quinta-feira, 26 de agosto de 2021

Amor Sem Esperança.

 



Amor sem fruto, amor sem esperança
É mais nobre, mais puro,
Que o que, domando a ríspida esquivança,
Jaz dos agrados nas prisões seguro.

 

Meu leal coração, constante e forte,
Vendo a teu lado acesos,
Flérida ingrata, os ódios, os desprezos,
O rigor, a tristeza, a raiva, a morte.

Forjando contra mim, por ordem tua
Mil setas venenosas,
Em prémio destas lágrimas saudosas,
Inda assim continua
A abrasar-se em teus olhos... Vis amantes,
Corações inconstantes,
De sórdidas paixões envenenados,
Vós, a cujos ardores,
A cujos desbocados
Infames apetites
A Virtude, a Razão não põe limites,
Suspirai por ilícitos favores,
Cevai-vos em torpíssimos desejos.


Tratai, tratai de louco um amor casto,
Que eu nos grilhões que arrasto;
Tão limpos como o Sol, darei mil beijos.
Peçonhenta aliança,
Vergonhoso prazer, de vós não curo
De ti, sim, porque és puro,
Amor sem fruto, amor sem esperança.


 Manuel Maria Barbosa du Bocage, in "Excerto de Flérida - Idílio Pastoral"


Fotos minhas.



quarta-feira, 25 de agosto de 2021

PARA SORRIR...Ou Talvez Não!... 😉

 Homens versus Mulheres.

😏



assim👍 ou assim👎


Esta é própria dos homens sádicos
👎


Já esta, por ser a última, é para o pessoal mais perspicaz.

Sorrir faz bem à saúde...Sorriam!!

😇  😈  😇  😈


terça-feira, 24 de agosto de 2021

LUGAR VAZIO.

 



Quem se lembra da última vez que se apaixonou

que sentiu o coração estalar

 de emoção e alegria?


Eu já esqueci a doce sensação de viver nas nuvens.

Hoje, tudo são recordações,

 e minha alma é uma casa vazia.


 




 



 

domingo, 22 de agosto de 2021

MÚSICA A QUATRO MÃOS....

...ao piano já nós vimos e mais do que uma vez... 

                                                                             


                 

...mas e à guitarra?   Quem antes deles já o fez?...  



Desfrutem. 

Tanto mais que a jovem tem um sorriso lindo... 

😘   


F E LI Z   D O M I N G O!  


 
  

sábado, 21 de agosto de 2021

ANÉMONAS NA CIDADE.

 




Pareciam cair do céu como se fossem aves voando.
Coloridas, leves e soltas em ânsia da liberdade sonhada.
Quase pousavam na cabeça dos transeuntes.
- "Olhem-nos, trouxemos o mar até vós" - pareciam dizer.
Quem as olha, quem as vê balouçando suaves e belas?
Ninguém! 
Só eu me extasio, qual criança que vai à cidade grande 
e se deixa maravilhar pela  curiosa novidade

Como se fossem anémonas flutuando ao sabor 
das águas azuis do mar 
deixam-se envolver pelo meu olhar
 onde cintila uma luz muito especial
Quase vos posso jurar que me sorriram, 
agradecidas pelo deslumbramento de uma criança deste tamanho...

...havia tanto tempo que tentavam despertar
 o interesse das crianças pequenas...



 

👼   👩  👦 
👵


quinta-feira, 19 de agosto de 2021

Ah...A Poesia...

 Ah, Um Soneto...

Meu coração é um almirante louco
que abandonou a profissão do mar
e que a vai relembrando pouco a pouco
em casa a passear, a passear ...

No movimento (eu mesmo me desloco
nesta cadeira, só de o imaginar)
o mar abandonado fica em foco
nos músculos cansados de parar.

Há saudades nas pernas e nos braços.
Há saudades no cérebro por fora.
Há grandes raivas feitas de cansaços.

Mas — esta é boa! — era do coração
que eu falava... e onde diabo estou eu agora
com almirante em vez de sensação? ...

Álvaro de Campos
(Heterónimo de Fernando Pessoa)

☆  ☆  ☆

Foto Janita


Já eu - Janita - falo de prisões e de evasões,
sejam plantas, gentes, 
corações
não existem amarras  
nem paixões
que possam prender quem tem
 a Liberdade como sua única forma de viver.

Assim és, assim sou, assim seremos até morrer!

   ☆   ☆  ☆  ☆   

terça-feira, 17 de agosto de 2021

UM BOTÃO MILAGROSO.

  


 

Quisera ter um botão
de múltiplas funcionalidades
que desligasse com um toque
os meus sentires magoados.

 

Quisera com muito afinco
ter um outro para a tristeza
e mais outro e outro mais 
que parecendo ser iguais
terminavam desigualdades.

 

Fosse este botão milagroso, 
mandasse eu
nas  emoções,
eliminava doenças tudo 
seriam benquerenças.

 

Daria eu vida eterna 
às mais desvairadas Paixões.




 

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domingo, 15 de agosto de 2021

A COMOÇÃO DO CORONEL... COITADINHO!!

 "O Sonho" de Pablo Picasso

Eu que me comovo

Por tudo e por nada

Deixei-te parada

Na berma da estrada

Usei o teu corpo

Paguei o teu preço

Esqueci o teu nome

Limpei-me com o lenço

Olhei-te a cintura

De pé no alcatrão

Levantei-te as saias

Deitei-te no banco

Num bosque de faias

De mala na mão

Nem sequer falaste

Nem sequer beijaste

Nem sequer gemeste,

Mordeste, abraçaste

Quinhentos escudos

Foi o que disseste

Tinhas quinze anos

Dezasseis, dezassete

Cheiravas a mato

A sopa dos pobres

A infância sem quarto

A suor, a chiclete

Saíste do carro

Alisando a blusa

Espiei da janela

Rosto de aguarela

Coxa em semifusa

Soltei o travão

Voltei para casa

De chaves na mão

Sobrancelha em asa

Disse: fiz serão

Ao filho e à mulher.

Repeti a fruta

Acabei a ceia

Larguei o talher

Estendi-me na cama

De ouvido à escuta

E perna cruzada

Que de olhos em chama

Só tinha na ideia

Teu corpo parado

Na berma da estrada...

....Eu que me comovo

Por tudo e por nada.

Poema de António Lobo Antunes 




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