terça-feira, 10 de novembro de 2020

CONFINAMENTO & DISFARCES.

 

Desenho de Maria Helena Vieira da Silva
Daqui





Confinou seu pensamento
a tudo o que lhe doía
espraiou seu olhar atento
pelo caminho que pisa
pensando ver o que queria.......

.                                     .......... e viu que já nada queria.

Nada do que vê já quer
desse olhar dentro de si.
O que esperou já não espera
só desencanto lhe via....

...ninguém é quem se esperava,
ninguém é  quem se sonhava.
E nesse sonho adormece
acorda ao raiar do dia.....

.......vendo que tudo não passa
de um pesadelo sem graça,
e que o sonho continua,
vem refugiar-se aqui, 
onde nem tudo se disfarça........

                                       ............ e viu que já nada lhe doía.





===========================================



segunda-feira, 9 de novembro de 2020

Aprenda....Se Quiser. # 1

 ............ Com método, precisão e muita criatividade...o Homem sonha, Deus quer e a obra nasce.




Se não quiser colocar em prática, siga, passo a passo,

e deixe-se deslumbrar com o resultado final.

Porque...


A Arte de saber olhar,

 vendo beleza acrescida,

  vai de quem sabe sonhar;

      em tudo o que sonha, vê vida...


Foto Minha.


----------------------------------------------------

----------------------

domingo, 8 de novembro de 2020

PAUSA...Para So(r)rir...

 ...Porque rir..... é de graça!!   


                                                        



                                                 😊  😇  😀


QUEM PODERÁ SABER...?

 

Fonte da Imagem.


"C o n t i g o"


¿Mi tierra?

Mi tierra eres tú.


¿Mi gente?

Mi gente eres tú.


El destierro y la muerte

para mi están adonde

no estés tú.


¿Y mi vida?

Dime, mi vida,

¿qué es, si no eres tú?


 [ Luis Cernuda ]



Breve nota informativa acerca do Poeta:

Luis Cernuda foi um dos poetas fundamentais da Geração dos 27, nascido em Sevilha em Setembro de 1902. A obra de Gustavo Adolfo Bécquer despertou o seu interesse pela poesia desde muito jovem; começou a escrever incentivado por um professor, que por sua vez fornecia conhecimentos técnicos.  Sempre muito influenciado pela literatura francesa, chegou a traduzir parte da obra do surrealista Paul Éluard. O Poeta nunca escondeu a sua homossexualidade, isso acarretou-lhe rótulos depreciativos e o desprezo esperado na sua própria terra, com a qual ele parecia não se sentir muito identificado. Durante a Guerra Civil, iniciou o seu exílio nos Estados Unidos, onde trabalhou como professor. Mais tarde, mudou-se para o México, onde faleceu em Novembro de 1963.


*********************************************

---------------------------

sexta-feira, 6 de novembro de 2020

ARREPENDO-ME....

 ........por me ter adentrado nos recantos mais recônditos do sótão, em demanda das "Vinhas...da Ira"

Ao abrir caixas e caixotes de velhos livros cheios de ácaros, encontrei vários dos meus autores preferidos.

GGM, Jorge Amado, Pearl Buck, Erico Veríssimo,  Hemingway, Eça de Queiroz, Camilo... dois livros de António Damásio.

 De Steinbeck, só encontrei A Leste do Paraíso. 

Arrependo-me...

.... porque fui remexer em lembranças que me surgiam na forma de pequenas notas por mim manuscritas, pensamentos e mágoas, que me apeteceu destruir, mas voltei a guardar para serem encontradas, um dia, por alguém que não eu, ou então, destruidas sem que sejam lidas.

Arrependo-me....

.... porque encontrei um par de pequenas botas de criança e umas sandalinhas minúsculas, uma gaiola para grilos, um pianinho, bonecas, livros infantis, carrinhos em miniatura e...a colecção de latas de bebidas de tudo quanto havia, até de Israel, onde a avó foi em passeio, e se lembrou da colecção que o neto fazia...

