Quando hoje, logo pela manhã, recebi um telefonema da minha filha a perguntar-me.
- Já ouviste, Mãe?
- Ouvi o quê?- Perguntei surpreendida, tanto mais que não é hábito telefonar-me tão cedo.
- A notícia sobre o Alentejo! -
- Ora...quero lá saber!
Retorqui - pensando em Évora. Mas não, felizmente!
A UNESCO elegeu O Cante Alentejano, como Património Imaterial da Humanidade.
A proposta da candidatura partiu da iniciativa do autarca da Câmara Municipal de Serpa, minha terra natal. Daí, a nossa alegria por vermos concretizada a expectativa, que dura há várias semanas!
Emocionei-me! Veio-me à memória a voz da minha saudosa Mãe e o Cante a duas vozes, que tanto ouvi na minha meninice!
E chorei, de emoção!
Que ainda haja em Portugal motivos de orgulho pelas nossas tradições. Pelo trabalho honesto, em que o Cante servia de companhia aos trabalhadores, às ceifeiras e alegrava a vida de quem vivia no Alentejo!!
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Reedição de parte dum texto que publiquei em 2010.
Aqui, fui uma espécie de pagadora
de promessas!
A minha tia Gertrudes, sofreu um acidente grave e prometeu a Nossa Senhora de Guadalupe, padroeira de Serpa, que se recuperasse a saúde e a genica, entre outras dádivas, alguém iria na procissão, por altura da Páscoa, vestida de Nossa Senhora das Dores.
Ora, como eu era o membro feminino mais novo de toda a família, a escolha recaiu sobre mim.
Creio que teria uns sete anos.
Lembro-me que, tal como hoje, não gostava de acatar ordens, preferia que me pedissem... Por isso tudo me foi pedido com muito jeitinho.
A minha tia, mulher enérgica e toda
despachada, que adorava dar ordens, andou uns tempos comigo nas palmas das
mãos.
Até prometeu. e cumpriu, comprar-me uns sapatos novos para calçar nesse dia.
Até prometeu. e cumpriu, comprar-me uns sapatos novos para calçar nesse dia.
O pior é que os ditos eram tão rijos, que no final da procissão eu tinha os pés cheios de bolhas.
Mas valeu a pena!...
Fui, estoicamente, a pé, claro, da então Vila, até ao cerro onde se situa a Capela de S. Gens e onde estava/está, a imagem da Santa Padroeira. Nessa altura, ainda não existia lá, a Pousada com o mesmo nome.
A foto foi tirada antes da procissão, senão o meu ar não seria tão risonho, no estúdio fotográfico do "vizinho" Francisco Favinha. O único fotógrafo que havia na terra e com um talento especial para a arte...
( VIVA O ALENTEJO E O CANTE ALENTEJANO )













