quinta-feira, 10 de dezembro de 2020

NEM TUDO SÃO ROSAS....MAS TODAS AS FLORES SÃO BELAS.

 





"Entre as prendas com que a natureza 
Alegrou este mundo onde há tanta tristeza 
A beleza das flores realça em primeiro lugar .
(...)
Que uma rosa não é só uma flor 
Uma rosa é uma rosa é uma rosa 
É a mulher rescendendo de amor"

* * * 


Não desmerecendo o que pensou Vinícius
ainda mais eu diria: _
_ as flores serão, todas elas, 
as coisas mais belas, 
vindas em oferendas
de sã Amizade, de luz e de cor!

Não será também a Amizade uma forma de Amor?!

Bem-Hajas, Zé.










Ao fim de tantos anos a receber o teu carinho, envolvido em sardinheiras, cravos, antúrios e begónias, já estava mais do que na hora de lhes dar o devido destaque neste meu/nosso Cantinho de Amigos
Os Ciclamens foram os últimos. Juntamente com as flores que figuram no cabeçalho do blogue.

Que importa dizer quem és?
Eu sei e tu sabes, Zé.
És um bom Amigo
que me oferece flores
de sã Amizade.


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quarta-feira, 9 de dezembro de 2020

FADISTICES.

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Atrás da Porta.


Quando, sem me olhar nos olhos

 disseste  não querer ficar

saíste, bateste com a porta _

                                       _ jurando não mais voltar.


Eu soube que era mentira, 

soube sem que mo dissesses,

tu voltas sempre mais tarde

e eu sempre fico esperando,

aqui, no mesmo lugar.


Mas um dia vai chegar _ 

                                _ tal e qual como no Fado.


A porta estará fechada, 

a fechadura mudada,

e eu estarei aqui feliz _ 

                                _ com outro amor a meu lado.


Fotos Minhas e as Palavras....também.
     😊   😘    



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terça-feira, 8 de dezembro de 2020

Amargos Desejos.

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Pão Nosso de Cada Dia.


Viviam juntas mãe e filha. Uma encantava pela modéstia; outra irritava pela toleima – apesar de ser bonita. Certa noite, a mãe, não podendo adormecer, preocupada a pensar no destino de sua filha, ajoelhou-se e pediu a Deus que modificasse o feitio de Sília, fazendo-a bondosa e discreta.

Na manhã seguinte, perguntou-lhe:

— Que sonho era aquele, filha, quando esta noite cantavas?

— Ai, sonhava, minha mãe, que um senhor descia de uma carruagem de cobre e me oferecia um anel com uma jóia tão preciosa e brilhante que não haverá no céu estrela de maior brilho.

— Foi um sonho de vaidade! — responde a mãe.

E nisto batem à porta. Sília corre e vai abrir: entra um rico lavrador. Oferece-lhe terras de lavoura, montados, hortas, pomares, uma infinita riqueza!

— Mesmo que viesses em carro de cobre e me desses uma jóia mais fulgurante e mais bela do que uma estrela do céu, não casaria contigo.

O lavrador, desiludido, foi-se embora, e, nessa noite, Sília voltou a sonhar.

— Com quem estás tu a sonhar? — perguntou a mãe, acordando-a.

— Ai, sonhava, minha mãe, que um senhor descia de uma carruagem de prata e punha nos meus cabelos valiosíssimo diadema de oiro!

— Que pecado, minha filha! Vai rezar para abrandar esse teu grande egoísmo!

Na tarde do dia seguinte, um moço esbelto, sadio, apareceu a oferecer-lhe a sua vida, a sua fortuna, o seu amor.

— Nem que viesses em carro de prata e pusesses nos meus cabelos formosíssimo diadema de oiro eu casaria contigo!

E o moço partiu tristemente.

— O teu orgulho há-de perder-te! — dizia a mãe para a filha.

Outra noite, Sília voltou aos seus sonhos de perdição e, ao ser interrogada pela mãe, contentíssima, exclamou:

— Ai, sonhava que um fidalgo descia de um carro de oiro e, pedindo-me em casamento, oferecia-me um vestido de rubis e diamantes.

