terça-feira, 16 de janeiro de 2024

O BAILADOR DE FANDANGO

 

Imagem DAQUI

 

Sua canção fora a Gota,
Sua dança fora o Vira.
Chamavam-lhe “o fandangueiro”.
Mas seu nome verdadeiro
Quando bailava, bailava,
Não era nome de cravo,
Nem era nome de rosa.
- Era o de flor, misteriosa,
Que se esfolhava, esfolhava... 
 
E havia um cristal na vista
E havia um cristal no ar
Quando aquele fandanguista
Se demorava a bailar!
E havia um cristal no vento
E havia um cristal no mar.
E havia no pensamento
Uma flor por esfolhar...
Fandangueiro! Fandangueiro?...
(nem sei que nome lhe dar...)

 


 
 Tinham seus braços erguidos
Nem sei que ignotos sentidos
- leitos de Asa pelo ar...
Quando bailava, bailava,
Não era folha de cravo
Nem era folha de rosa.
Era uma flor, misteriosa
Que se esfolhava, esfolhava...

Domingos Enes Pereira
Do lugar de Montedor...
(O bailador do Fandango
Era aquele bailador!)
Vinham moças da Areosa
Para com ele bailar...
E vinham moças de Afife
Para com ele bailar.
Então as sombras dos corpos,
Como chamas traiçoeiras,
Entrelaçavam-se e a dança
Cobria o chão de fogueiras...

E as sombras formavam sebe...
O movimento as florira...
O sonho, a noite, o desejo...
Ai, belezas de mentira!
E as sombras entrelaçavam-se...
Os corpos, ninguém sabia
Se eram corpos, se eram sombras,
Se era o amor que se escondia...


 Poema de Pedro Homem de Mello 

Poeta português, de seu nome completo Pedro da Cunha Pimentel Homem de Mello, nasceu a 06 de Setembro de 1904, no Porto, e faleceu a 05 de Março de 1984. Formado em Direito pela Universidade de Coimbra, foi professor de Português e de Literatura Portuguesa no ensino técnico. É autor de uma vasta obra poética (cerca de 25 volumes de poesia),  integrando uma poesia de cunho tradicional.  Apaixonado pelo folclore português escreveu sobre isso vários ensaios e fez vários programas de Rádio e Televisão.

Foi distinguido com o Prémio Antero de Quental  e o Prémio Nacional de Poesia em 1973. A sua obra poética encontra-se compilada em Poesias Escolhidas. Como estudioso do folclore nacional, escreveu "A Poesia na Dança", "Cantares do Povo Português e Danças de Portugal".

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domingo, 14 de janeiro de 2024

POEMINHAS NAIFS #1

 

Este pucarinho de barro, com bochechas encarnadas
e faces afogueadas, é meu!



 Levava  eu  um  Jarrinho

 

Levava eu um jarrinho

Pra ir buscar vinho

E levava um tostão

Pra comprar pão;

E levava uma fita

Para ir bonita.


Correu atrás 

De mim um rapaz:

Foi o jarro pró chão,

Perdi o tostão,

Rasgou-se-me a fita...

Vejam que desdita!


Se eu não levasse um jarrinho,

Nem fosse buscar vinho,

Nem trouxesse uma fita

Para ir bonita,

Nem corresse atrás

De mim um rapaz

Para ver o que eu fazia,

Nada disto acontecia.


[Fernando Pessoa]


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sexta-feira, 12 de janeiro de 2024

SE É MONUMENTAL GOSTAR NÃO FAZ MAL...

 

Foto minha - Vila Nova de São Bento-
Baixo Alentejo

Jazz & Cante  —  porque não?
Se é tudo o que mais invejo
Enriqueço a solidão
Mato as saudades do Alentejo.

❤❤❤❤

Porque o que é belo pode ser roubado e compartilhado.
Porque não houve distorção à obra do Zeca e  ela se mantém intacta.
Porque apenas foi recriada uma versão instrumental digna de registo.
Fui ao BlogOperatório, gostei, peguei e andei...
Agora vos pergunto, queridos leitores:- Gostais disto? Eu adorei!



❤❤ ❤ ❤❤

quarta-feira, 10 de janeiro de 2024

VAMOS A VOTOS? __ DESAFIANDO O LEITOR.

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Poema: 

Estou muito arreliado
Já mandei uma carta ao Rei
Quero que se faça justiça
Quero que aplique a lei
Sinto-me muito ofendido
E com carradas de razão
Sou meigo, trabalhador
Dócil e bonacheirão
Tenho paciência sem fim
Ao homem presto serviços
E ninguém me considera.
Mas o que vem a ser isso?
Carrego cargas pesadas
Pelos caminhos além
E fui eu que transportei
O Jesus e Sua mãe
Se alguém errou… é um burro
É burro! Não acertou
Não percebeu? É um burro!
Porém, o caso mudou
"O burro é um animal
Muito, muito inteligente"
Dizia a carta do Rei
E eu fiquei todo contente!

 

Informo os mais sensíveis que no final
o burrinho come a cenoura

 

 Poema:

Quando a sua veloz motorizada
lhe demora a  pegar,
e começa a tossir e a espirrar
o João não faz mais nada,
dá-lhe um grito, um berro, um urro: 
"Arre, burro!"
E pela rua fora,
bate-lhe a toda a hora,
com o boné,
como se fosse um chicote.
Por isso a gente que o vê,
inquieta,
supõe que a motocicleta
vai a trote.
E com espanto e desdém
diz que o João não regula bem.


