sexta-feira, 14 de dezembro de 2012
terça-feira, 11 de dezembro de 2012
AMIGOS MEUS SÃO ASSIM...!
“Escolho os meus
amigos não pela pele ou outro arquétipo qualquer, mas pela pupila.
Tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante.
(...) Fico com aqueles que fazem de mim louco e santo.
Deles não quero resposta, quero o meu avesso. (...) Escolho meus amigos pela alma lavada e pela cara exposta. (...) Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem, mas lutam para que a fantasia não desapareça.
Não quero amigos adultos nem chatos.
Quero-os metade infância e outra metade velhice.
Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto: e velhos, para que nunca tenham pressa.
Tenho amigos para saber quem eu sou.
Pois quando os vejo, loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que “normalidade" é uma ilusão imbecil e estéril."
Tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante.
(...) Fico com aqueles que fazem de mim louco e santo.
Deles não quero resposta, quero o meu avesso. (...) Escolho meus amigos pela alma lavada e pela cara exposta. (...) Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem, mas lutam para que a fantasia não desapareça.
Não quero amigos adultos nem chatos.
Quero-os metade infância e outra metade velhice.
Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto: e velhos, para que nunca tenham pressa.
Tenho amigos para saber quem eu sou.
Pois quando os vejo, loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que “normalidade" é uma ilusão imbecil e estéril."
Óscar Wilde
LLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLL
OOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO
LLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLL
domingo, 9 de dezembro de 2012
ENIGMAS.
O Sorriso da Mona Lisa
Não posso desviar de ti o olhar.
Pois, por sobre o homem que te guarda,
Estás suspensa, as mãos cruzadas devagar,
E sorris, calada.
Pois, por sobre o homem que te guarda,
Estás suspensa, as mãos cruzadas devagar,
E sorris, calada.
És célebre, como a tal Torre de Pisa,
O teu sorriso passa por ironia.
Sim… porque é que ri a Mona Lisa?
Ri-se de nós, por nós, apesar de nós, contra nós –
Ou que mais o teu riso diria?
O teu sorriso passa por ironia.
Sim… porque é que ri a Mona Lisa?
Ri-se de nós, por nós, apesar de nós, contra nós –
Ou que mais o teu riso diria?
Calma nos ensinas o que tem de acontecer.
Porque o teu retrato, Lisa, claro no-lo diz:
Quem deste mundo tanto pôde ver –
Cruza as mãos, cala e sorri, como tu sorris.
Porque o teu retrato, Lisa, claro no-lo diz:
Quem deste mundo tanto pôde ver –
Cruza as mãos, cala e sorri, como tu sorris.
Poema de Kurt
Tucholsky (1890-1935)
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quinta-feira, 6 de dezembro de 2012
Cátia Vanessa...
Farta de receber ordens.
Era uma vez uma menina que estava farta de estar em casa. Farta, farta, farta que a mandassem para a escola; farta, farta, farta que se zangassem com ela para comer; farta, farta, farta que a obrigassem a vestir o que não queria e farta, farta, farta de não mandar nada em ninguém e toda a gente mandar nela!
Além disso, a menina estava amuada desde que tinha nascido, por lhe terem chamado Cátia Vanessa, quando preferia mil vezes que a tivessem baptizado como Penélope.
Um dia queixou-se à mãe:
— Mãe estou farta, farta, farta! Quero outra vida, quero mandar muito!
E a mãe desatou-se a rir (os adultos às vezes riem nas alturas mais estúpidas) e respondeu:
— Então faz-te à vida, filha: arranja casa e emprego, e depois mandas em quem quiser obedecer-te.
A Cátia Vanessa, ou Penélope como gostava de se imaginar, foi ter com o pai e repetiu-lhe a pergunta:
— Pai, pai, estou farta, farta, farta desta casa...
O pai, que estava a aparafusar uma estante, olhou para ela lá de cima, e disse-lhe:
— Ó minha amiga, põe a trouxa às costas e faz-te à vida!
