segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

SEM GENERALIZAR....







Lembram-se das palavras da jovem Inês no final do "Auto de Inês Pereira" de Gil Vicente?
Pois é!...

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Porquê sofrer?








Porquê lamentar o dia cinzento, se amanhã o sol retornará luminoso?

Porquê entristecermo-nos com o rigor do Inverno se a Primavera está à espreita para colorir os nossos dias?








Porquê viver repisando as más lembranças do passado, se a vida está aí à nossa frente para ser vivida e aproveitada?



Porquê fechar o coração a novas conquistas, se nascemos para amar, amar...e amar?



Porquê insistir no frio da solidão e não desfrutar do calor de um abraço?


Porquê isolarmo-nos do mundo em vez de nos abrirmos à saudável convivência de amizades verdadeiras?

Basta de solidão! Quero viver... abrir o meu coração e partilhar sentimentos.















quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Nostalgias

Há muito tempo que não escrevo neste blogue! Hoje senti uma vontade irresistível de o fazer.
Mas, sinto-me triste, apática e ainda não estou totalmente preparada para pensar em algo realmente interessante, que me dê prazer partilhar com quem estiver com a paciência, suficiente, para me ler.
De qualquer modo, lembrei-me de lhes lançar um desafio: vou transcrecer um curto texto de um livro que li há uns anos atrás e ando agora a reler. Se alguém descobrir a que livro se refere deixe o seu comentário.
" Foi então que Alberto se apercebeu de quanto Matilde se tinha tornado importante para ele. Com o jardineiro e Celestino, munidos de tochas, deu uma volta pela colina, desceu até à aldeia e percorreu a margem do lago. Tremia com a ideia da rapariga se ter afogado, praguejava contra aqueles idiotas dos filhos e hesitava em denunciar o desaparecimento às autoridades. Ao seu chamamento respondeu um latido. Alberto orientou o feixe de luz para esse latido, que se repetia, e viu os focinhos dos cães aparecer por detrás de uma moita. Os animais, no entanto, não se mexeram. Ao fundo, Matilde dormia enroscada, ao lado de Saladino e Kabiria. Alberto estava dividido entre a cólera e a alegria. Pegou na rapariga ao colo e, seguido pelos cães, regressou a casa. Não disse uma palavra, não fez comentários. Pousou-a na cama, tirou-lhe os sapatos e cobriu-a. A empregada apercebeu-se que o patrão estava comovido.
-Amanhã de manhã sou eu que a vou levar à escola-disse simplesmente, e saiu do quarto em bicos de pés."

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Crianças: Televisão Q.B.

