sexta-feira, 8 de março de 2024

MULHER.

 Para todas nós, mulheres, escreveu isto,
Ary dos Santos!
Uma irmã que não conheci.


A mulher não é só casa

mulher-loiça, mulher-cama
Ela é também mulher-asa,
mulher-força, mulher-chama

  E é preciso dizer
dessa antiga condição
a mulher soube trazer
a cabeça e o coração

 Trouxe a fábrica ao seu lar
e ordenado à cozinha
e impôs a trabalhar
a razão que sempre tinha

  Trabalho não só de parto
mas também de construção
para um filho crescer farto
para um filho crescer são

  A posse vai-se acabar
no tempo da liberdade
o que importa é saber estar
juntos em pé de igualdade

  Desde que as coisas se tornem
naquilo que a gente quer
é igual dizer meu homem
ou dizer minha mulher.



👩👩

👸👸 💁💁

quarta-feira, 6 de março de 2024

MEIA VOLTA, VOLTA E MEIA, LÁ VOLTO EU ÀS PIEGUICES DO CESÁRIO...

 

FLORES VELHAS

Fui ontem visitar o jardinzinho agreste,
Aonde tanta vez a lua nos beijou,
E em tudo vi sorrir o amor que tu me deste,
Soberba como um sol, serena como um voo.

Em tudo cintilava o límpido poema
Com ósculos rimado às luzes dos planetas:
A abelha inda zumbia em torno da alfazema;
E ondulava o matiz das leves borboletas.



Em tudo eu pude ver ainda a tua imagem,
A imagem que inspirava os castos madrigais;
E as vibrações, o rio, os astros, a paisagem,
Traziam-me à memória idílios imortais.

E nosso bom romance escrito num desterro,
Com beijos sem ruído em noites sem luar,
Fizeram-mo reler, mais tristes que um enterro,
Os goivos, a baunilha e as rosas-de-toucar.



Mas tu agora nunca, ah! Nunca mais te sentas
Nos bancos de tijolo em musgo atapetados,
E eu não te beijarei, às horas sonolentas,
Os dedos de marfim, polidos e delgados...

Eu, por não ter sabido amar os movimentos
Da estrofe mais ideal das harmonias mudas,
Eu sinto as decepções e os grandes desalentos
E tenho um riso meu como o sorrir de Judas.

(...)

Mas quero só fugir das coisas e dos seres,
Só quero abandonar a vida triste e má
Na véspera do dia em que também morreres,
Morreres de pesar, por eu não viver já!

E não virás, chorosa, aos rústicos tapetes,
Com lágrimas regar as plantações ruins;
E esperarão por ti, naqueles alegretes,
As dálias a chorar nos braços dos jasmins!

Cesário Verde 
_______________

Gostaria de colocar as dálias a chorar
nos braços, não dos jasmins que os não tenho, 
mas nos braços da hortelã, e nem sequer consigo colocar as duas imagens a par. 
Alguém faz o favor de me explicar como devo fazer?
Agradecida.


Em tempos fiz isso, mas creio Mr. Google me trocou as voltas.

🧐  😥  🥺  

terça-feira, 5 de março de 2024

TERÇAS-FEIRAS MUSICAIS.

 


Patxi Andion 
"Manuela"

Letra:

Una historia más de guerra
Que se cuenta en las montañas,
Que se pierde allá en el tiempo,
Ay Manuela, ay Manuela!
Pero vive en mi recuerdo
Ay Manuela!

Venía de Cataluña
Y era hija de peones.
El coraje y la pasión
Ay Manuela, ay Manuela!
Quemaban su corazón
Ay Manuela.

De todas partes venían
Y su nombre ya sabían.
Ayudó a muchos hombres
Ay Manuela, ay Manuela!
Que aún recuerdan ese nombre.
Ay Manuela.

Una noche en las montañas,
Dicen que tras su cabaña
Desapareció una estrella.
Ay Manuela, ay Manuela!
Nunca más se supo de ella.
Ay Manuela. 


Sólo queda en mi memoria
Una canción y una historia:
Es la canción de Manuela,
Ay Manuela! Ay Manuela!
Una historia más de guerra
Ay Manuela.

