domingo, 26 de julho de 2026

TRISTEZAS.

 


Não existe tristeza maior, para os meus olhos, ainda entorpecidos pela noite, quer tenha ela sido bem ou mal dormida, do que ao puxar a persiana do quarto onde durmo,  dar de caras com uma árvore morta!

A laranjeira que fica rente ao muro de meação e divide o meu quintal, do quintal do meu vizinho. Melhor dizendo: dos filhos dos meus vizinhos. A mãe, faleceu há uns anos,  o pai, com noventa anos, foi 'internado' contra a sua vontade. Dizem os descendentes, já não possuir discernimento para viver só. Fui visitá-lo várias vezes ao Lar de idosos onde se encontra, e conversamos muito. Naturalmente. Como conversávamos dantes. Embora, devo ser justa, lhe note algum esquecimento em relação a certos factos que eu sei que ele sabia da sua existência e agora, o seu pasmo, por não se lembrar de nada A última vez que lá estive, creio, foi quando completou os 91 anos. 

Não sei se me sinto com coragem para lá voltar e ver como a sua mente foi perdendo o antigo vigor. Tentou fugir algumas vezes, mas não conseguiu. Resignou-se ao seu cativeiro! No próximo mês de Agosto fará apenas um ano em que  cruzou os portões daquele lugar...

Assim, viçosa, e coberta de doces laranjas, era a laranjeira nos bons tempos em que ali habitava VIDA.




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33 comentários:

  1. Tudo tem um fim e nós estamos incluídos.
    Votos de uma boa semana.

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    1. Claro que sim, José. O que eu gostaria mesmo era de ficar a dormir, o sono eterno, na minha cama.
      No presente caso que vos contei, devo acrescentar que a importância que pagam ao Lar, poderiam pagar a alguém sem lhe retirar os pequenos prazeres da vida, como regar e cortar a relva, coisa que fez até à sua ida.

      Boa semana

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  2. Ha muito tempo que não vinha aqui...

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    1. Pois é, Miguel...nem eu vou aí.
      Fiquei sem a lista dos blogs, coisas parvas lá da entidade que manda nisto tudo. Agora já vou incluir o Porventura, onde estava!

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  3. Concordo contigo, Janita!
    É mesmo muito triste ver as árvores mortas. Pena! Linda semana, beijos, chica

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    1. Também as árvores morrem de saudade, embora se finem de pé e nós, não.
      Beijos, Chica

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  4. Passei e deixo um beijinho Janita. Adélia

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    1. Olá, querida Adélia, que saudades sinto do odor das tuas flores de jasmim!
      Beijinhos, amiga e volta sempre.

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  5. Bom dia
    Nem sei se a palavra "tristeza" será suficiente para o assunto em questão mas se calhar estou a exagerar.

    JR

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    1. Na verdade, 'tristeza' é pouco. É mais uma dor profunda.
      Tanto mais que eu sei a causa real do afastamento do velhote...
      Enfim, é muito triste quando se poem os valores materiais acima dos afectos. Mas, filho és, pai serás...

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  6. Assim é a vida Janita. Somos finitos. Mas que haja sempre a dignidade a orientar as pessoas que entram neste processo de adormecimento para a vida. Ver uma bela arvore morrer é dolorido mesmo, e saber que muitas vezes é por falta de cuidados.
    Abraços e feliz semana com coisas leves e alegres.

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    1. Da nossa finitude todos sabemos, Toninho, porém, uns têm um fim de vida mais digno do que outros.

      Garnde abraço, meu amigo

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  7. O pavor da minha mãe - viver num Lar.
    Tem a sua casa, uma empregada durante o dia e outra durante a noite a fazer-lhe companhia a ela e à minha irmã.
    Foi o que prometi e nunca deixarei de cumprir.
    Beijinhos, boa semana

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    1. Mesmo longe, o Pedro é um filho exemplar.
      Admiro-o muito.
      Espero que o roseiral, onde repousa o senhor seu Pai, esteja florido e bem cuidado por quem cuida da casa e dos seus entes queridos.
      Beijinhos e boa semana

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  8. A sensação de finitude começa a apertar! :((
    Por razões de recuperação já tive que passar um ano em lares, dividido em 6 meses em cada um.
    Não é situação que deseje repetir, mas nunca se sabe como será o meu fim de linha.

    Abraço

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    1. Sofrer por antecipação, não sofro, Leo.
      Mas, começo a pensar, se a minha lucidez de espírito se manterá e até quando. Não quero ser um peso morto para ninguém, mais depressa entro mar adentro e faço das águas do Atlântico a minha última morada. Sou «praça» para isso...
      Beijinhos

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  9. Felizmente a minha mãe optou por um lar(privado) onde esteve 8 anos e custeado pela venda da sua casa e a ajuda da ADSE. Morreu em paz no hospital!
    Penso muito nela e na sua garra e estou em paz porque fiz tudo por ela!
    Agora não faço planos para mim, mas as filhas cada uma ao seu jeito preocupam-se muito comigo porque já não sou o que era mas aceito as minhas limitações porque é lei da vida!
    Os lares subiram muito e até quem é cuidador domiciliaro!
    Beijos e um bom dia!

