segunda-feira, 22 de outubro de 2012

PARAÍSOS PERDIDOS.

                                                                            



A criança que fui chora na estrada.
Deixei-a ali quando vim ser quem sou;
Mas hoje, vendo que o que sou é nada,
Quero ir buscar quem fui onde ficou.
Ah, como hei-de encontrá-lo? Quem errou
A vinda tem a regressão errada.
Já não sei de onde vim nem onde estou.
De o não saber, minha alma está parada.
Se ao menos atingir neste lugar
Um alto monte, de onde possa enfim
O que esqueci, olhando-o, relembrar,
Na ausência, ao menos, saberei de mim,
E, ao ver-me tal qual fui ao longe, achar
Em mim, um pouco de quando era assim.
Soneto de Fernando Pessoa.
 

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sábado, 20 de outubro de 2012

"SE BEM ME LEMBRO..."




Já não Escreverei Romances
 Já não escreverei romances
Nem contos da fada e o rei.
Vão-se-me todas as chances
De grande escritor. Parei.

Mas na chispa do verso,
Com Marga a aquecer-me,
Já não serei disperso
Nem poderei perder-me.
 
Tudo nela é verbo e vida;
Xale, cílio, tosse, joelho,
Tudo respinga e acalma.
Passo, óculos, nada é velho:
 

Quase corpo, menos que alma.
Já não lavrarei novelas,
Ultrapassado de ficto:
A vida dá-me janelas
A toda a extensão do dicto.
 

Mas sem elas, mas sem elas
 (As suas mãos) fico aflito.
Vitorino Nemésio in Poemas a Marga.


Um dos meus sonhos é conhecer o arquipélago dos Açores.
Não uma ilha, mas todas...:))
Se bem me lembro, este é um velho sonho meu!
E o vosso?.... Já foi realizado?
 
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terça-feira, 16 de outubro de 2012

OS AIS DO MEU PAÍS....

                                                                        
                                                                                

Triste de quem der um ai...sem achar eco em ninguém!
 
Alguém se identifica com algum destes ais de Mário Viegas?
 
 
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domingo, 14 de outubro de 2012

FADO E CAVALOS BAIOS...


FADO DAS CALDAS


Calça justa bem esticada
Tá já manchada p'lo selim,
E plainas afiveladas.
Antigamente era assim;
Mantas de cor nas boleias (ai)
P´ras toiradas e pr'as ceias.

 


De milorde a guizalhada,
À cabeça da manada
Trote largo e para a frente,
Com os seus cavalos baios,
E as pilecas eram raios
Fidalgos iam com a gente.

E p'la ponte de Tornada
Por lá é que era o caminho
Bem conduzindo a manada
E a passo, devagarinho,
E quem mandava o campino (ai)
Era o mestre Vitorino.

De milorde a guizalhada,
À cabeça da manada
Trote largo e para a frente,
Com os seus cavalos baios,
E as pilecas eram raios
Fidalgos iam com agente.

Praça cheia, toca o hino
É dos Gamas, gado matreiro
Victor Morais, o campino,
Anadia, o cavaleiro
E que sortes tão bem mandadas
Haviam nessas toiradas.

De milorde a guizalhada,
À cabeça da manada
Trote largo e para a frente,
Com os seus cavalos baios,
E as pilecas eram raios
Fidalgos iam com a gente.

E nos tempos que não vivi
Findavam as brincadeiras
Nas barracas do Levi
Com dois tintos das Gaeiras
Entre cartazes, letreiros
Ai de toiros, cavaleiros

De milorde a guizalhada,
À cabeça da manada
Trote largo e para a frente,
Com os seus cavalos baios,
E as pilecas eram raios
Fidalgos iam com a gente.
 
 
Este post foi-me inspirado por esta «pileca»
 do blog do meu amigo LOL.

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quinta-feira, 11 de outubro de 2012

HÁ SORRISOS QUE NOS ESPERAM.

 VOAR
Passamos uma vida presos…

Qual pássaros em suas gaiolas!
Medo de amar!
Medo de olhar a vida de frente!
E naquele pequeno espaço,
Cantamos nossas dores e sonhos!


Muitas vezes se abrem
As portas de nossas gaiolas
Mas permanecemos ali
Acostumados...
Encolhidos...

Nas nossas vontades e sonhos!
Não tenhamos dúvidas!
À primeira oportunidade
Devemos alçar




O voo dos falcões!
Calmo
Confiante
Determinado
Amar sem medo!
Brincar um pouco com a vida!
Não ter medo dos rochedos!

E sobre eles
Estender nossas asas
Corajosas de falcões!
E sair em busca
De nossos sonhos!
Como o Condor...