Estava tudo doido naquela casa, pensou a Cátia Penélope Vanessa. E, ainda por cima, o pai e a mãe tinham aquela irritante mania de dizerem sempre a mesma coisa, mesmo quando não estavam juntos. Se fossem os pais dos seus amigos tinham-se atirado aos pés dos filhos a pedir-lhes para não se irem embora, a prometerem presentes se ficassem... Mas os pais da Cátia Vanessa, tinham dito, mais coisa menos coisa:
— Se não estás bem, muda-te!
Era demais! Agora ia mesmo fugir de casa, e depois é que os pais haviam de ver! Pegou numa mala e atirou as suas coisas mais preciosas lá para dentro: uma camisa de noite, a t-shirt com o golfinho de que mais gostava, uma bolsinha com moedas de ouro que a avó, mãe da mãe, lhe tinha dado em pequenina, e duas escovas de prata, herdadas da avó mãe do pai, que já tinha morrido. Depois, bateu a porta com o maior estrondo que pôde e começou a descer a rua, com um passo rápido. De vez em quando olhava por cima do ombro: de certeza que, com aquela barulheira, os pais tinham percebido que fugira e vinham atrás dela...
Mas, estranhamente, nada. E a Cátia Penélope Vanessa teve de virar a esquina, sabendo que nenhuma pessoa grande estava com ela... Quando se viu naquela rua onde nunca tinha estado sozinha, sentiu-se um bocadinho assustada. Assustada porque se tinha esquecido de pensar para onde ia. Não podia ir para casa de avós, nem de tios, nem de amigas, porque, se não, ligavam logo aos pais a dizer onde ela estava, e assim eles não se assustavam.
Sentou-se num degrau e pensou e pensou... Uma velhinha de lenço preto na cabeça, que ia a passar, parou para lhe falar:
— Perdeste-te, menina? — perguntou a senhora.
A Cátia deu um salto e agarrou-se com mais força à sua mala. Mas, como fora de casa era bem-educada (a maioria das pessoas são mais educadas fora de casa, vá-se lá saber porquê!), respondeu:
— Eu fugi de casa, mas não tenho para onde ir.
E a velhinha, tentando esconder o sorriso, perguntou, curiosa:
— Porque é que fugiste?
Aí a menina ficou um bocado envergonhada:
— Porque queria mandar muito! E porque estava farta de receber ordens de toda a gente... — murmurou baixinho. — E então os meus pais disseram para ir procurar alguém que obedecesse às minhas ordens, porque na casa deles, mandavam eles. É injusto!
A velhinha ficou muito séria. Pensou, pensou e depois respondeu:
— Já sei! Tenho exactamente aquilo de que precisas. Espera aqui um bocadinho que já volto.
E a menina Cátia esperou, porque também não tinha para onde ir. E, minutos depois, a velhinha voltou com um cachorrinho pequenino, de um castanho muito clarinho, orelhas compridas e um focinho com bigodes. E disse:
— É para ti. Assim não vais sentir-te tão sozinha, e podes mandar nele. Mas manda bem, porque os cães sabem muito bem o que é justo e o que não é. E se não for, é natural e bem feito que te dê uma dentada. Mas se for bem mandado, dá-te lambidelas e salta para brincar contigo.
A Cátia Penélope Vanessa ficou muito, muito contente.
Disse obrigada várias vezes e voltou a subir a rua inclinada até à porta de
casa. E agora, como é que ia voltar sem que fizessem troça dela? E se
estivessem zangados? Mas, mesmo antes de ter tido tempo de abrir a porta, a
porta abriu-se e a mãe agarrou-a ao colo, e apertou-a com muita força:
— Minha pateta, ainda bem que voltaste! Não conseguíamos viver sem ti!
E o pai desceu do escadote, atirou-a ao ar e disse:
— Não voltes a fugir, está bem?