O efeito da televisão nas crianças, principalmente nas mais pequenas, é um assunto bastante controverso. Todos os anos surgem novos estudos e estatísticas sobre os hábitos de televisão das crianças e alguns deles parecem ser bastante alarmantes dado que, nalgumas famílias, os pais demitem-se, por vezes, da sua função de educadores e deixam por conta da televisão a função de distrair e ocupar os seus filhos.
Os complexos desafios que se apresentam para a educação, nos dias de hoje, estão frequentemente vinculados à ampla influência dos meios de comunicação social nos nossos dias. Com efeito, algumas pessoas afirmam que a influência formativa dos meios de comunicação social concorre com a da escola e, talvez mesmo, da família. A relação entre crianças, meios de comunicação social e educação pode ser considerada a partir de duas vertentes: a formação das crianças por parte dos mass media e, paralelamente, a formação das crianças, para que respondam apropriadamente a esses meios de informação. Sobressai um tipo de reciprocidade que indica as responsabilidades dos meios de comunicação como indústria e a necessidade de uma participação activa e crítica dos educadores, enquanto espectadores e ouvintes.
Nesta perspectiva, formar-se no uso apropriado dos meios de comunicação social é essencial para o desenvolvimento cultural e moral das crianças. Contudo, há que salvaguardar e promover o bem comum. Educar as crianças a serem criteriosas no uso dos meios de comunicação é uma responsabilidade que cabe aos pais e à escola. O papel dos pais é de importância primordial. Eles têm o direito e o dever de assegurar o uso prudente dos meios de comunicação social, formando a consciência dos seus filhos a fim de que expressem juízos sadios e objectivos que, sucessivamente, há-de orientá-los na escolha ou rejeição dos programas disponíveis. Ao agir deste modo, os pais deveriam contar com o encorajamento das escolas.
A educação através dos mass media deveria ser positiva. As crianças expostas ao que é estética e moralmente aceite são ajudadas a desenvolver o apreço, a prudência e as capacidades de discernimento. Aqui, é importante reconhecer o valor fundamental do exemplo dos pais na selecção prévia daquilo que as crianças devem, ou não, ver.
A televisão é, sem dúvida, o meio de comunicação mais visto e apreciado pelas crianças e um aparelho omnipresente em todos os lares que influencia sob diversos âmbitos, a vida de crianças e adultos. Hoje, tudo é divulgado pela televisão.
Qualquer criança antes mesmo de frequentar a escola, já passou várias horas em frente ao ecrã de um televisor. Para elas é absolutamente fascinante ver robots que falam, naves espaciais, a capacidade de transformar e se transformarem em seres de outros planetas, as lutas do bem contra o mal e o terror de monstros e vampiros. Hoje em dia, uma criança de quatro anos que vai ao supermercado com os pais, sabe perfeitamente tirar da prateleira o iogurte que quer e sabe dizer o seu nome. Sabe que aquelas sapatilhas são desta ou daquela marca porque está muito familiarizada com esses nomes, através dos anúncios publicitários. Conhece símbolos de lojas, e de artigos. Enfim, sabe identificar os nomes e as marcas. As crianças são alfabetizadas pelas imagens, através da televisão, sem nenhum professor.
As mensagens audiovisuais exigem pouco esforço e envolvimento por parte do receptor. É usada uma linguagem concreta facilmente assimilável e um ritmo acelerado que mexe com a imaginação. No mundo actual, a criança passa muito mais tempo com os seus heróis da televisão do que com os pais. Algumas tentam, até, suprir a falta que sentem deles com a televisão, sempre presente e de fácil acesso. Por sua vez, os pais preferem que as crianças fiquem em frente ao televisor caladas e quietas porque, desta forma, dão menos trabalho e preocupação.
O lado negativo desta forma de comunicação está no facto de todas as crianças terem uma forte inclinação para imitarem tudo o que vêem e ouvem e, como todos sabemos, longe vão os tempos dos desenhos animados da Heidi, do Marco e da Abelha Maia. Hoje, quase todos os filmes ou desenhos animados destinados a crianças, têm cenas de heróis com comportamentos violentos e agressivos e a criança, ao interagir com outras crianças, acha normal ter um comportamento idêntico, onde a violência é premiada. Pior, ainda, é o desejo de sair vencedor das lutas sem olhar a meios para alcançar os fins e, assim, a criança vai crescendo sem aprender os princípios éticos da solidariedade e do respeito pelos outros.
Pais e educadores, não devem esquecer que, apesar das evoluções pelas quais a família tem passado, esta continua sendo a primeira fonte de influência comportamental, emocional e ética na criança. A família devia aproveitar a grande influência que a televisão exerce na criança de maneira correcta, seleccionando os programas a que ela pode assistir, já que esta influência poderá ser determinante para a sua visão do mundo.
Para muitas crianças que vivem em apartamentos nas cidades, a televisão pode ser a única forma de entretenimento e evasão.
Cabe aos pais encontrar outras actividades alternativas de lazer, dentro e fora de casa. O incentivo à leitura, seria uma excelente opção. Além de entender a importância da educação familiar e do ambiente escolar, é preciso que se dimensione o papel desempenhado pela exposição da criança aos estímulos e à influência dos meios de comunicação.

