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Muitas Razões
A sós, nos grãos da terra, digo sim à luz aberta dos seus poros
e, ao tumulto da ebulição, digo não. E digo sim ao futuro
com medo de quando ele chegar não me encontre.
E digo sim à pulsação serena da escrita,
pão nosso de cada dia,
águas que não se cansam de brotar de fonte escondida.
E digo sim ao perfume da memória,
e digo sim ao bulício do devaneio,
e digo sim à chama do ócio.
E desleio qualquer outro sopro a não ser o da vida
porque tenho de vivê-la atento a qualquer gesto distraído
que possa desviar-me do caminho.
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Texto poético de José Carlos Sant Anna [Clique ]
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