***

Mais uma rubrica musical vai iniciar-se neste Cantinho. Espero que as minhas escolhas sejam do agrado geral. :)
 
Grata pela vossa companhia!




sábado, 2 de março de 2024

REEDIÇÃO E DESCOBERTA DO MISTÉRIO...DA JOVEM DESCONHECIDA! - COM DUPLA ADENDA -

 👙   👒 👗 

Entretanto, desvendado!


Sem nada mais a acrescentar nem a desvendar, é chegada a hora de colocar tudo em pratos limpos, como eu gosto.
Uma vez mais, o Prémio da persistência e dedicação, vai para a Rosa dos Ventos, logo seguida da Teresa Hoffbauer. 

Todos os demais comentadores e participantes, ficarão com o Prémio da Boa Vontade à Causa Enigmática e Desafiante. Penso estar a ser justa, uma vez que a maioria só a certou numa pergunta e outros nem isso. 

Fotografar fotografias, sem muita qualidade e antigas, nunca permitiria deixar bem nítidas as fisionomias. Mais a mais de quem nunca vimos mais gordos, pelo que posso considerar que o êxito deste Desafio foi amplamente conseguido.

Este foi um dia memorável de um belo passeio à praia da Nazaré! 
A menina Janita, como bem adivinhou a maioria, é efectivamente a jovem de saia rosa-claro e blusa escura,
 - acho que era azul escuro -
Aqui, no centro, entre a Luísa e a Aurora.

Os fatos de banho da época parecem-se com os vestidos que as jovens usam hoje na rua! 
😛

As duas Natércias, iam ambas de corsários. 😊
Os óculos escuros pertenciam a mim e a elas, à vez...
mas, iria jurar que a sua legítima dona é a Natércia desta foto, junto da rapaziada pois não cabia no barco!
😇😇


O meu sincero agradecimento a Todos os Participantes. 
***
ADENDA: 
EM VIRTUDE DE REPARO, ASSAZ JUSTO, DECIDI NÃO DEIXAR PARA AMANHÃ O QUE PODERIA FAZER AGORA, ASSIM:
Acertaram na pergunta mais importante:

Anónimo
28 fevereiro, 2024 16:08
A Janita é a moça de saia branca e blusa escura, mais á direita da foto...
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Manu
28 fevereiro, 2024 16:49
A minha visão não anda famosa, mas vou arriscar. Será a jovem do lado direito de saia branca e blusa escura?
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500 (José)
 28 fevereiro, 2024 17:25
Voto na da direita...
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Rogério V. Pereira 
28 fevereiro, 2024 18:22
Estás a tramar a nossa vida
A foto está muito tremida
Mas a tua imagem é... é...
A que está ao pé do José
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redonda (Gábi)
28 fevereiro, 2024 23:12

Ainda não vi comentários e este será um desafio em que podemos dizer logo que pensamos sem ser logo directamente, certo?
Espero que sim, porque antes de ler comentários, quero apostar naquela que está mais à direita!

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Pedro Coimbra
29 fevereiro, 2024 02:26
A jovem de saias do lado direito da foto.
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Sandra Martins.
A jovem Janita será (desta vez estou a seguir o palpite, que contrariei da primeira vez) a menina de saia e blusa preta.
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Participaram sem acertos:

Catarina / António / Maria João Brito de Sousa / Fatyly / Joaquim Rosário / Tintinaine / Toninho .

A Gábi, tanto falou, falou... que acertou!!   😁  🌼
( tirem-me deste post, please!)



_________ATÉ BREVE__________

quarta-feira, 28 de fevereiro de 2024

DESAFIO _ MARINHEIRA DE ÁGUA DOCE .


⛵ ⛵ ⛵  ⛵ ⛵ ⛵


Meus amigos, desta vez o Desafio que vos lanço será diferente para vos despertar da morrinha!! 😊 Apresento-vos uma foto antiquiquíííííssima em que o desafio consiste na descoberta, entre todas essas beldades da época, em que posição se encontra a então jovenzinha Janita.
Vão sugerindo as pistas, ou dicas, como preferirem. Eu irei mantendo o diálogo convosco, como de resto sempre faço, porém, sem dizer se acertaram ou não. Isso só ficará esclarecido no final, com o complemento de mais fotos. Tudo percebido? Então cá vai a foto.