sexta-feira, 17 de abril de 2009

ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS



Com o filme “Uma Verdade Inconveniente”, Al Gore prémio Nobel da Paz em 2007, tentou despertar a atenção do Mundo para o problema gravíssimo que nos afecta já a todos e num futuro bem próximo poderá ter resultados catastróficos, se não forem tomadas a tempo as medidas, urgentes e necessárias, para travar o perigo que ameaça toda a Humanidade.
O sobreaquecimento global, provocado pelo efeito de estufa devido ao excesso de gases poluentes enviados para a atmosfera e o abate sistemático de árvores, são a principal causa das alterações climáticas que podem levar ao degelo dos glaciares, elevando o nível dos oceanos e provocando inundações desastrosas, para milhões e milhões de pessoas.
No filme é apresentado um gráfico que nos mostra a subida de temperatura global nos últimos 150 anos. A subida brutal que ocorreu nos últimos 20 anos deu-nos uma visão absolutamente assustadora dos perigos que espreitam a Humanidade, e não podemos dizer que este é um assunto da competência dos “senhores” que governam o Mundo. Ele diz respeito a todos nós porque é neste Planeta que nós habitamos e já começámos a sentir na pele as consequências das alterações climáticas. Cada vez há mais vagas de calor, incêndios e secas logo seguidas de tempestades e inundações.
O maior paradoxo é que sendo os EUA responsáveis pela emissão de um quarto do total mundial de gases indutores do efeito de estufa e sofrendo este País as naturais consequências disso com: tufões, furacões e inundações ou vagas de calor intenso em que perdem a vida milhares de pessoas, não ter assinado o Tratado de Quioto e ser um cidadão ex-político norte-americano, a lançar este alerta mundial.
No meio de tudo isto há uma boa notícia. Os países do G8 decidiram reduzir em 50% as emissões de CO2, até 2050.
Tal como Al Gore comentou, no filme, se foi possível minimizar o problema do buraco na camada do ozono vamos ter esperança que, com a cooperação à escala mundial, consigamos reverter a situação do aquecimento global.

domingo, 5 de abril de 2009

Igualdade de Direitos

A Declaração Universal dos Direitos Humanos é uma Carta de princípios, que foi aprovada pela Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas a 10 de Dezembro de 1948.
A Declaração surgiu como um alerta à consciência humana, depois de todas as atrocidades cometidas durante a Segunda Guerra Mundial. Nela, são enunciados os direitos fundamentais civis, sociais e políticos de que devem usufruir todos os seres humanos, sem discriminação de sexo, nacionalidade, etnia, crença religiosa, condição social e ideologia política. Em suma, Liberdade, Igualdade e Fraternidade.
Todos os artigos são igualmente importantes, mas tendo em conta o que se passa no nosso país, vou destacar o 23º e o 26º.
A 2ª alínea do Artigo 23º diz: “Todos têm direito, sem discriminação alguma, a salário igual por trabalho igual”. Mas, todos sabemos que, salvo raras excepções, no mercado de trabalho, seja em que sector for, a mulher é ainda discriminada em relação ao homem, auferindo salário inferior por trabalho igual.
O artigo 26º diz: “ Toda a pessoa tem direito à educação.” Mas educar não é apenas instruir. Ser educado é saber, em qualquer altura ou circunstância, onde estão os limites da liberdade de cada um. Em Portugal a instrução tem vindo a progredir, mas no que se refere à Educação estamos muito mal e com tendência a piorar. A violência e a anarquia, já chegaram às nossas escolas e os professores sentem-se impotentes para repor a ordem e a disciplina. Por outro lado, há jovens de famílias humildes com real vontade de aprender e estudar mas, terminada a escolaridade obrigatória, têm de ir trabalhar para ajudar no orçamento familiar.
Apesar de algumas melhorias neste sentido, agora, como antigamente, o direito à educação cabe a quem pode e não a quem merece.
Na minha opinião, não basta proclamar princípios há, também, que aplicá-los. A ganância, sede de poder e a luta de interesses económicos, são os principais motivos porque muitos dos países que assinaram a Declaração Universal, ainda não respeitem alguns desses princípios.
Ainda não há muito tempo, na guerra no Afeganistão e mais recentemente no Iraque, os media não se cansaram de mostrar ao mundo, fotos de prisioneiros em condições degradantes, sendo vítimas de humilhações, torturas e atentados contra a sua dignidade e religião. Crimes perpetrados por militares de uma das maiores potências mundiais, proclamadora da defesa dos Direitos Humanos.
Também, em alguns países da Europa como a França e Alemanha, os fortes preconceitos raciais e homofóbicos, levam a que sejam violados os direitos à diferença de etnia e opção sexual.
Os neonazistas vieram para ficar e não vislumbro forma do mundo caminhar para melhor.
A não ser que toda a Humanidade conseguisse pôr em prática a antiga “Regra de Ouro”: “Não faças aos outros aquilo que não gostarias que te fizessem a ti”.

