domingo, 26 de julho de 2026

TRISTEZAS.

 


Não existe tristeza maior, para os meus olhos, ainda entorpecidos pela noite, quer tenha ela sido bem ou mal dormida, do que ao puxar a persiana do quarto onde durmo,  dar de caras com uma árvore morta!

A laranjeira que fica rente ao muro de meação e divide o meu quintal, do quintal do meu vizinho. Melhor dizendo: dos filhos dos meus vizinhos. A mãe, faleceu há uns anos,  o pai, com noventa anos, foi 'internado' contra a sua vontade. Dizem os descendentes, já não possuir discernimento para viver só. Fui visitá-lo várias vezes ao Lar de idosos onde se encontra, e conversamos muito. Naturalmente. Como conversávamos dantes. Embora, devo ser justa, lhe note algum esquecimento em relação a certos factos que eu sei que ele sabia da sua existência e agora, o seu pasmo, por não se lembrar de nada A última vez que lá estive, creio, foi quando completou os 91 anos. 

Não sei se me sinto com coragem para lá voltar e ver como a sua mente foi perdendo o antigo vigor. Tentou fugir algumas vezes, mas não conseguiu. Resignou-se ao seu cativeiro! No próximo mês de Agosto fará apenas um ano em que  cruzou os portões daquele lugar...

Assim, viçosa, e coberta de doces laranjas, era a laranjeira nos bons tempos em que ali habitava VIDA.




___________________________

 

Sem comentários:

Enviar um comentário