— Não te emendas, minha filha, mas hás-de pagar bem caro essa fome de grandezas.

Momentos depois, três carros paravam à porta onde residiam ambas. Um de bronze, outro de platina e outro de cristal. O primeiro puxado a doze cavalos; o segundo, a vinte cavalos; e o terceiro, a quarenta! Dos carros de bronze e platina desceram pajens vestidos de seda verde e azul. Do carro de cristal saiu um lindo rapaz coberto de pedraria. Entrou em casa de Sília e, de joelhos e humilde, beijou-lhe as mãos num sorriso.

— Finalmente, sou feliz! O meu sonho transformou-se na mais bela realidade.

E, orgulhosa, foi vestir o vestido de noivado. Partiram para a Igreja. Os cavalos galopavam num frémito de alegria.

— Vou dar a minha mulher os meus presentes! — dizia ele ao regressar, e entrando na sala suave do seu palácio de turquesa:

— Tudo isto é para ti.

Sília sorriu e a sorrir foi-lhe dizendo:

— Sabes que já tenho fome?

— Ponham a mesa e sirvam-nos o banquete! — gritou ele aos seus vassalos.

Saladas de topázio, assados de ametistas e doce de pérolas; todos comiam e repetiam. Só ela não podia comer. A medo pediu um bocadinho de pão.

— É a única coisa que não te posso dar! — respondeu ele.

E desatou às gargalhadas, gargalhadas metálicas, cantantes, porque o seu coração também era de metal.

Ela chorou!

— Chorar para quê? Não desejavas tudo isto? Não tens agora o que sempre ambicionaste?

Rodeada de riquezas, saía do palácio, à noite, e andava de porta em porta disfarçada e muito triste, a pedir cheia de fome um bocadinho de pão.

 

D'Os Contos de António Botto


No café Martinho da Arcada:
Um desconhecido, Raul Leal (de barba),
António Botto (ao lado), Augusto Ferreira Gomes (de pé) e Fernando Pessoa.
Daqui


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Este conto, em que o seu autor talvez se tenha inspirado na Lenda do Rei Midas, terá, como todos os contos, um propósito moralizante. Cada leitor fará a sua leitura e, concluirá, de acordo com a moral que mais lhe disser ou aprouver.  




segunda-feira, 7 de dezembro de 2020

Já Fui Feliz Aqui. # LXI

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Günzburg - Alemanha


Vem e toma-me de assalto,

A saudade, essa invasora.

Não espera dia nem hora

Não quer saber do que sinto

Surge-me assim  de rompante

e sem pressa, se demora...


Baixa de Munique


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sábado, 5 de dezembro de 2020

Um Soneto Por Semana. # 8

 




Querer-te mal, porquê? – Foste quem eras:
Um corpo gentilíssimo, perfeito,
Que se moldava ao meu e a qualquer jeito
No pântano de todas as quimeras!

Que culpa tinhas tu se ainda esperas
O lugar prometido aqui no peito
E sais da minha vida e do meu leito
Com a simplicidade que trouxeras?

A culpa tenho-a eu que fui um triste
A desejar no alto do meu sonho
Beijar a perfeição que não existe.

Fui esta coisa inútil, complicada
- Não me encontrando aonde me suponho
E encontrando-me aonde não há nada.



Soneto de António Botto
 17 de Agosto de 1897 - 16 de Março de 1959

Tela - [sobejamente conhecida ]
de Renée Magritte
Pintor surrealista francês (1898-1967)

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Nota de rodapé: Dada a condição, orientação, opção - escolham o que melhor se enquadrar nas vossas crenças/opiniões - da sexualidade do autor do Soneto, e em virtude ainda, dos tempos que atravessamos, achei por bem a escolha desta tela, já que nada neste postal é de minha autoria...a não ser o pensamento!    😚


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sexta-feira, 4 de dezembro de 2020

A Arte Do Olhar. # 10

 Para dar continuidade a esta rubrica sobre Fotografia e Fotógrafos, que interrompi sem nem saber bem o porquê já que não foram valores mais altos que se a)levantaram, trago hoje este português que já arrecadou numerosos prémios e merece bem ser aqui falado e divulgada parte da sua obra. 




