Nunca soube viver somente
por mim e para mim.
Enfrento agora esse dilema...
E não sei o que fazer por mim
nem comigo.
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Nunca soube viver somente
por mim e para mim.
Enfrento agora esse dilema...
E não sei o que fazer por mim
nem comigo.
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Ontem, olhei para a minha fruteira de balcão* e pensei:
"O que irei comer de sobremesa?"
Um maracujá de bom aspecto e ar apresentável,
um maduro, encorrilhado e todo enrugado,
uma laranja de casca fina e de aspecto sumarento,
ou uma maçã gala que,
sendo das pequeninas
tem ar de ser rijinha,
tem a pele lisa, coradinha, e,
tal como tudo o que é vermelhinho e saudável
deve ser bem docinha?
*...de balcão, porque tenho outra na mesa.
Vejam só o que aconteceu...
...Escolhi o maracujá com a casca mais lisa e de melhor aparência...
...cortei-o a meio e gostei do seu aspecto fresco e apetitoso.
Com a ajuda de uma colherzinha separei a polpa das cascas. Provei um bocadinho e achei o sabor ligeiramente ácido. Então, decidi fazer a experiência de comparar a polpa do maracujá enrugado que à partida rejeitei.
Lentamente, pouco a pouco, deixei-me inundar por uma sensação de tão grande prazer que, creio bem, quem estendesse do assunto diria tratar-se da tal sensualidade atribuída à boa fruta.
Só depois de digerir as emoções e degustar os sabores, até ao fim, me apercebi que o meu velho tabuleiro de plástico merecia estar enfeitado com um paninho bordado.
Moral desta história: nunca menospreze a fruta de aparência enrugada. Ela pode proporcionar-lhe a deliciosa surpresa de prazeres nunca antes sentidos.
😍😍😍😍😍😍😍
Onde estão os meus verdes?
Os meus azuis?
O arranha-céu comeu!
E ainda falam nos mastodontes, nos brontossauros,
nos tiranossauros,
Que mais sei eu...
Os verdadeiros monstros, os papões, são eles, os arranha-céus!
Daqui
Do fundo
Das suas goelas
Só vemos o céu, estreitamente, através de suas empinadas
gargantas ressecas.
Para que lhes serviu beberem tanta luz?!
Defronte
À janela onde trabalho
Há uma grande árvore...
Mas já estão gestando um monstro de permeio!
Sim, uma grande árvore...Enquanto há verde,
Pastai, pastai, os olhos meus...
Uma grande árvore muito verde...Ah,
Todos os meus olhares são de adeus
Como um último olhar de um condenado!
Poema de Circunstância - Autor: Mário Quintana.
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| Foto e dedal meus. |
Rústica
Da casinha, em que vive, o reboco alvacento
Reflete o ribeirão na água clara e sonora.
Este é o ninho feliz e obscuro em que mora;
Além, o seu quintal; este, o seu aposento.
Vem do campo, a correr; e húmida do relento,
Toda ela, fresca do ar, tanto aroma evapora
Que parece trazer consigo, lá de fora,
Na desordem da roupa e do cabelo, o vento...
E senta-se. Compõe as roupas. Olha em torno
Com seus olhos azuis onde a inocência bóia;
Nessa meia penumbra e nesse ambiente morno.
Pegando da costura à luz da clarabóia,
Põe na ponta do dedo em feitio de adorno,
O seu lindo dedal com pretensão de jóia.
Soneto de Francisca Julia César da Silva Münster ( 31 de Agosto de 1871 – São Paulo - 01 de Novembro de 1920 ) foi uma poetisa brasileira, professora primária, pianista e crítica literária
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| Francisca Júlia |
[ À minha filha, neste seu dia de aniversário.]
O Teu Sorriso
Filha, quando em pequenina sorrias, iluminavas-me a vida
De cores de um sublime esplendor.
A minha alegria eras tu, naquela vida sofrida
qual ave de asa ferida.
Eras tu o meu perfume como o de uma singela flor.