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    1. Fui seguindo - pelo que nos contavas - os passos dados pela senhora tua mãe, Fatyly.
      Creio que cheguei a dizer-te que a admirava muito. Era uma senhora espectacular!
      Grande abraço, amiga.

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    2. Disseste sim e concordo contigo embora por vezes dizia coisas que me magoavam muito mas que passavam rapidamente.
      Beijos e um bom dia!

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  10. Ontem, no meu espaço
    falei de árvores velhas
    e só me recordei
    dos frutos delas

    Brito
    do Rogerito

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    1. "As árvores morrem de pé," - como dizia em palco Palmira Bastos, batendo com a bengala no soalho do chão!

      Beijinhos, Amigo do coração.

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  11. Não sei se é melhor a velhice com memória do que sem ela...
    Mas por vezes é terrível. O meu pai morreu com 97 anos e já não me conhecia. Mas aparentemente estava feliz e sem conhecimento do seu fim, que estava muito próximo.
    Das laranjeiras, tenho uma que estava a morrer, tal como a que mostras na foto. E estive quase para a abater. Ma, milagrosamente, rejuvenesceu e já dá boas laranjas.
    Boa semana minha amiga.
    Um abraço.

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    1. A velhice, por si só já é triste.
      Ser velho e viver só, mesmo no meio de outras pessoas que não as nossas, mais triste será.
      Tal como o pai do Jaime, essa laranjeira é resiliente e resistiu à 'quase morte'. Valente!!

      Beijinhos, Jaime, tudo de bom.

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  12. As árvores também sentem as mudanças próprias da vida.
    Beijinho, Janita.

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    1. Também sentirão solidão?
      À sede não morreu, eu regava-a cá do meu lado, mas...

      Beijinhos, António

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  13. Como as coisas estão a evoluir dentro de pouco tempo raros serão os que vão para os lares. Com os preços que se praticam vai ser quase impossivel ao idoso comum ou respectiva familia pagar uma despesa dessa grandeza. Infelizmente quem governa não percebe que os cortes nas pensões - não foi só o Passos, todos os que se seguiram, de uma ou outra forma também cortaram - fazem os idosos ainda mais pobres e, por outro lado, os custos de funcionamento de uma instituição dessa natureza são enormes e não param de aumentar!

    Cumprimentos

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    1. Mas, então, e sob essa sua perspectiva acerca do futuro de todos nós, os quase idosos, ou, se quiser idosos, pois tenho ouvido nos noticiários os sábios locutores falarem sobre pessoas que mal ultrapassaram os sessenta; idosos.
      O que sugere se faça? Se as pensões, cada vez mais baixas, relativamente à carestia dos bens essenciais de consumo, não lhes permite e estadia nos Lares, a família trabalha, os netos estudam e ninguém tem tempo para eles, se calhar vai ser como dizia a minha saudosa mãe:
      "Dizem que na Rússia, dão uma injeção atrás da orelha dos velhos e eles morrem, pois já não são produtivos e só dão despesa ao Estado". Era uma anti comunista ferrenha! ☺️
      Enfim; vamos vivendo e vendo o que acontece...

      Cumprimentos

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  14. https://existeumolharbymanu.aminus3.com/27 julho, 2026 19:43

    É triste pensar que nós e tudo o que vive tem o seu tempo de vida.
    Eu própria dou por mim a pensar em tudo o que vivi e tudo o que gostava de ainda viver e penso na minha finitude, sinto que o tempo passa demasiado depressa.
    Beijinhos Janita

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    1. Já eu, tento não pensar muito no assunto, Manu.
      O que for, será...quem sabe eu nem chegue a idosa?...ahahahah
      Beijinhos, amiga.

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  15. Seeing that withered orange tree breaks my heart completely, especially knowing the painful story behind it. Watching older neighbors lose their freedom feels utterly devastating. Life fades away so fast when once-vibrant homes empty out like that. Sending you massive virtual hugs because witnessing such sorrow right outside your window is heartbreaking.

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    1. Olá, Melody.
      O seu comentário deixou-me enternecida.
      Tão bonito esse seu sentimento que vem de encontro ao meu sentir.
      Conheço esta família há longos anos, lembro-me de ver nascer um dos filhos e nunca pensei que a vida fosse tão madrasta para o cônjuge que ainda vive, ou sobrevive.
      Um beijinho grato

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  16. Também a mim aconteceu a mesma coisa, secou, carregadinha de laranjas, a minha melhor laranjeira! Plantei um limoeiro no lugar dela!

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