Uma visita à Lipor 1

A Lipor é um Serviço Intermunicipalizado de gestão de resíduos do Porto e responsável pela recuperação e destino final dos resíduos sólidos urbanos produzidos pelos oito Municípios que a integram.
Ao chegar fomos recebidos, de forma muito simpática, pelo Dr. Nuno Barros que nos conduziu a um pequeno auditório e nos explicou como é processado o tratamento dos resíduos e aonde foi exibido um filme dando conta da utilidade e vantagens da separação dos mesmos.
De seguida, vestimos um colete verde fluorescente e fomos ver as instalações.
Passámos pelo centro de triagem onde são separados os resíduos que são recolhidos dos Ecopontos e passam em dois tapetes rolantes.
Das embalagens plásticas são separadas as garrafas verdes das brancas e as metálicas que não foram atraídas pelo íman, como acontece com as latas. Depois de prensadas e enfardadas são encaminhadas para as empresas de reciclagem. Estes resíduos são retirados do contentor amarelo.
Com uma tonelada de plástico reciclado pode poupar-se 130Kg de petróleo.
O mesmo acontece ao papel e ao cartão, retirados do contentor azul. A máquina de enfardar está equipada com um computador que selecciona automaticamente a pressão a exercer sobre cada tipo de resíduo. Dos vidros recolhidos do contentor verde são separadas as tampas metálicas.
Os resíduos orgânicos, ao chegar à Lipor, são depositados numa fossa com capacidade para seis dias. Esta fossa fica no interior de um edifício equipado com um sistema que evita a propagação de odores. Estes resíduos passam depois por todo um processo de tratamento e são transformados em energia eléctrica.
Os resíduos indiferenciados, recolhidos porta a porta vão para a Lipor 2 para ser incinerados e as cinzas e escórias, provenientes da incineração, são depositados no aterro sanitário. As cinzas são misturadas com cimento e ficam em forma de blocos, para evitar a propagação de matéria poluente na atmosfera.

domingo, 15 de fevereiro de 2009

Poesia Portuguesa: Eugénio de Andrade


Ao Dr. Paulo Cunha.





“Passamos pelas coisas sem as ver
Gastos, como animais envelhecidos
Se alguém chama por nós, não respondemos
Se alguém nos pede amor não estremecemos,
Como frutos de sombra sem sabor
Vamos caindo ao chão, apodrecidos”.


Frente a frente

“Nada podeis contra o amor
Contra a cor da folhagem
Contra a carícia da espuma
Contra a luz, nada podeis.

Podeis dar-nos a morte, a mais vil, isso podeis… e é tão pouco!”



A poesia de Eugénio de Andrade é um hino ao amor, à natureza e um apelo a tudo aquilo que de melhor existe na alma do ser humano. Há, também, em alguns dos seus poemas, o desencanto do amor terminado, das palavras não ditas e da indiferença que tanto faz doer.

Na primeira estrofe o autor refere a tal indiferença e alheamento com que muita gente passa pela vida, sem viver. Sem dar nem receber amor vão vivendo uma vida insípida, qual fruto criado à sombra.

Na segunda, está implícita uma certa crítica à prepotência e à tirania daqueles que pensam que tudo podem. Mas, a força do amor e da natureza ninguém consegue derrotar. Podem os “senhores” que governam as Nações e comandam as guerras, tirar vidas da forma mais cruel e degradante. Porém, o amor e a natureza há-de sempre renovar-se, enquanto o mundo for mundo.


No seu poema “As Palavras”, o excerto: “São como um cristal / as palavras / algumas um punhal / um incêndio”, significa que as palavras, por vezes, podem ferir tanto como um punhal ou ser tão devastadoras como um incêndio. As palavras podem ser usadas como pedras de arremesso e, tal como elas, depois do estrago feito não é possível recuperá-las.

Entretanto, há palavras que são como um bálsamo. Amaciam, curam, reconfortam. Outras dão-nos ânimo, alegria e coragem para seguir em frente.



“Urgência”

(Adaptação)

É urgente a Paz.
É urgente uma bandeira branca.
É urgente terminar todas as guerras
Ódio, solidão, maldade
Muitos lamentos, algumas quimeras.

É urgente redescobrir a Paz, a alegria
Multiplicar carícias sinceras.
É urgente descobrir sonhos e risos
Eternas Primaveras.

Cai o silêncio da noite
E a luz impura, até magoar.
É urgente a Paz.
É urgente
Pacificar.