sábado, 12 de novembro de 2016

Já Fui Feliz Aqui. [ XXIII ]


Não são os lugares que nos fazem felizes,


mas as memórias felizes que deles guardamos.






















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sexta-feira, 11 de novembro de 2016

Até Sempre, Mr. Cohen.


Leonard Cohen, durante uma entrevista, em Madrid.  Foto de GORKA LEJARCEGI.





Entre  a declamação e o sussurro, Leonard Cohen anuncia :
 "I’m ready, my Lord".


Mas nós, não. 
Ainda não estávamos...
...nunca estamos!





quinta-feira, 10 de novembro de 2016

E AGORA PARA DESCOMPRIMIR...


...FALA-ME DE AMOR!
                              ASSIM...




                 


E ASSIM...AO SOM DAS NOTAS MÁGICAS DE RICHARD CLAYDERMAN...

                     

               ...PARA QUE O SONHO NÃO TERMINE!!


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quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Do Peso do Passado À Dimensão do Futuro.


Vivemos Presos ao Nosso Passado e ao Nosso Futuro


A nós ligam-nos o nosso passado e o nosso futuro. Passamos quase todo o nosso tempo livre e também quanto do nosso tempo de trabalho a deixá-los subir e descer na balança.

O que o futuro excede em dimensão, substitui o passado em peso, e no fim não se distinguem os dois, a meninice torna-se clara mais tarde, tal como é o futuro, e o fim do futuro já é de facto vivido em todos os nossos suspiros e assim se torna passado. Assim quase se fecha este círculo em cujo rebordo andamos.

Bem, este círculo pertence-nos de facto, mas só nos pertence enquanto nos mantivermos nele; se nos afastarmos para o lado uma vez que seja, por distracção, por esquecimento, por susto, por espanto, por cansaço, eis que já o perdemos no espaço; até agora tínhamos tido o nariz metido na corrente do tempo, agora retrocedemos, ex-nadadores, caminhantes actuais, e estamos perdidos. Estamos do lado de fora da lei, ninguém sabe disso, mas todos nos tratam de acordo com isso. 

Franz Kafka, in “Diário (1910)


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segunda-feira, 7 de novembro de 2016

SONHANDO SE ENSAIAM VOOS DE SOBREVIVÊNCIA.

Carta de Ronaldinho

    Uns aprendem a andar. Outros aprendem a cair. Conforme o chão de um é feito para o futuro e o do outro é rabiscado para sobrevivências. Filipão pisava ou era pisado pelo chão?  O mundo do velho Filipão já semelhava com o relvado de futebol: ali ele fintava o tempo, esticando para prolongamento a partida com a vida. Restam-me duas, sorria ele, ou perder ou ser vencido. E o dente avulso, já de tão solto, abanava com riso.
    Ali, no bar da Munhava, o velho não apenas insistia no riso. O que ele mais fazia era retorcer a volta ao destino. No meio do cervejeiral, Filipão vingava-se. A prova era o salto fantástico e o grito que, de quando em quando, se escutava na rua: « Gooloo!».
    O pulo é o desajeito humano de ensaiar um voo. A alegria de Filipão só podia ser medida em asas, tanto de céu eram seus brados. Sozinho, no salão do decrépito bar, o velho celebrava o golo da sua equipa. As pessoas passavam e, pelo vidro, espreitavam Filipão aos saltos festejando vitórias.
    As pessoas sabiam: não havia rádio, não havia televisor. O bar era pobre e, para além do balcão, não sobrava apetrecho. O que havia na parede era um desenho de um ecrã rabiscado a carvão. Filipão desenhava o televisor com detalhe de engenheiro. E ali estavam compostos com perfeição os botões, a antena, os fios. Pobre não festeja por causa da alegria. A alegria é que se instala, sem convite, e faz a festa ter causa.
    O reformado chegava manhã cedo, carregava no falso botão e sentava-se na habitual mesa ao fundo da sala. Pedia a habitual cerveja e sorvia o líquido como se bebesse pelos olhos lentos. Bebia todo ele, a alma era uma boca. Estalava a língua no único dente, ruidosamente. Depois rabiscava num velho e seboso papel uns desenhos: as tácticas do jogo. Filipão organizava, sentenciava as tácticas, arquitectava a força anímica. Que se estava em pleno Mundial e a distracção é a morte do guarda-redes. Depois, já deitadas as instruções, o velho vinha à porta da taberna e gritava para o exterior: «Já começou!»