Cada um seguiu o seu caminho, e ninguém se quis desfazer das lembranças... 

Deitei tudo para uma das buracas laterais e desci as escadas com a Françoise Sagan,  à Trela...



                                                    Este, pelo aspecto, sem ácaros.

                                               Irei ler e depois conto-vos como foi....


                                                       

                                                     ==================


quarta-feira, 4 de novembro de 2020

Poeminha Naif.

                                                  =====================

Tela de Dima Dmitriev.

 

Sempre que a vida te sorrir

e mesmo quando o não faça

não chores, não fiques triste

a vida é folha que voa. 

A vida é 

vento que passa.


Tecendo os ciclos da vida

veloz a aragem perpassa

em todo o ardor das paixões

quais romãs rubras e doces.

A vida é

vento que passa.


Cai a folha, douram teus olhos de mel. 

Tudo teu coração ultrapassa

correm devagar os dias,

teu olhar fica mais terno

A vida é

vento que passa.


Embranquecem teus cabelos

recusas falar de desgraça

mas teu lento coração

não acompanha teu querer....

...E a vida é

vento que ( já não) passa...



===========================


terça-feira, 3 de novembro de 2020

Um Soneto Por Semana. # 6

 ****************************************




O Mais Famoso Soneto da Literatura Universal:


O SONETO DE ARVERS


"Félix Arvers teve a glória de produzir o mais famoso soneto surgido na literatura universal. Soneto algum jamais foi tão traduzido e imitado.

Um poeta de 24 anos escreveu-o no álbum maravilhoso de uma jovem de 19 anos, comprometida e recatada, sem grande beleza, mas dotada de muita inteligência, graça e simplicidade.

Poetisa de alma iluminada. Autora e intérprete de melodias colocadas em poemas de Victor Hugo, Alfred de Musset e Sainte-Beuve.


A afeição do poeta era imensa. E tão discreta que, pelo menos, aparentemente, passou despercebida à moça dos seus sonhos.

Ao mesmo tempo feliz e desventuroso, subiu, como uma estrela divina, ao céu azul da imortalidade, o amor sem esperança de um cantor pela sua Musa."

* * * 

Apresentado o Poeta e a paixão que o levou a escrever tão belo Soneto, cabe-me acrescentar que, das muitas traduções e adaptações feitas em torno do poema, - como podem confirmar aqui -  escolhi a adaptação do  poeta baiano José Augusto de Carvalho (1890), por ser a que mais gostei.


*   *  *


Um segredo cruel tenho n'alma escondido:

imenso, eterno amor num instante criado.

Sem remédio ao meu mal, padeço resignado,

pois quem me faz sofrer não sabe se hei sofrido.


Por ela eu passarei talvez despercebido;

mesmo que junto esteja, eu me sinto isolado,

e toda minha vida assim terei findado,

sem nada ousar pedir, nem tendo recebido.


Embora Deus lhe desse uma alma carinhosa,

ela irá seu caminho, alheia, descuidosa

desta queixa de amor, que sempre a seguirá!


E lendo este soneto, assim tão cheio dela,

dirá pelo dever que compaixão revela:

—"Que mulher será essa?" — E nada entenderá.


=========================



Espero que vos agrade, tanto, quanto me agradou!












domingo, 1 de novembro de 2020

DEVAGARINHO...

 ========================================


Fotografia e palavras minhas.


Sei que um dia partirei,

Não tenho pressa em chegar

A esse lugar onde sei,

Que os meus irei encontrar.


Que missão me destinaste?

Qual foi a Tua intenção?

Não foi para o mundo salvar

Não, não me deste essa missão.


Devagar... sim, devagar

Ainda não terminei

Minha missão por aqui.


Deixa que  a possa entender

Depois poderei partir

Devagar... unir-me a ti.



--------------------------------------------------------------