sábado, 31 de outubro de 2020

CONSTRUÇÕES.

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Fotografia e palavras minhas


É nas noites,

longas e quase eternas

que procuro construir-te à medida

do meu sonho.

Faço-te, desfaço-te

foge-me o traço.

Escovo, raspo, 

encho de água fresca o tanque.

Lavo, esfrego com água e sabão,

o meu cansaço e

adormeço sem te saber.


Mas é logo de manhã, ao acordar,

que sempre te reconheço

                      mesmo sem te conhecer...



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sexta-feira, 30 de outubro de 2020

Intervalo.....

 ...Para reflectir e decidir....

                                                     .....como querem usar a máscara.

                                                 



A decisão é vossa....  💪









quarta-feira, 28 de outubro de 2020

CHUVISCOS.

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Há em mim, uma parte de melancolia,

de tamanho igual à parte do aconchego,

nestes dias e noites de agonia

em que a chuva bate de mansinho,

nas minhas vidraças,

feitas de ansiedade e medo.


Sinto medo de tudo e de nada

medo de não ter tempo para te encontrar

de saber que existes

e fazes parte do meu enlevo.

Sejas tu só espírito, ou carne, 

invólucro d'uma alma nobre,

sem que sinta pressa

em desvendar o porquê

da minha sede, 

nascida no deserto do meu penar...


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segunda-feira, 26 de outubro de 2020

O Feitiço Da Lua.

 



"O que haverá com a Lua que sempre que a gente a olha é com o súbito espanto da primeira?"

Perguntou -(me)  Mário Quintana.


Gostaria de saber responder ao Poeta, mas na verdade não sei.

Pois se nem ele sabe, como saberia eu?


Acredito que o feitiço da Lua existe. 

Por isso nos espanta e deslumbra

a cada olhar.

Foi ela, 

a Lua feiticeira,

com todo o seu poder mágico,

neste fim de tarde,

triste, pardacento e enevoado,

me atraiu o olhar,

para que a visse sair do quarto,

crescendo, crescendo, ufana,

para me oferecer 

o seu lado mais atraente,

este

que vos trago. 




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Masculinidade E Doçura.

 .......................Para acompanhar os insones, até que adormeçam... e  possam acordar ao som de Poesia. Ofereço-vos:      

....dois Poemas na madrugada.


A Un General 


Región de manos sucias de pinceles sin pelo

de niños boca abajo de cepillos de dientes


Zona donde la rata se ennoblece

y hay banderas innúmeras y cantan himnos


y alguien te prende, hijo de puta,

una medalla sobre el pecho

Y te pudres lo mismo.


 Julio Cortázar

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Tradução

Região de mãos sujas de escovas sem pelos

de crianças de cabeça para baixo com escovas de dentes


Zona onde o rato se enobrece

e há inúmeras bandeiras e eles cantam hinos


E alguém te excita, filho da puta,

uma medalha ao peito.


E apodreces do mesmo jeito.

*

[tão actual...]

*

Para amenizar a crueza deste poema, deixo-vos com a voz, - máscula e tão doce, - de Cortázar  que declama:

 "Los Amantes". 

Também este poema envolto da crua realidade, mas que a voz do Poeta suaviza.




Quién los ve andar por la ciudad

si todos están ciegos ?

(...)

Los amantes rendidos se miran y se tocan

una vez más antes de oler el día.


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sábado, 24 de outubro de 2020

Tiranos E Revoluções.

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Revolução industrial,  satirizada pelo grande  Charlie Chaplin, 
 no filme "Tempos Modernos"
Fonte da imagem AQUI


REVOLUÇÃO


Pena que as revoluções

não as façam os tiranos

se fariam bem em ordem

durariam menos anos.


Liberdade sairia

como verba de orçamento

e se houvesse qualquer saldo

se inventava suplemento.


Pagamento em dia certo

daria para isto e aquilo

o que sobrasse guardado

de todo o assalto a silo


Mas o que falta aos tiranos

é só imaginação

e o jeito, na circunstância,

é mesmo a revolução.


Agostinho da Silva, 'in' Poemas.

       


Agostinho da Silva, foi um filósofo, poeta, ensaísta, professor, pedagogo e tradutor português.



Defendeu sempre a Liberdade, como a mais importante qualidade do ser humano. 

Nasceu no Porto a 13 de Fevereiro, 

 faleceu a 03 de Abril de 1994, em Lisboa.

[Quem não se lembra das suas imperdíveis "Conversas Vadias", transmitidas pela RTP, nos anos 90 ? ]


A foto do Professor Agostinho da Silva, retirei-a deste interessante site, aqui,  quem tiver um pouco de tempo, não perderá nada em aceder. Pelo contrário, só terá a ganhar, Ficará mais rico de conhecimentos ao saber mais factos acerca deste Homem extraordinário.

Espero que vos agrade.

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[ Li ontem, num blogue amigo, uma bela quadra por ele escrita e decidi voltar a homenagear esta figura ilustre da cultura portuguesa]

 


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quinta-feira, 22 de outubro de 2020

O CÉU DA MINHA RUA.

 






Fotos captadas ontem às 17:37

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Nesta tarde,

sem frio que me faça

tiritar,

nem calor que me

sufoque,

saía do meu labor

levando o rosto

amordaçado, - triste mordaça esta, -

algo que sempre repudiei.

Embrenhada em pensamentos

sobre coisas 

que eu cá sei, ou talvez,

nem mesma eu saberei,

não sei para onde olhava

pra dentro de mim, talvez.


O percurso é curto e sempre igual

nesta rua que é a minha

lá seguia eu

sozinha

para o mesmo destino de sempre,

minha casa, ainda quente.

Não sei se foi uma voz

que  ouvi, longe, muito

longe, 

parecia chamar por mim

ergui os olhos ao céu -

meu Deus - o que é isto;

Lhe perguntei eu...


...e o Céu da minha rua

na tarde solitária e nua,

sem palavras, 

responde-me  assim...



...aqui é o Lugar, onde, um dia,

quando menos se esperar...

                                   ...nos iremos encontrar!


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Porque uma vez , não são vezes!............

 .........................Sai, na madrugada, um poema aviso para quem vê a dobrar:


"Edificante Poema Escrito em Portuñol"



Don Ramón se tomo um pifón:

bebia demasiado, Don Ramón!


Y al volver cambaleante a su casa,

avistó em el camino:

um árbol

y um toro...


Pero como veia duplo, Don Ramón

vio um árbol que era

y um árbol que no era,

um toro que era

y um toro que no era.

Y Don Ramón se subió al árbol que no era:

Y lo atropelo el toro que era.

Triste fim de Don Ramón!


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Autor:

Mário Quintana

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