  E adentrava-se para assistir a mais um jogo de futebol que só ele testemunhava na sua imaginação. Até que, um dia, vieram buscá-lo. Eram os filhos que viviam na cidade. O mais velho disse:
    --  Venha pai, não queremos que continue sozinho aqui na vila.
    --  Já todos se riem, pai. – Confirmava o mais novo.
     Filipão ajustou o aparelho auditivo como se não estivesse ouvindo bem. Não iria nem arrastado. Que ali estava seguindo o Campeonato Mundial. Ele, o Mister, o senhor sem anéis.
    --  Desde quando, pai? Desde quando é que esse Mundial se arrasta?
     Os outros fizeram sinal para que não se argumentasse com a realidade. Seria pior. Deixassem-no crer que nesse imaginário televisor desfilavam verdadeiros jogos, capazes de fabricar alegrias.
     Um dia, o filho mais novo trouxe uma carta. Era um papel sério, com carimbo e redigido em máquina.
     --  O que é isso?
     --  Isto é para o senhor, meu pai.
     --  Não sabe que eu não leio letras?
     O filho ajustou os óculos e leu em voz alta. Era uma convocatória da Federação Nacional de Futebol. Congratulando-o pelo contributo de sua vida e pelos galardões alcançados. Chamavam-no para ir para a capital. Para descansar junto da família.
     --  Essa carta é falsa!
     --  Como falsa?! Tem carimbo, tem assinatura, tem tudo.
     --  Veja esta outra carta!
     E o pai estendeu o envelope ao filho. Tinha selo do Brasil e estava endereçada a Filipão Timóteo, Bar da Munhava. Assim, sem emenda nem gatafunho. Em baixo, a assinatura bem desenhada: Ronaldinho Gaúcho.
     O moço foi saindo, sem fôlego para palavra, quando a voz do pai o fez parar:
     --  E já agora, meu filho, pode-me trazer, lá da cidade, um pau de giz para desenhar um televisor novinho?!


Crónica de:  Mia Couto in “Pensageiro Frequente”   

 (Outubro de 2002)


                                                                      
Nota: O Mia Couto que me perdoe, isto não faz parte da história, mas para o velho Filipão Timóteo que ainda deve andar lá pelo bar da  Munhava, delirando, às voltas com as estratégias e as tácticas futebolísticas,  ofereço este vídeo para que ele possa apreciar o golo do seu ídolo. No fundo, no fundo, é uma lembrança, também, para os meus amigos e amigas que gostam de futebol...:))

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domingo, 6 de novembro de 2016

INTENÇÕES DOMINICAIS.

A Sunday Afternnon....Tela de Georges-Pierre Seurat.


Quando chega domingo,
faço tenção de fazer todas as coisas mais belas
que um homem pode fazer na vida.




Há quem vá para o pé das águas
deitar-se na areia e não pensar...


E há os que vão para o campo
cheios de grandes sentimentos bucólicos
porque leram, de véspera, no boletim do jornal:
«Bom tempo para amanhã»...


(…)


***   ***   ***   ***   ***  


Domingo que vem,
eu vou fazer as coisas mais belas
que um homem pode fazer na vida!


Manuel da Fonseca, Rosa dos Ventos, 1940







A TODOS DESEJO UM FELIZ DOMINGO!

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sexta-feira, 4 de novembro de 2016

GUARDEM OS COPOS DE CRISTAL...

...E DEIXEM-SE GUIAR,  ATÉ AO CÉU,  PELA VOZ DESTE ANJO. 




                                                                     





quarta-feira, 2 de novembro de 2016

DÊEM-LHE ÁGUA, COITADINHA, QUE TEM SEDE A PUCARINHA!


Andava eu, há uns tempos atrás, nas minhas deambulações por essa Net afora, na pesquisa que faço regularmente, para satisfazer as exigências dos enigmas do amigo Rui Espírito Santo, autor do blog "COISAS DA FONTE", eis senão, quando me deparo com esta linda escultura de João Cutileiro. Acho, que pertencia a uma colecção que o escultor ia expor algures numa Vila do Minho.
Dou esta explicação, porque, mal bato com os olhos na estátua, o que foi que eu me havia de alimbrar? (como diria a grande Hermínia Silva) Pois, nada mais nada menos, do que este belo poema aprendido e decorado na escola da minha doce infância, e claro, da autoria de Afonso Lopes Vieira.
Ora vejam lá se ainda se lembram:


O Pucarinho

O Pucarinho de barro,
o pucarinho,
tem bochechas encarnadas,
tem as faces afogueadas;
dêem-lhe água, coitadinho,
que tem sede, o pucarinho!

*
O pucarinho de barro,
o pucarinho,
está ao pé da sua mãe,
sua mãe, bilha bojuda,
que tem como ele também
a carinha bochechuda!

* *
O pucarinho de barro,
o pucarinho,
se a água dentro lhe cai,
põe-se baixinho chiando;
parece que diz: - Ai, ai,
já a sede vai passando!

* * *
Se se vai pelo caminho,
ao Sol ardente,
tem-se uma grande alegria
se dão de beber à gente
uma pouca de agua fria
que é dada num pucarinho!

* * * *

ESPERO QUE VOS TENHA AGRADADO ESTE MIMO.


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