Conseguem descobrir onde está esta vossa companheira de navegação, entre essas seis (6) moçoilas? Então, toca a dizer onde e como está vestida, para melhor identificação da dita cachopa, certo?
Já agora, sabem identificar em que localidade piscatória o grupo se encontra?
Ampliando a foto terão maior nitidez das feições. 😉

⛵ ⛵ ⛵  ⛵ ⛵ ⛵

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2024

GATOS & GATINHOS.

 🐱🐱🐱🐱🐱🐱🐱🐱


Fotografia  DAQUI


Se fica sozinho em casa

O gato não se conforma

Dá um salto fora de asa

E pela janela se consola


Consola-se a ver passar 

Na rua os passeantes

Mas em terras de feirantes

Raianas e outras que tais

Mais frias do que as demais

Já não passam viajantes


E o gato à sua janela

Cisma e pensa; "que maçada!

Por aqui não há mais nada

Que se veja e aprecie

Sabugal, terra beirã e fria

Dela, só gosto da cidadela!


Foto da Net


🐱  🐱  🐱

____________________

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2024

COMO NUVENS PELO CÉU.

 

Foto Minha

Como nuvens pelo céu
Passam os sonhos por mim.
Nenhum dos sonhos é meu
Embora eu os sonhe assim.
São coisas no alto que são
Enquanto a vista as conhece,
Depois são sombras que vão
Pelo campo que arrefece.
Símbolos? Sonhos? Quem torna
Meu coração ao que foi?
Que dor de mim me transtorna?
Que coisa inútil me dói?

***

Poema in “Poesias Inéditas” da autoria de Fernando Pessoa:
O mais universalizado dos poetas portugueses
 desde Camões,
 o mais influente, o mais lido, o mais intrigante!

_____________

Em jeito biográfico, para o leitor interessado ir degustando durante o fim-de-semana.

Fernando Pessoa, poeta bilingue, cidadão português ambíguo porque, no fundo, eterno estrangeiro em toda a parte, há-de continuar a ser, por muitos anos, o pretexto para uma bibliografia abundante e de qualidade variada: desde a inevitável e volumosa tese de doutoramento que poderá ou não acrescentar alguma coisa à compreensão profunda do poeta, até à delirante descoberta biográfica que há-de pretender demonstrar ter o poeta pertencido, afinal, no sector do vigor sexual, à categoria conhecida do 'português valente' e, está claro, imbatível. Pessoa tem dado, dá e continuará a dar para tudo. 

Nascido em Lisboa, em 13 de Junho de 1888 e falecido, 47 anos depois, em 30 de Novembro de 1935, a vida de Pessoa consistiu, por assim dizer, em não haver vida. Não casou, não teve filhos, não é mesmo certo que tenha praticado, com alguma convicção, aquele acto de que pode resultar o nascimento de filhos, não teve emprego certo, não teve, tirando Mário de Sá-Carneiro, amigos que se pudessem considerar íntimos, não concluiu um curso superior, não viajou.  A sua vida foi, uma sucessão ininterrupta de não aconteceres, só dramaticamente entrecortados, uma vez pelo suicídio de Sá-Carneiro. Bebeu muito – alguma coisa havia de ter feito em excesso.

O pai, Joaquim de Seabra Pessoa, era um pequeno funcionário, mas inteligente, lido e musicalmente dotado de cultura suficiente para se dedicar à crítica de música; a mãe, Maria Madalena Pinheiro Nogueira, era de boa cepa açoriana e recebera refinada educação.

O pai faleceu em 1893, tinha o futuro poeta 5 anos. Dois anos depois a mãe casa, em segundas núpcias, com João Miguel Rosa, cônsul português em Durban, a ele se indo juntar no ano seguinte. Entre 1896 e 1905, Fernando Pessoa faz os seus estudos em escolas inglesas  recebendo, em 1904, o Prémio Rainha Vitória por um pequeno ensaio em inglês, como parte do exame de admissão à Universidade do Cabo.
 Em Agosto de 1905, regressa sozinho a Lisboa para frequentar o Curso Superior de Letras da Universidade de Lisboa. É sol de pouca dura, vindo a abandonar o referido curso ao fim de poucos meses. 
A vida, o amor, a amizade, a Língua, a realidade do mundo, a literatura, iam ser, pela vida fora, territórios estrangeiros, não-evidências a investigar. 
Nada lhe seria nunca dado numa bandeja. Tudo tinha sido, era, iria ser, motivo de assombro. Na alma, aceitar é perder. 
Na perpétua exploração desse assombro estará a raiz da sua prodigiosa produção em verso e em prosa, prosseguida nos intervalos  da sua mais ou menos errática profissão de correspondente comercial em línguas estrangeiras (inglês, sobretudo). 

