O Lamento da Vaca.
( Em soneto desajeitado)
Sem o verde prado para pastar serena,
Transpira a vaquinha com a língua de fora
Produz o leite, cumpre e a sua pena
Enquanto o lucro ao bolso alheio torna.
Diz el patrón com sorriso de doutor:
"Dá-me mais baldes, ó linda malhada!"
Mas para a mimosa, que aguenta o calor,
Nem erva lhe sobra com as tetas puxadas.
Ó tu Bocage, se visses este gado,
Que engorda a conta de tanto barão,
Dirias logo, em verso afiado:
"A vaquinha sua e trabalha,
Mas quem mama é o patrão!"
O que lhe vale é ter o leque à mão…
Imagem gentilmente cedida pelo Kruzes
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ResponderEliminarPobre da vaca. Nem ela suporta tanto calor!