E a Cátia mostrou-lhes o cão pequenino, e a mãe e o pai disseram que sim, que podia ficar com ele, desde que lhe desse de comer, o levasse ao veterinário e a passear à rua, o educasse a não fazer chichi dentro de casa e a não morder, e a obedecer às ordens dos donos. A Cátia olhou espantada:
— Mas isso é o que vocês fazem comigo!
Desataram todos a rir e a Cátia Penélope Vanessa decidiu que pelo menos um erro não ia repetir: não ia baptizar o cão com um nome de que ele não gostasse. Por isso perguntou-lhe como é que ele queria chamar-se. Como ele respondeu «Ão-ão», foi como «Ão-ão» que foi baptizado.
— Minha pateta, ainda bem que voltaste! Não conseguíamos viver sem ti!
E o pai desceu do escadote, atirou-a ao ar e disse:
— Não voltes a fugir, está bem?
E a Cátia mostrou-lhes o cão pequenino, e a mãe e o pai disseram que sim, que podia ficar com ele, desde que lhe desse de comer, o levasse ao veterinário e a passear à rua, o educasse a não fazer chichi dentro de casa e a não morder, e a obedecer às ordens dos donos. A Cátia olhou espantada:
— Mas isso é o que vocês fazem comigo!
Desataram todos a rir e a Cátia Penélope Vanessa decidiu que pelo menos um erro não ia repetir: não ia baptizar o cão com um nome de que ele não gostasse. Por isso perguntou-lhe como é que ele queria chamar-se. Como ele respondeu «Ão-ão», foi como «Ão-ão» que foi baptizado.
Histórias para contar em 1 minuto e ½
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CONTOS.,
Para ler em qualquer idade...
quarta-feira, 5 de dezembro de 2012
ALGURES ENTRE O RISO E O PESAR.
Tem, sim senhor! O palhaço é que já perdeu a piada.
Quero, no entanto, acrescentar alguma qualidade a este post, pelo que vos deixo algumas das belezas que existem nas verdades escondidas, sob a aparência de coisas divertidas.
Retrato
Próprio
Magro,
de olhos azuis, carão moreno,
Bem
servido de pés, meão na altura,
Triste
da facha, o mesmo de figura,
Nariz
alto no meio, e não pequeno.
Incapaz
de assistir num só terreno,
Mais
propenso ao furor do que à ternura;
Bebendo
em níveas mãos por taça escura
De
zelos infernais letal veneno:
Devoto
incensador de mil deidades
(Digo,
de moças mil) num só momento,
E
somente no altar amando os frades:
Eis
Bocage, em quem luz algum talento;
Saíram
dele mesmo estas verdades
Num
dia em que se achou mais pachorrento.
( Obviamente, Soneto de Bocage)
domingo, 2 de dezembro de 2012
SENTIR SÓ O QUE SE SENTE.
Fernando Pessoa
Gato que brincas na rua
Gato que brincas na rua
Como se fosse na cama, Invejo a sorte que é tua Porque nem sorte se chama.
Bom servo das leis fatais
Que regem pedras e gentes, Que tens instintos gerais E sentes só o que sentes.
És feliz porque és assim,
Todo o nada que és é teu. Eu vejo-me e estou sem mim, Conheço-me e não sou eu. |
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sexta-feira, 30 de novembro de 2012
Concurso de Natal 2012 - Estrelas de Presépio.
O blog "A Barbearia do Senhor Luís", desde 2006 que, por alturas da quadra natalícia, promove um Concurso de Natal . Este ano parece que o evento andou um pouco estremecido, tipo vai, não vai...
Eis senão, quando o amigo CBO no seu blog "Crónicas on the Rocks", nos dá a boa notícia, como podem constatar seguindo o link. Ora, como não consigo resistir a qualquer repto que seja lançado, em prol de tudo que sejam desafios, passatempos ou concursos, resolvi participar também neste. Este ano, será subordinado ao tema:
"Uma Estrelinha Que os Guie".