O português Edgar Martins, em  2018, foi reconhecido pela Organização Mundial de Fotografia, como o melhor fotógrafo de natureza morta do mundo e um dos dez melhores do planeta. 

Natural de Évora mas residente no Reino Unido, o artista ganhou o primeiro lugar com uma série de fotografias que batizou de “Silóquios e Solilóquios na Morte, Vida e Outros Interlúdios”. Mas Edgar Martins foi mais longe: fez a dobradinha e ainda conquistou o segundo lugar com outra série de fotografias. É o único fotógrafo a arrecadar dois prémios Sony nesta edição.





Actualmente, e num ano atípico para a maioria das pessoas, 2020 acabou por se revelar frutífero para o fotógrafo Edgar Martins.  O fotógrafo, acaba de integrar o grupo de dez vencedores do festival Hangar Art Center European Photography Call, de Bruxelas, com um projecto fotográfico sobre o impacto desta e de outras pandemias.





É também finalista de outros concursos internacionais, como o Photo España Best Photobook of the year, o Paris Photo & Aperture Foundation Book Awards, onde foi distinguido na categoria de melhor livro de fotografia, e no Meitar Award for Excellence in Photography, de Israel. 



Entretanto, e enquanto não são tornados públicos os resultados finais, ficam estes (poucos) trabalhos do português, já anteriormente premiado.

Na sua página no FaceBook, que poderão ver AQUI, encontrarão mais informação e demais trabalhos publicados pelo autor.


Espero e desejo, ter regressado em Grande Estilo e em boa hora!

Obrigada a TODOS!


:)


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quarta-feira, 2 de dezembro de 2020

PRIVAÇÃO.

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Edvard Munch - "Autorretrato Com Uma Garrafa de Vinho."
Fonte da imagem.



Numa garrafa de vinho, 

foste afogando,

 aos poucos, 

a saudade de mim, 

dos nossos beijos e afagos.

Nunca me disseste se o conseguiste...

Eu parti, 

saudosa do que para trás deixei,

de ti, 

dos nossos risos

e dos desejos 

saciados entre carícias 

e o suor

dos nossos corpos

 entrelaçados  num só desejo.


Foram tantos os anos de anseio e desespero,

de dor feita de mil desejos sufocados...

Levo comigo a saudade daquilo

 que em sonho me  ofereceste...


                              ....Repasto em que a fome de nós foi o único tempero.



ADENDA a 03-12-2020.

Como que movidos por artes mágicas, os vídeos - 1º e último - da publicação anterior, decidaram abrir. ( pelo menos, para mim) Quem não viu e desejar ver, já o poderá fazer.

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terça-feira, 1 de dezembro de 2020

JUNTOS, NUM SÓ QUERER...

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É neste Dia 1º de Dezembro,  que se celebra a Restauração da Independência de Portugal, determinando o fim dos sessenta anos sob o jugo castelhano.

Ora, EU/NÓS, queremos e aceitamos de bom grado tudo fazer para nos libertarmos deste jugo viral e virento que nos subjuga há já tempo demais.

Para tal, a conjugação de esforços é primordial.

Paradoxalmente, é na Língua castellana, e vinda da parte de nuestros hermanos, que me chegou este exemplo de como os mais fracos sempre poderão vencer os mais fortes. 

Basta que todos nos unamos, num só querer.

É com enorme prazer que convosco partilho este vídeo delicioso.

Ora apreciem lá.






Enquanto os vídeos da união coesa defensiva e a Milonga não se decidem abrir, 
podem ir vendo e apreciando estes....











Entonces, amigos míos, quedémonos pués en nuestras casas  para derrotar juntos
 a este enemigo común.

E, nesta luta, travada entre portas, o melhor é ir cantando à janela e dançando a  Milonga na nossa sala...
Ainda que uns mais do que outros, Mayores, já o seremos todos, ou não?  😏

                                         

           
 


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