sábado, 16 de outubro de 2021

PROXIMIDADE DA TORMENTA

 



Nunca soube viver somente

por mim e para mim.


Enfrento agora esse dilema...

E não sei o que fazer por mim

nem comigo.



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quinta-feira, 14 de outubro de 2021

A MINHA FRUTA.

 Ontem, olhei para a minha fruteira de balcão* e pensei:

"O que irei comer de sobremesa?"

Um maracujá  de bom aspecto e ar apresentável, 

um maduro,  encorrilhado e todo enrugado, 

uma laranja de casca fina e de aspecto sumarento,

ou uma maçã gala que,

sendo das pequeninas

tem ar de ser rijinha, 

tem a pele lisa, coradinha, e,

tal como tudo o que é vermelhinho e saudável

deve ser bem docinha?

 

*...de balcão, porque tenho outra na mesa.


Vejam só o que aconteceu...



...Escolhi o maracujá com a casca mais lisa e de melhor aparência...


...cortei-o a meio e gostei do seu aspecto fresco e apetitoso.

 

Com a ajuda de uma colherzinha separei a polpa das cascas. Provei um bocadinho e achei o sabor ligeiramente ácido. Então, decidi fazer a experiência de comparar a polpa do maracujá enrugado que à partida rejeitei. 


O seu aspecto interior era semelhante ao exterior, ou seja, pouco ou nada apetecível. Repeti o procedimento anterior, retirando toda a polpa  sem a misturar com a outra....



....que, no meio desta delicada operação, fui saboreando entre uma careta e outra.  Quando meti à boca a primeira colher da polpa do segundo fruto, seco e enrugado...hummmm, que sabor, que doçura. Uma delícia!




 Lentamente, pouco a pouco, deixei-me inundar por uma sensação de tão grande prazer que, creio bem, quem estendesse do assunto diria tratar-se da tal  sensualidade atribuída à boa fruta. 

Só depois de digerir as emoções e degustar os sabores, até ao fim,  me apercebi que o meu velho tabuleiro de plástico merecia estar enfeitado com um paninho bordado. 

Moral desta história: nunca menospreze a fruta de aparência enrugada. Ela pode proporcionar-lhe a deliciosa surpresa de  prazeres nunca antes sentidos.  


😍😍😍😍😍😍😍


 


terça-feira, 12 de outubro de 2021

OS NOVOS TIRANOSSAUROS.

 


Onde estão os meus verdes?

Os meus azuis?

O arranha-céu comeu!

E ainda falam nos mastodontes, nos brontossauros,

nos tiranossauros,

Que mais sei eu...

Os verdadeiros monstros, os papões, são eles, os arranha-céus!

Daqui

Do fundo

Das suas goelas

Só vemos o céu, estreitamente, através de suas empinadas

gargantas ressecas.

Para que lhes serviu beberem tanta luz?!

Defronte

À janela onde trabalho

Há uma grande árvore...

Mas já estão gestando um monstro de permeio!

Sim, uma grande árvore...Enquanto há verde,

Pastai, pastai, os olhos meus...

Uma grande árvore muito verde...Ah,

Todos os meus olhares são de adeus

Como um último olhar de um condenado!


Poema de Circunstância - Autor: Mário Quintana.

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Eu ainda vou tendo a sorte 
de poder desfrutar dos meus verdes...

...e dos meus azuis!!!
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E convosco, como são as cores 
que observam das vossas janelas?
Espero e desejo que ainda sejam belas!
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domingo, 10 de outubro de 2021

O DEDAL.

 



Foto e dedal meus.

Rústica

Da casinha, em que vive, o reboco alvacento

Reflete o ribeirão na água clara e sonora.

Este é o ninho feliz e obscuro em que mora;

Além, o seu quintal; este, o seu aposento.


Vem do campo, a correr; e húmida do relento,

Toda ela, fresca do ar, tanto  aroma evapora

Que parece trazer consigo, lá de fora,

Na desordem da roupa e do cabelo, o vento...


E senta-se. Compõe as roupas. Olha em torno

Com seus olhos azuis onde a inocência bóia;

Nessa meia penumbra e nesse ambiente morno.


Pegando da costura à luz da clarabóia,

Põe na ponta do dedo em feitio de adorno,

O seu lindo dedal com pretensão de jóia.


Soneto de Francisca Julia César da Silva Münster ( 31 de Agosto de 1871 – São Paulo - 01 de Novembro de 1920 ) foi uma poetisa brasileira, professora primária, pianista e crítica literária 

Francisca Júlia




sábado, 9 de outubro de 2021

PARABÉNS, FILHA.

 [ À minha filha, neste seu dia de aniversário.]

O Teu Sorriso




Filha, quando em pequenina sorrias, iluminavas-me a vida

          De cores de um sublime esplendor.

A minha alegria eras tu, naquela vida sofrida 

qual ave de asa ferida.

          Eras tu o meu perfume como o de uma singela flor.


A vida não era fácil nem dourada de alegria, 

no meio de  tanta saudade,

          da minha mocidade perdida em ilusão e quimera

Mas quando  tua boquinha sorria encantava minha alma

          Em esperanças de Primavera.