Suponho que o que se deseja, é que surja uma estrelinha que guie o burro e a vaquinha de volta ao Presépio da nossa infância. Se não for esta a ideia, peço desculpa ao patrocinador do Concurso. Tenho a certeza que o Senhor Luís se prontificará a prestar todos os esclarecimentos que lhe forem solicitados. Pela minha parte devo dizer-vos que já fiz, desfiz e refiz tantas vezes a estrela, que temendo arrepender-me e apagá-la de vez, já que fico sempre insatisfeita com quase tudo o que realizo, resolvi consumar a sua publicação e deixar à apreciação do administrador do blog onde vai decorrer o evento, se a minha estrelinha é digna de participar em tão honroso concurso.
Termino rogando a todos os meus leitores e amigos, que não deixem de visitar a distinta Barbearia do Senhor Luís e de participarem também neste interessante concurso.
Um beijinho para todos! :)
PS. Agora, a parte mais difícil: vou ter que avisar o Senhor Luís para vir aqui buscar a imagem!...
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Estrelas.
terça-feira, 27 de novembro de 2012
"LA GIRALDA" O Café onde nasceu o Tango " LA CUMPARSITA"
"O
café "La Giralda", em Montevideo, Uruguai, ocupa um lugar especial na história do Tango. Foi ali, no ano de 1917
que um jovem Gerardo Matos Rodriguez deu (anonimamente) a partitura de um tango, em 4/8, que ele havia escrito para a orquestra de Roberto Firpo.
Gerardo era então um
adolescente (17 anos), e um
estudante na faculdade de Arquitectura,
em Montevideo. Foi modéstia? Timidez? Medo do ridículo? Quem sabe até se ele queria permanecer anónimo? Firpo só sabia que o nome do jovem
compositor era Gerardo. Foi só mais tarde que a
plena identidade do autor foi
conhecida. Ele era jovem, educado e sensível. Também
foi um pouco ingénuo. Vendeu por 20 pesos de seus direitos de autor para a editora Breyer.
Depois de algum sucesso moderado a composição foi esquecida. Sete anos mais tarde, em 1924, Gerardo foi
viver em Paris e conheceu Francisco Canaro que
acabara de chegar com sua orquestra.
Foi quando ele descobriu que La Cumparsita foi um grande sucesso. Tudo de Buenos Aires estava
ouvindo, dançando, e exigindo para comprar o placar para o tango que foi aparentemente ouvido em toda parte,
em shows, gravações e transmissões.
Pouco depois, La Cumparsita chegou a Paris, onde, sob o domínio completo do rugido 20,
as pessoas dançavam, charlestons
e quando a multidão pedia um tango, eles dançavam La
Cumparsita…
De Paris, La Cumparsita espalhou-se
para os quatro cantos do mundo e,
desde então, para sempre, depois de
se tornar sinónimo de Tango."
Alguém se lembra deste Tango? Hummm...creio que muito poucos!
Agora noutra versão.
E segundo reza a história deste Tango, esta é a versão portuguesa das inúmeras letras
que foram escritas para a música:
La Cumparsita.
Vem
querida,
Vem para
mim, porque te quero,
Aumenta o
meu prazer, querida,
Pois eu te
adoro e te venero,
Eu te amo
tanto ó minha vida,
És para
mim o que desejo,
Hei de
estreitar-te, ao olhar-te,
Darte-ei
um grande beijo,
Meu amor
te quero tanto,
Com a mais
profunda das paixões,
Vamos
juntar os nossos corações,
Meu doce
encanto,
Vem pra
mim, que te desejo,
Vou
sufocar-te com um beijo,
Vem,
querida vem,
Vem aos
braços meus,
Tu és o
amor dado por Deus,
Vem amor,
que o teu calor,
Aquece
minh'alma enternecida,
Se tu és
meu desejo,
Também és
minha vida !
Vejo que
tu és tão linda,
És o amor
que não se finda,
Para
sempre hei- de querer-te,
Terei
sempre o que dizer-te,
Tudo em
ti, é tão divino,
És meu
amor, meu desatino,
Enfim, eu
sinto este prazer,
Até morrer
!...
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