Se um homem conseguir escrever como vinte homens diferentes, ele será vinte homens diferentes (...) e os seus vinte livros estarão em ordem. 
Eis, em poucas palavras, a 'justificação' da sua famosa 'invenção' dos heterónimos, invenção que não foi, como se sabe, sua, embora ele a tenha levado a um tal paroxismo de intensidade e explicitação que, de algum modo, a fez nova e, por aí, a fez sua.

 (...) "se me conheço, deveria dizer que não tenho de todo personalidade... Sou tão mutável, sendo tudo à vez e nada por muito tempo – sou uma tal mistura de bem e de mal, que seria difícil descrever-me". 

Fernando Pessoa, repete-se, até pela multiplicação que deu à personalidade, criando cerca de trinta diferentes pessoas de vária importância, deu estatuto adulto à invenção e iluminou-a com uma intensidade capaz de nos fazer ter dela uma espécie de consciência nova, o que levaria John Pilling a afirmar ser o autor de Mensagem 'o mais múltiplo de todos os poetas modernos'.

Por outro lado, teve o cuidado meticuloso e, pelos vistos, frutuoso, de mitificar, em devido tempo, a sua própria invenção, na famosa e inspirada carta que escreveu a Adolfo Casais Monteiro , na qual confere ao dia  08 de Março de 1914 o estatuto de data-viragem nos anais da história literária pessoana e portuguesa, o dia do aparecimento tumultuoso e imparável da série de poemas a que deu o título de 'O Guardador de Rebanhos,' cujo autor, Alberto Caeiro, pagão de espécie complicada e simples, se revela, desde logo, seu mestre. Mestre que o será também, confessadamente, de Ricardo Reis e de Álvaro de Campos. 
Cunhando medalha para a posteridade, Álvaro de Campos proclamará com o exagero militante que competentemente cultivava: "O meu mestre Caeiro não era um pagão: era o paganismo".  E o próprio Pessoa  fará o panegírico exaltado do seu mestre, em termos igualmente extremistas:  Pascoaes virado do avesso, sem o tirar do lugar onde está, dá isto – Alberto Caeiro deixa-nos perplexos. Somos arrancados à nossa atitude crítica por um fenómeno tão extraordinário. Jamais vimos algo de parecido com ele. 

Inventado Caeiro, Pessoa tratou de lhe descobrir uns discípulos. Assim nasceram Ricardo Reis e Álvaro de Campos. 
Reis é, como Caeiro, pagão, mas tem, ao contrário do outro, rigor e densidade.
Campos é o engenheiro graduado em Glasgow, futurista, amante do mundo moderno e aerodinâmico, oscilando entre a depressão e a histeria, desprezando os homens porque não brilham nem ostentam a simplicidade eficiente das máquinas:
"Ah, poder exprimir-me todo como um motor se exprime.
Ser completo como uma máquina! Poder ir na vida triunfante como um automóvel último-modelo!".

Jogando o jogo em que se fez Mestre consumado, Pessoa traçaria, ele próprio, o perfil magistralmente recortado de Álvaro de Campos.





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terça-feira, 20 de fevereiro de 2024

PATOS, PATAS E PATINHOS!

 🌻🌻🌻🌻🌻🌻🌻🌻🌻


🌻🌻🌻

O pequenino pato amarelo 

É simplesmente diferente

Não é mais feio nem mais belo

Que são os da sua gente.


Não tem a alva brancura

Tão pouco a mesma destreza

Sequer reteve a frescura

Dos que nasceram com beleza


Mas o pequeno e desastrado Patinho 

Não ficou a chorar a um canto

Tanto fez e ensaiou, não se fez de coitadinho

Que conquistou simpatia, amor e encanto!


🌻🌻🌻🌻



Adenda: Há pouco, ao agendar a publicação, esqueci-me de lhe dar título. Dei agora e ainda vou muito a tempo.