em ceroulas, correu para a rua, desvairado, à procura de um socorro impossível. Num relâmpago, desandou a chave e levantou o gravelho. E, mal puxou a porta, caiu-lhe aos pés um manipanso de farrapos todo cravado de alfinetes e com um grande prego de caibro espetado no sítio do coração.
 
Imagem recolhida na Net.
 
...que las hay...las hay!!
 

segunda-feira, 20 de maio de 2013

O Tempo Passa...a Sua Memória Fica.

 
Estas estrelas brilharão eternamente no firmamento da nossa memória porque são intemporais.
Também houve outras que usaram pó- de -arroz, mas dessas, quem soube falar delas e desejá-las foi
 
 VINICIUS DE MORAES. 
 
A mulher que passa
 
Meu Deus, eu quero a mulher que passa.
Seu dorso frio é um campo de lírios
Tem sete cores nos seus cabelos
Sete esperanças na boca fresca!

Oh! Como és linda, mulher que passas
Que me sacias e suplicias
Dentro das noites, dentro dos dias!

Teus sentimentos são poesia
Teus sofrimentos, melancolia.
Teus pelos são relva boa
Fresca e macia.
Teus belos braços são cisnes mansos
Longe das vozes da ventania.

Meu Deus, eu quero a mulher que passa!

Como te adoro, mulher que passas
Que vens e passas, que me sacias
Dentro das noites, dentro dos dias!
Por que me faltas, se te procuro?
Por que me odeias quando te juro
Que te perdia se me encontravas
E me encontravas se te perdias?

Por que não voltas, mulher que passas?
Por que não enches a minha vida?
Por que não voltas, mulher querida
Sempre perdida, nunca encontrada?
Por que não voltas à minha vida
Para o que sofro não ser desgraça?

Meu Deus, eu quero a mulher que passa!
Eu quero-a agora, sem mais demora
A minha amada mulher que passa!

No santo nome do teu martírio
Do teu martírio que nunca cessa
Meu Deus, eu quero, quero depressa
A minha amada mulher que passa!

Que fica e passa, que pacifica
Que é tanto pura como devassa
Que boia leve como cortiça
E tem raízes como a fumaça.
 
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