domingo, 11 de março de 2018

MÚSICA AO DOMINGO.


                                                           
                                         
 Milord
(Senhor)


Esta canção foi composta em 1959, com letra de Georges Moustaky e música de Marguerite Monnot.
Fala do encontro entre uma prostituta e um homem rico, mas com problemas amorosos...


"Aproxime-se, senhor!
Venha sentar-se à minha mesa;
Aí fora está faz tanto frio,
Aqui é confortável.
Deixe-me cuidar de si, senhor
Sinta-se em casa,
Confie-me as suas angústias.
Ponha os pés, numa cadeira
Eu já o conheço, senhor.
Sei que nunca me viu
 Sou apenas uma menina do porto,
Uma mera sombra da rua..."

(...)



À Quoi Ça Sert L'amour?

(Para que Serve o Amor?)


Edith Piaf e Théo Sarapo, o jovem que foi o seu último e grande amor, num dueto lindo e cheio de ternura.


Espero que sejam do vosso agrado. Tanto quanto é do meu!





sexta-feira, 9 de março de 2018

Porque Hoje é Sexta-Feira. #2





Dois alentejanos, fartos de comer açorda, decidem ir visitar Lisboa para comer qualquer coisa diferente.
Chegam a um restaurante e sentam-se a uma mesa que estava vaga. Vem o empregado, dá-lhes o menu e diz um deles para o outro:

 - E agora, compadre? Não sabemos ler, como é que vamos escolher uma coisa para comer?
- Vamos apontar para uma coisa qualquer à sorte e vamos ver o que nos calha!

Apontaram para o menu mostrando ao empregado que logo se dirigiu para a cozinha. O empregado chega e põe-lhes na frente uma açorda.
Desapontados, mas sem querer dar parte de fracos, – coisa mesmo de alentejanos -  olharam para a mesa ao lado e viram um casal a comer um delicioso bitoque. De seguida a mulher levanta-se, vai ao balcão e diz "bis" e o empregado dá-lhe outro bitoque.
Ora os alentejanos, com água na boca, foram logo, apressados, ao balcão e exclamaram!- : "bis". O empregado, solícito, dá-lhes outra açorda.

Já desanimados, resolvem ir ao teatro de variedades ao Parque Mayer – naquele tempo ainda estava no auge – após a actuação brilhante, de uma cançonetista famosa, com uma bela coreografia de um corpo de coristas esculturais, a multidão levanta-se, aplaude entusiasticamente e grita: "Bis, Bis, Bis".
Um dos alentejanos, aflito, diz para o outro:

 - Vamos mas é sair daqui compadre, senão ainda nos dão mais açorda!!

Chegados ao Alentejo contam a sua triste ida à capital e foram motivo da chacota geral. De tal maneira que, de cada vez que alguém se cruzava com eles, na rua ou no café, havia sempre um engraçadinho que dizia:

- Tal tá a açorda, compadre?

Foi daí que resultou esta típica expressão alentejana!!!

Não sabiam??... Ehehehehehe





quarta-feira, 7 de março de 2018

SER MULHER, É....


…alguém,
que não é forte nem fraca
nem sensual, nem insossa
nem exuberante nem amarfanhada
leal, verdadeira.
Impaciente,
boa confidente.
Nem santa nem pecadora
Nem cobarde, nem lutadora…




Mulher…
é um ser humano normal.
É  uma mistura
especial de argamassa
Um pouco de cimento de bem  
Alguma areia de mal
Tudo isso é que a torna
Num ser tão ( pouco ) especial…
...afinal.


…Assim, como sempre fui

 sou e serei.

 Essencialmente…


Mãe!!








terça-feira, 6 de março de 2018

Te Gusta Bailar Flamenco?

                                                                               

Y sigo soñando y sé lo que quiero, 
aquí sigo cantando bailando al compás, 
que tú eres lo último, también lo primero, 
tu ser es mi principio, también mi final. 

Si tú me lo pides te bajo el cielo, 
si quieres la luna yo te traigo el mar, 
que voy a llevarte a ese rincón perfecto, 
que sé como llenarte de felicidad. 

Si, si, si, si, que lo que quiero 
es que me bese tu boca. 
Ay, ay, ay, ay, porque contigo 
yo me vuelvo loca. 


                                      

Para quem não sabe, Rosário Flores, é a filha do meio dos três filhos de Lola Flores, a bailarina de flamenco, mundialmente conhecida como La Faraona, infelizmente já falecida.

Rosário é também uma excelente actriz, que protagonizou vários filmes de Almodôvar. Um deles, "Habla Con Ella". Lembram- se dela ?



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segunda-feira, 5 de março de 2018

PODE SER...






























Tanta coisa pode ser e acontecer.

Enquanto vivemos o momento presente, 

a TODOS,  que por aqui passam, deixo o meu abraço e desejo:







sábado, 3 de março de 2018

DIZ QUE É UMA ESPÉCIE DE PDI.....

...SERÁ???


Torturada por terríveis dores lombares, fui consultar um famoso ortopedista.
Após analisar a radiografia, receitou-me anti-inflamatórios e teceu considerações a respeito da coluna, nervo ciático, etc., etc., tudo com uma contagiante simpatia e demonstração de profundo conhecimento profissional.
Nunca entendi tão bem o porquê do substantivo "PACIENTE", para definir o doente num consultório médico, como naquele dia.
Sim, é de todo o bom senso e civismo, ouvir, com grata paciência e atenção, aquilo que alguém nos está a dizer, ordenar, sugerir e/ou aconselhar, para nosso exclusivo bem-estar e saúde.
Depois de ouvir, atentamente, todas as recomendações perguntei, como leiga que sou:

- Doutor, o que fiz eu durante toda a minha vida, e estarei ainda a fazer, que possa ter originado estas dores?

E ele, depois de olhar frontal e francamente para mim, respondeu com simpática convicção:

- Aniversários, minha amiga, aniversários!!!!


(Recebido por e-mail.)

Agradeço esta simpática mensagem ao meu Amigo Daniel!! :)



quinta-feira, 1 de março de 2018

DESABAFO DE UMA MULHER CONSTIPADA.




Nem pachos na testa
Nem desfio o terço
Não gosto de botijas
Nem esfrego a goela
Zaragatoas não é comigo
Faço-me de forte
Recuso prevenções
Apanhei uma molha
Não gosto de cama
Mas ontem tombei
Meti-me nela e lá fiquei
Chá de gengibre
Mel e limão
Acalmou-me a tosse
Ranho e rouquidão não
Sou mulher dura na queda
Isto não vai ser nada
Mas seja eu ceguinha
Se volto a recusar
A vacina anti-gripe
Que o enfermeiro
Disse ser minha…
...E me quis dar

E, posto isto, vou de novo prá caminha.
Quando me sentir melhor voltarei, OK?


(Isto é pura utopia, homens e mulheres é tudo igual, quando a gripe é o mal)




                                                                      ***************

       
          





segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018

"A Senhora do Retrato."

Os retratos a óleo fascinam-me. E ao mesmo tempo assustam-me. Sempre tive medo que as pessoas saíssem das molduras e começassem a passear pela casa. Para falar verdade, estou convencido que isso aconteceu algumas vezes. Em certas noites, quando eu era pequeno, ouvia passos abafados e tinha a sensação de que a casa ficava subitamente cheia de presenças. Ainda hoje não gosto de atravessar os longos corredores das velhas casas com grandes retratos pendurados nas paredes. Há olhos que nos seguem do alto e nunca se sabe o que de repente pode acontecer.


Havia na casa da tia Hermengarda um quadro deslumbrante. Ficava ao cimo das escadas, à entrada do corredor que dava para os quartos de dormir. Mesmo assim, rodeado de sombras, irradiava uma luz que só podia vir de dentro da dama do retrato. Não sei se da blusa muito branca, se dos olhos, às vezes verdes, às vezes cinzentos. Não sei se do sorriso, às vezes alegre, às vezes triste. Eu parava muitas vezes em frente do retrato. Era talvez o único que não me assustava. Creio até que dele se desprendia uma luz benfazeja, que de certo modo me protegia.


Grã-Duquesa Marie Nikolaevna da Rússia, em 1914  ( * )





Mas havia um mistério. Ninguém me dizia quem era a senhora do retrato. Arminda, a criada velha, benzia-se quando passava diante do quadro. Às vezes fazia figas e estranhos sinais de esconjuração. A prima Luísa passava sem olhar.
- Essa pergunta não se faz - disse-me um dia em que lhe perguntei quem era aquela senhora.
Percebi que não gostava dela e que era um assunto proibido. Até a minha mãe me ralhou e me pediu para nunca mais fazer tal pergunta. Mas eu não resistia. Por vezes descaía-me e dava comigo a perguntar quem era a senhora dos olhos verdes, quase cinzentos, que me sorria de dentro do retrato.
Com a minha tia-avó, eu tinha uma relação especial. Ela lia-me histórias e poemas inquietantes. Creio que troçava das convenções, talvez das próprias pessoas. Por vezes era difícil saber quando estava a sério ou a brincar. Apesar de já ser muito velha, tinha um sentido agudo do ridículo. Foi a primeira pessoa verdadeiramente subversiva que conheci. Era óbvio que tinha um fraco por mim. Pelo menos era o único membro da família a quem ela tratava como um igual. Dormia no andar de baixo e nunca subia as escadas. Talvez por isso eu nunca lhe tinha perguntado quem era a senhora do retrato.

Um dia, farto já de tanto mistério e ralhete e, sobretudo, das gaifonas da Arminda e do ar empertigado da prima Luísa, não me contive e perguntei-lhe. A minha tia sorriu. Depois levantou-se, pegou no molho de chaves que trazia preso à cintura, abriu uma gaveta da escrevaninha e tirou um álbum muito antigo. Voltou a sentar-se e lentamente começou a mostrar-me as fotografias. Eram quase todas da senhora do retrato e do meu primo Bernardo, que há muito tinha partido para a África do Sul.
Apareciam juntos a cavalo e de bicicleta. E também de fato de banho, na praia da Costa Nova. Havia alguns em que o meu primo estava de smoking e ela de vestido de noite. Via-se também a tia Hermengarda, mais nova, por vezes os meus pais, gente que eu não conhecia. Até que chegámos à senhora do retrato já de branco vestido.
- Natacha - murmurou a minha tia, com uma névoa nos olhos.
E depois de um silêncio:
- Ela chama-se Natália, mas eu gosto mais de Natacha, sempre a tratei assim.
É preciso dizer que a tia Hermengarda tinha vivido em Moscovo no início da carreira diplomática do marido e era uma apaixonada dos autores russos, Pushkine, Dostoievski, principalmente Tolstoi, que visitou algumas vezes em Isnaia Poliana. Identificava-se com as personagens de Guerra e Paz. Creio que amava secretamente o príncipe André e gostava de ter sido Natacha. Falava muito da alma russa.
 Era uma propensão do seu espírito. 
- Tu também tens alma russa - dizia-me. E era como se me tivesse armado cavaleiro. 

Manuel Alegre, in “O Homem do País Azul,”  

 Lisboa, Publicações Dom Quixote, 1989.


(*) A imagem foi escolha minha, retirei-a do Pinterest, mas não me foi possível trazer o link. Retirá-la-ei se alguém se intitular seu autor e for proibida a sua publicação. Obrigada.



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