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E isto agora sou eu a falar com os leitores:


E aqui estou eu num sufoco
Numa aflição que só vista
Não sei que poema escolher
Para presentear o burrico. 
Se escolho um  acho que é pouco/Escolho o outro? 
Diz o burrito que não
Não sei mais o que fazer.
Preciso da vossa ajuda e da vossa opinião 
Nesta empreitada de jerico
Vinde, dai-me a vossa mão. 
O que escolherem, será com esse que eu fico!

Podem começar a votação.


Tamarindos cá do meu quintal


 Nota da administração: Para acederem aos links dos poemas basta lá clicarem. Onde? 
 Onde diz Poema, claro!

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NOTA FINAL: Por unanimidade e sem deixar margem a quaisquer dúvidas, foi eleito o Poema nº 1 com 13 Votos. Muito obrigada a todos os votantes!  🙏  😊

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segunda-feira, 8 de janeiro de 2024

CONCERTO.


Não houve melenas esvoaçantes do cabelo do Maestro enquando agitava a batuta, ao compasso mais ou menos frenético das notas musicais, como acontecia com Leonard Bernstein ou Herbert von Karajan, de boa memória.    O cabelo deste Maestro manteve-se em su sitio  como de resto se  esperava.
É que as estrelas da noite foram os três Tenores e não a celebração do Ano Novo.

Sei que a Navidad já passou. O Novo Ano também, pelo menos até que 2025 nos acene e faça deste novíssimo Ano 2024, um ano velho. Os Reis Magos já seguiram o seu caminho com destino aos respectivos reinos, mas como Natal é sempre que nós queiramos e as luzes ainda brilham em muitos olhares, eu quis trazer-vos estas três inolvidáveis vozes para que fiquem aqui para a posteridade.

Deslumbremo-nos, pois!




CONTINUAÇÃO  DE UM  FELIZ  ANO  2024.


❤ ❤ ❤ ❤ ❤ ❤ ❤

 

sábado, 6 de janeiro de 2024

HADOQUE É PEIXE E HADDOCK É O CAPITÃO....

 MAIS  SIMPLES  É IMPOSSÍVEL!



O célebre Capitão Haddock 
Já sabia antes de nós

Que este estapafúrdio A.O.
Não faria qualquer sentido.

Tendo algum significado atroz


O Egipto da Cleópatra
Que se banhava em leite de burra

Tinha uns certos achaques
Sem acção nem convecção

Porque era muito caturra.

Há coisas que fazem jus
Ao avanço da nossa Língua

Outras há que... ai, Jesus!
Com o seu pouco saber

Podiam morrer já à míngua.





A  TODOS  UM  BOM

FIM-DE-SEMANA

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quinta-feira, 4 de janeiro de 2024

O MAR QUE EMBALA SEREIAS E SOPRA BONS VENTOS.

 

Oil Paintings by Victor Nizovtsev


  Sereia do Mar

Vi uma sereia
Tão comprometida
Descobrindo o seu destino
Na imensidão do mar
Como representação
Dos seus sonhos de menina
Que divide
Com as estrelas
E a luz do luar
Nesse travesseiro
Se deixou embalar
Pelas ondas do mar
Ao longe um veleiro
Deste adormecer
A fez despertar
Implorando-lhe para
Pelo mundo inteiro
Acompanhar
A sereia assustada
Ao caminho se fez
Porque aquele veleiro
Quase a naufragar
Também partilhava
Do sonho talvez
De um amor primeiro
Que nasceu no mar...

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Vento

Queria sonhar com o vento
Numa noite de luar
Ouvir esse seu lamento
A tempo e a contratempo
P’ra me encontrar com o vento
Que vem dos lados do mar...



 Poemas da Poetisa Maria Noémia Ribeiro da Cunha

'in'  "A Densidade do Silêncio"


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segunda-feira, 1 de janeiro de 2024

E, PARA COMEÇAR BEM O ANO, NADA MELHOR DO QUE...

 UMA...


Um homem rico, mas avarento, tinha perdido dentro d'um alforge uma quantia em oiro bastante avultada. Anunciou que daria cem mil- réis de alvíssaras a quem lha trouxesse. Apresentou-se-lhe em casa um honrado camponês levando o alforge. O nosso homem contou o dinheiro, e disse:

-- Deviam ser oitocentos mil-réis, que foi a quantia que eu perdi; no alforge encontro apenas setecentos; vejo, meu amigo, que recebeste adiantados os cem mil réis de alvíssaras: estamos pagos por conseguinte.

O bom camponês que nem por sombras tocara no dinheiro, não podia nem devia contentar-se com semelhantes agradecimentos. Foram ter com o juiz, que, vendo a má fé do avarento, deu a seguinte sentença:

-- Um de vós perdeu oitocentos mil-réis; o outro encontrou um alforge apenas com setecentos: Resulta daí claramente que o dinheiro que o último encontrou não pode ser o mesmo a que o primeiro se julga com direito. Por consequência tu, meu bom homem, leva o dinheiro que encontraste, e guarda-o até que apareça o individuo que perdeu somente setecentos mil réis. E tu, o único conselho que posso dar-te, é que tenhas paciência até que apareça alguém que tenha achado os teus oitocentos mil-réis.


Guerra Junqueiro 
 [ Transcrito do livro "Contos para a Infância ]

Moral da história? Cada um que a adapte ao que melhor lhe parecer!

POR  MIM, DESEJO AO MUNDO E TODOS QUE POR AQUI PASSAM: