...Existirá sempre o Mundo dos Porquês!
Sem que o procurasse, já que era outro o livro que pretendia encontrar, veio ter-me às mãos este livrinho mágico, que tanto me ajudou a responder aos Porquês, dos meus filhos.
O Prefácio a cargo de Cécile Aubry é bem elucidativo da importância e da diferença entre o que significa perguntar por se ter vontade de aprender e a indiscrição de tudo querer saber imiscuindo-se na vida alheia. Creio que isto se deva aplicar tanto a crianças quanto a adultos. Vai daí...aqui fica!
Elogio da Curiosidade
Costuma dizer-se que a curiosidade é um
péssimo defeito. No entanto, convém sempre esclarecer a natureza desta
curiosidade e conhecer os seus protagonistas.
A verdade é que, por vezes,
confunde-se indiscrição com curiosidade. Se é condenável querer descobrir o que
pertence à vida privada de cada um, em contrapartida é de louvar o interesse em
descobrir diariamente novos conhecimentos.
Enquanto as «pessoas crescidas», às vezes
por timidez, outras por preguiça, frequentemente por indiferença, hesitam em
interrogar-se ou em fazer perguntas, as crianças não procedem assim. E fazem
bem.
Vulgarmente os pais aceitam um «porquê», no
máximo dois, mas à terceira pergunta, solicitados por outras tarefas, ou
inseguros acerca da resposta certa, decidem encerrar o interrogatório com um
definitivo «aprenderás isso mais tarde» ou «isso não interessa às crianças da
tua idade».
Ora, é do maior interesse para as crianças
que as respostas sejam dadas hoje e não amanhã. Todas as respostas. Ou, melhor,
quase todas…
Constitui um erro acreditar que nos
desembaraçamos facilmente de um interlocutor de quatro ou seis anos. Ele
tentará descobrir, por si próprio, aquilo que não lhe dissermos.
É preferível,
por exemplo, que ele saiba que a cabeça do fósforo é fabricada com uma mistura de fósforo e
enxofre, que se inflama à mínima fricção, a fazer esta descoberta à custa de
uma queimadura de sérias consequências.
Do mesmo modo, se ele souber que os bigodes
do gato não são apenas elementos decorativos, mas sim um desenvolvimento normal
da sua vida animal, a criança não sentirá a tentação de lhos cortar.
Ignoro se alguém acabará por tornar-se
sábio utilizando o sistema de fazer perguntas a propósito de tudo e de nada,
mas estou certa de que esta atitude constitui uma prova de humildade.
Conhecemos tantos sabichões e sabichonas de
palmo e meio, já tão seguros de si, que é muito agradável informar, tanto
quanto possível, as crianças ávidas de tudo saber. Compreendida desta forma,
não será a curiosidade uma qualidade preciosa?
Além disso, respondendo a perguntas
interessantes, não nos arriscamos a irritar-nos e a gritar:
« Cala-te que me
estoiras os ouvidos!», pois é mais que certo que a criança nos perguntará:
«Porque
se diz “estoirar os ouvidos de uma pessoa”?»…
( Cécile Aubry )