Foste crescendo em sorrisos que sempre fiz por manter

          Em ti depositei o meu olhar

Fiz tudo para te ver sorrir, saudável e feliz, enquanto te via crescer.

          Sempre com o sonho de bem alto te ver voar.


Sou hoje o Sol que agoniza, e tu, o que quiseste ser

          Uma coisa me contenta, 

Escolheste o teu próprio caminho e sei que nele te elevas.


Ainda hoje, quando sorris, inundas o meu mundo de luz,

          E afastas de mim as trevas!





💙💙💙 🌺 🌺  💙💙💙 🌼🌼💙💙💙🌷 🌷💙💙💙

quarta-feira, 6 de outubro de 2021

"À Flor da Pele"

 


Comprei este livro em Outubro de 2002, como poderão ver na foto que se segue, mas não o comprei para enfeitar a estante. Li-o sofregamente como de resto fazia sempre que comprava ou me ofereciam livros. Foram tempos em que os blogues ainda não faziam parte da minha vida...absorvendo-me as ideias e o tempo. Mas, como quem corre por gosto nunca se cansa, cá vou continuando e, embora não tenha deixado a leitura de parte, leio muito menos. Em contrapartida, tenho aprendido a partilhar as coisas que me encantam e a não me envergonhar de exteriorizar os meus sentimentos, além de ir  espalhando beijos e abraços,  ah - os abraços - como diria um bloguer do meu blogobairro. 😊 Coisa antes para mim impensável, tratando-se de pessoas que nunca vi na vida,(algumasnem sequer por fotografia, imagine-se!... 



Vou dar-vos um cheirinho do enredo. Coisa pouca, mas suficiente para suscitar o interesse dos leitores que apreciem  este género literário, pleno de mistério e suspense.

*   *   *

Zoe, é uma jovem professora atraente, recém-chegada à grande cidade.  

Jennifer, é uma ex-manequim actualmente transformada em mãe e esposa modelo. 

Nadia, é uma mulher irrepreensível e livre, animadora de grupos de crianças.

Vivendo em lugares diferentes de Londres, debatendo-se com os seus problemas e acalentando sonhos próprios, estas três mulheres têm apenas uma coisa em comum: um potencial assassino que as persegue, sádica e doentiamente.

À medida que o calor do Verão se vai começando a sentir, estas mulheres começam a receber cartas revelando que estão a ser observadas, estudadas, amadas...até à morte.

Todas elas, a princípio, dirão que as cartas são ridículas, depois incomodativas, depois aterradoras e, finalmente, subjugantes...

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Perguntar-se-hão os mais curiosos, porque razão veio este livro à baila e não qualquer um outro? Simples, porque o retirei hoje da prateleira mais alta desta estante e, tenciono voltar à sua leitura. Porque razão hei-de comprar livros se tenho em casa alguns de que já não me lembro bem de todos os pormenores da história? É que dezanove anos, não são dezanove dias...

Há um outro pormenor curioso acerca do nome dos autores, que só esclareço caso haja algum leitor/a interessado e eventualmente o não saiba.


FIQUEM   BEM   E   SEJAM   FELIZES...!! 


❤ ❤ ❤



terça-feira, 5 de outubro de 2021

A SORRIR TAMBÉM SE APRENDE ....

...especialmente  se a Mestra for a sensata Mafalda.







Como a minha apetência para rimar,  versejar, tão pouco para prosear é completamente nula,  deixo-vos com as imagens e os ensinamentos da sábia menina que o cartoonista Kino, criou há mais de meio século. Para nosso proveitoso deleite, a Dona Mafalda mantém o mesmo aspecto exterior de menina, conservou intacto o seu espírito rebelde e irreverente, porém, manteve a sensatez que, contrariamente ao que se diz, nem sempre se ganha com a idade. É algo inato que a Mafaldinha soube conservar.


Como prova disso, termino deixando-vos com esta minha gracinha sem graça nenhuma.

FIQUEM BEM E FAÇAM POR SER  FELIZES!!

segunda-feira, 4 de outubro de 2021

DE ONDE VEM O FOGO E A LUZ?

 


Há uma luz, 

uma ténue luz

que não sei dizer se é do Sol

se é fogo, se é luz da Lua ou se é  chama. 

Há uma luz, 

uma ténue luz

Que quer expandir-se, alastrar-se para além 

do espaço em que vive amordaçada. 

Falando muito sem dizer nada.  

Há uma luz, 

uma ténue luz. 

Que tanto vê sem nada ver

não distinguindo já

a verdade da ficção, os factos da ilusão.

E todas as palavras insanas

todas as coisas que não sabe

e nunca irá saber.

São palavras que o vento leva

 porque são leves, sem lógica,

sem cabimento nem razão, 

palavras silenciadas

porque depois de proferidas, 

já se não podem recolher.


🍀 🍀 🍀 


Nota da administração: 

Naturalmente as palavras são da autora do blog, mas a enigmática  fotografia é da autoria de Luís Rodrigues. Um amigo nestas lides blogosféricas.