quarta-feira, 30 de outubro de 2019

Investigação À Lá Minute...


Ainda enjoado de tanto filete de polvo, tanto grelo entalado nos dentes e com o gosto acre do alho das iscas de cebolada do Tóino a amargar-lhe a boca, o bravo Agente Ó exemplar funcionário da Agência do Ó, que acumulava a função de detective com a de proprietário, deixou cair pesadamente o anafado traseiro na primeira cadeira que encontrou e que por sinal ficava de frente à secretária da sua secretária, e resfolegou:

- Magrinha, anote e comunique à nossa mais recente cliente: a famosa e insone Menina, que o caso do desaparecimento do Cartão de Cidadão está resolvido e encerrado. Por tempo indeterminado fica também encerrada a Agência que o agente não é de ferro – esse era outro – pois vai encerrar para umas breves vacances mais do que merecidas.

Mas...afinal o que se passou ó agente do Ó? - pergunta a Magrinha e incrédula secretária, disfarçando a alegria. - Passo a explicar - e, explica, o ainda ofegante Ó.


- Aproveitando um breve interregno em que todos os suspeitos estavam desvanecidos em ternura enternecida, pelo aparecimento inesperado da Capitã Cuca, entrei sub-repticiamente a bordo do barco pirata. Coloquei uma pala num olho para me confundir com a tripulação e dirigi-me à cabine da dita. Por entre os seus trajes íntimos, enroladinho numa cuequinha fio dental, lá estava ele; o Cartão de Cidadão.




Só para os interessados vai a narradora revelar o móbil do roubo.
A paixão avassaladora da Capitã, como aliás o são todas as paixões, havia-se extinguido em chamas de amor ardente. Como voltar atrás sem perder honra nem glória? Pois apossando-se da identidade de uma jovem impoluta e sem cadastro… A Tétisq, obviamente!!


Para que este arrazoado faça algum sentido, agradeço leiam pela ordem apresentada...Aqui...Aqui... Aqui...Aqui...e Aqui. Isto, por enquanto... :)


Cumpre-me esclarecer que, caso a Capitã se sinta melindrada por estas minhas fake news, e me o faça saber, de imediato retirarei o seu nome da investigação. Obrigada!


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terça-feira, 29 de outubro de 2019

RECOLHIMENTO.


Tela de Alexander Sulimov


Sê sábia, ó minha Dor, e queda-te mais quieta.
Reclamavas a Tarde; eis que ela vem descendo:
Sobre a cidade um véu de sombras se projecta,
A alguns trazendo a angústia, a paz a outros trazendo

Enquanto dos mortais a multidão abjecta,
Sob o flagelo do Prazer, algoz horrendo,
Remorsos colhe à festa e sôfrega se inquieta,
Dá-me, ó Dor, tua mão; vem por aqui, correndo

Deles. Vem ver curvarem-se os Anos passados
Nas varandas do céu, em trajes antiquados;
Surgir das águas a Saudade sorridente;

O Sol que numa arcada agoniza e se aninha,
E, qual longo sudário a arrastar-se no Oriente,
Ouve, querida, a doce Noite que caminha.





[  Soneto de Charles Baudelaire ‘in’  "As Flores do Mal " 






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domingo, 27 de outubro de 2019

AVISO AOS GALOS...


Ou vocês, seus brutos, passam a ser mais meigos na hora do bem-bom, ou vão pregar para outro galinheiro...E depois, os ovos? Como passaremos a fazer omeletes??...Portanto, nada de bicar pelo cachaço a vossa parceira, muito menos à bruta,  Ok?


   

                                                 
     Haja mimo e jeitinho, ou acabam-lhes com a espécie.                                            

                                                 

                                                    
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sábado, 26 de outubro de 2019

"ME HACES FALTA". OU "TU ME HACES FALTA"





Me haces falta

Estoy contando los besos que diste y me faltas
Porque aunque tú no te has ido, ya he visto esa carta
Mas me haces falta
Lo he intentado
Es que no entiendo el final si yo nunca he fallado
Es tan difícil amar con los ojos vendados
Y así me has dejado.


Y esa promesa que hiciste esa noche a la luna

Voy a venderla porque me falló mi fortuna
Si es de rogar yo prefiero quedarme callado
Voy a esconder el dolor y que tú estás a mi lado.


Me haces falta

Porque aunque tú no te has ido, te extraña mi alma
Y así me haces falta
Me haces falta
Y aunque te tenga en mis brazos, no encuentro la calma
Igual me haces falta



Lo escribo en tu espalda

Aunque te vayas con mi corazón
Me haces falta…




Adenda:  Aos menos atentos, cabe-me informar que a letra que publico não corresponde à cantada por Plácido Domingo e sim, a esta outra canção de um outro cantante, em virtude da letra do bolero que Plácido canta não estar disponível.
Como também vos fala da falta de alguém, penso estar desculpada. Obrigada.




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sexta-feira, 25 de outubro de 2019

Porque Hoje É Sexta-Feira. # 75




Tiro & Queda!!

Ele disse… Não sei porque usas soutien; não tens nada para pôr lá dentro.
Ela responde… Tu usas cuecas, não usas?

Ele disse… É verdade que só me amas por causa da fortuna que o meu pai me deixou?
Ela disse… Não, querido. Eu amar-te-ia de qualquer maneira, independentemente de quem te deixou a fortuna.

Ele disse… Desde a primeira vez que te vi, quis fazer amor contigo da pior maneira possível.
Ela, sincera … Bem, conseguiste.

Ele disse… Porque é que vocês mulheres sempre nos tentam impressionar com o vosso aspecto em vez de com o vosso cérebro?
Ela disparou… Porque há mais chances de um homem ser imbecil do que ser cego.

Ele disse… Vamos sair e divertirmo-nos hoje?
Ela retorquiu… Está bem, mas se chegares a casa primeiro do que eu, deixa a luz do corredor ligada.

Ele disse… Porque é que nunca me dizes quando tens um orgasmo?
Ela 
contrapõe … Eu até dizia, mas nunca estás presente…




DESEJO-VOS, FELIZ SEXTA-FEIRA...

COM MUITO AMOR.

:)

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quinta-feira, 24 de outubro de 2019

CBO...


Cidadão do Mundo,blogger, jornalista... amado ou odiado, mas nunca, nunca, 
indiferente!

nem esquecido ]

Carlos Barbosa de Oliveira.
[ 24.10.1949 - 29.10.2018]



Onde quer que se encontre, sei que estará com 

E é para lá, e daqui, que lhe mando o meu Abraço, Carlos.





Porque, como escreveu no "on the rocks",  a sua Cidade merece.

Fotografia do "crónicas on the rocks"


Perdoe-me,  Carlos. 
Para Todo o Sempre, irei preferir lembrá-lo neste dia. Mesmo sabendo que não gostava.

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segunda-feira, 21 de outubro de 2019

Traduções...



A Imagem do Corvo, fui buscá-la  AQUI

Numa meia-noite agreste, quando eu lia, lento e triste,

Vagos, curiosos tomos de ciências ancestrais,
E já quase adormecia, ouvi o que parecia
O som de alguém que batia levemente a meus umbrais.
"Uma visita", eu me disse, "está batendo a meus umbrais.
É só isto, e nada mais."

Ah, que bem disso me lembro! Era no frio dezembro,
E o fogo, morrendo negro, urdia sombras desiguais.
Como eu qu'ria a madrugada, toda a noite aos livros dada
P'ra esquecer (em vão!) a amada, hoje entre hostes celestiais -
Essa cujo nome sabem as hostes celestiais,
Mas sem nome aqui jamais!


A treva enorme fitando, fiquei perdido receando,
Dúbio e tais sonhos sonhando que os ninguém sonhou iguais.
Mas a noite era infinita, a paz profunda e maldita,
E a única palavra dita foi um nome cheio de ais -
Eu o disse, o nome dela, e o eco disse aos meus ais.
Isso só e nada mais.

Para dentro então volvendo, toda a alma em mim ardendo,
Não tardou que ouvisse novo som batendo mais e mais.
"Por certo", disse eu, "aquela bulha é na minha janela.
Vamos ver o que está nela, e o que são estes sinais."
Meu coração se distraía pesquisando estes sinais.
"É o vento, e nada mais."

Abri então a vidraça, e eis que, com muita negaça,
Entrou grave e nobre um corvo dos bons tempos ancestrais.
Não fez nenhum cumprimento, não parou nem um momento,
Mas com ar solene e lento pousou sobre os meus umbrais,
Num alvo busto de Atena que há por sobre meus umbrais,
Foi, pousou, e nada mais.

E esta ave estranha e escura fez sorrir minha amargura
Com o solene decoro de seus ares rituais.
"Tens o aspecto tosquiado", disse eu, "mas de nobre e ousado,
Ó velho corvo emigrado lá das trevas infernais!
Dize-me qual o teu nome lá nas trevas infernais."
Disse o corvo, "Nunca mais".

Pasmei de ouvir este raro pássaro falar tão claro,
Inda que pouco sentido tivessem palavras tais.
Mas deve ser concedido que ninguém terá havido
Que uma ave tenha tido pousada nos seus umbrais,
Ave ou bicho sobre o busto que há por sobre seus umbrais,
Com o nome "Nunca mais".


Excerto do Poema “O Corvo” de Edgar Allan Poe, numa tradução de Fernando Pessoa.

[ Quando, e se, me apetecer, publicarei o resto. Quem gostar de Allan Poe, já tem aqui muito para ler]




domingo, 20 de outubro de 2019

Entregar o Corpo À Arte.

    Literalmente!     


Esta jovem desenha, no próprio corpo, figuras assombrosas que parecem ganhar vida,  usando apenas um pincel, alguma tinta e muita imaginação… o impossível acontece. Vejam e deliciem-se!




                                              







                                                  
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