A vida não era fácil nem dourada de alegria,
no meio de tanta saudade,
da minha mocidade perdida em ilusão e quimera
Mas quando tua boquinha sorria encantava minha alma
Em esperanças de Primavera.
Foste crescendo em sorrisos que sempre fiz por manter
Em ti depositei o meu olhar
Fiz tudo para te ver sorrir, saudável e feliz, enquanto te via crescer.
Sempre com o sonho de bem alto te ver voar.
Sou hoje o Sol que agoniza, e tu, o que quiseste ser
Uma coisa me contenta,
Escolheste o teu próprio caminho e sei que nele te elevas.
Ainda hoje, quando sorris, inundas o meu mundo de luz,
E afastas de mim as trevas!
Comprei este livro em Outubro de 2002, como poderão ver na foto que se segue, mas não o comprei para enfeitar a estante. Li-o sofregamente como de resto fazia sempre que comprava ou me ofereciam livros. Foram tempos em que os blogues ainda não faziam parte da minha vida...absorvendo-me as ideias e o tempo. Mas, como quem corre por gosto nunca se cansa, cá vou continuando e, embora não tenha deixado a leitura de parte, leio muito menos. Em contrapartida, tenho aprendido a partilhar as coisas que me encantam e a não me envergonhar de exteriorizar os meus sentimentos, além de ir espalhando beijos e abraços, ah - os abraços - como diria um bloguer do meu blogobairro. 😊 Coisa antes para mim impensável, tratando-se de pessoas que nunca vi na vida,(algumas) nem sequer por fotografia, imagine-se!...
Vou dar-vos um cheirinho do enredo. Coisa pouca, mas suficiente para suscitar o interesse dos leitores que apreciem este género literário, pleno de mistério e suspense.
* * *
Zoe, é uma jovem professora atraente, recém-chegada à grande cidade.
Jennifer, é uma ex-manequim actualmente transformada em mãe e esposa modelo.
Nadia, é uma mulher irrepreensível e livre, animadora de grupos de crianças.
Vivendo em lugares diferentes de Londres, debatendo-se com os seus problemas e acalentando sonhos próprios, estas três mulheres têm apenas uma coisa em comum: um potencial assassino que as persegue, sádica e doentiamente.
À medida que o calor do Verão se vai começando a sentir, estas mulheres começam a receber cartas revelando que estão a ser observadas, estudadas, amadas...até à morte.
Todas elas, a princípio, dirão que as cartas são ridículas, depois incomodativas, depois aterradoras e, finalmente, subjugantes...
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Perguntar-se-hão os mais curiosos, porque razão veio este livro à baila e não qualquer um outro? Simples, porque o retirei hoje da prateleira mais alta desta estante e, tenciono voltar à sua leitura. Porque razão hei-de comprar livros se tenho em casa alguns de que já não me lembro bem de todos os pormenores da história? É que dezanove anos, não são dezanove dias...
Há um outro pormenor curioso acerca do nome dos autores, que só esclareço caso haja algum leitor/a interessado e eventualmente o não saiba.
FIQUEM BEM E SEJAM FELIZES...!!
❤ ❤ ❤
...especialmente se a Mestra for a sensata Mafalda.
Há uma luz,
uma ténue luz
que não sei dizer se é do Sol
se é fogo, se é luz da Lua ou se é chama.
Há uma luz,
uma ténue luz
Que quer expandir-se, alastrar-se para além
do espaço em que vive amordaçada.
Falando muito sem dizer nada.
Há uma luz,
uma ténue luz.
Que tanto vê sem nada ver
não distinguindo já
a verdade da ficção, os factos da ilusão.
E todas as palavras insanas
todas as coisas que não sabe
e nunca irá saber.
São palavras que o vento leva
porque são leves, sem lógica,
sem cabimento nem razão,
palavras silenciadas
porque depois de proferidas,
já se não podem recolher.
🍀 🍀 🍀
Nota da administração:
Naturalmente as palavras são da autora do blog, mas a enigmática fotografia é da autoria de Luís Rodrigues. Um amigo nestas lides blogosféricas.