Tentar enxergar
As pequeninas coisas à nossa volta
E saber apreciá-las!
Dando um sentido novo
À nossa vida!

Não sermos como pássaros de gaiolas,
Mas, Falcões e Condores do céu!
A cada dia existe
Uma renovação constante
E nunca um dia
Será como o outro...

Não há dores eternas!
Não há lágrimas eternas!
Não há perdas eternas!
Há sorrisos esperando-nos...
Dias de sol
O abraço dos amigos, dos filhos.
E tantos sonhos lindos!

Um amor nos espera
Para voar... voar... voar...
Porque a vida
É um recomeçar diário
De um voo!
E gaiolas
não foram feitas
Para pássaros
Tampouco para Falcões!
Frei Leonardo Boff,  teólogo, escritor e professor universitário brasileiro.
 
 
Expecting to Fly: Uma obra prima! Lembram-se?

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domingo, 7 de outubro de 2012

MÚSICA...E BEM-ESTAR.


Todos temos a nossa canção. Aquela que nos faz recordar determinado momento marcante da nossa vida, e que fica por esse motivo a pertencer-nos.

Sabemos que o ritmo mexe com todo o nosso corpo, das hormonas às emoções! Muitas vezes, basta uma melodia para nos renovar a energia e até dissipar a tristeza a que nos sentimos presos, verdade ou não?

Há várias canções ligadas às diferentes fases da minha vida, mas há uma que marcou uma época e da qual gosto muito: “Porto Sentido”.
 
O vídeo dessa canção já é bastante conhecido, pelo que hoje vos trago, uma outra faceta de Rui Veloso.
 
E qual é a vossa canção? Gostaria muito de saber.:))
 
 
                                               
 
Bem, na verdade, a faceta do Rui que eu vos queria apresentar era ele a cantar em espanhol, com  Luz Casal a canção
 " Inesperadamente".
 Infelizmente, não a encontrei disponível no YouTube. Sorry!
 
                                                   
                                                                                       
ADENDA: Na sequência do comentário de um leitor amigo, quero esclarecer que, de facto, encontrei o vídeo no Youtube. Por qualquer motivo que desconheço, não consegui carregá-lo para o blog. O que deveras lamento. Podem, se o desejarem, ouvi-lo e vê-lo seguindo este link.


http://www.youtube.com/watch?v=xPKdTlGDrnA


 
 
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sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Angústia Fria.

 
TÉDIO 
 
 

Há no firmamento

Um frio lunar.

Um vento nevoento

Vem de ver o mar.
Quase maresia
A hora interroga,
E uma angústia fria
Indistinta voga.
 
Não sei o que faça,
Não sei o que penso,


O frio não passa
E o tédio é imenso.



 

Não tenho sentido,
Alma ou intenção...
Estou no meu olvido...
Dorme, coração...

 
 
                                                  


        
"Querer não é poder. Quem pôde, quis antes de poder só depois de poder. Quem quer nunca há-de poder, porque se perde em querer."
 
Poema e citação de Fernando Pessoa
                                                             

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terça-feira, 2 de outubro de 2012

MESTRES.


Dedico este post ao Mestre L.O.L. administrador do blog
 
 
" Pedro Mestre nasceu na Aldeia da Sete, concelho de Castro Verde em 1983.
Desde cedo começou a dedicar-se á música tradicional alentejana, desenvolvendo vários projectos enquanto tocador e construtor de viola Campaniça bem como cantador.
É fundador/ensaiador de grupos corais alentejanos, integrando alguns deles, nomeadamente o "Grupo Coral Misto da Academia de Serpa", o "Grupo Coral Feminino As Atabuas de São Marcos da Atabueira", o "Grupo Coral e Etnográfico - Os Cardadores" da Sete, Grupo Coral Feminino "As Papoilas" do Corvo, integrando estes dois últimos a ACA - Associação de Cante Alentejano "Os Cardadores", a qual preside.
 
                                                     
Integra vários projectos musicais a nível nacional e internacional com destaque para: "Grupo Viola Campaniça"; "Grupo de Musica Tradicional Rastolhice"; "Grupo de Polifonias 4uatroaoSul"; "Encontro de Violas - Viola Campaniça e Viola Caipira - Pedro Mestre e Chico Lobo" e "Les Voix Du 7 Sóis" Orquestra do Festival - "Sete Sóis Sete Luas".
Desde 2006 que desenvolve o projecto "Cante nas Escolas", enquanto animador de música tradicional/cante alentejano, nas escolas do 1º ciclo do ensino básico, no concelho de Almodôvar e Serpa…."
 
 
 
 
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