quarta-feira, 21 de julho de 2021
O TEMPO DE TODAS AS COISAS.
terça-feira, 20 de julho de 2021
ORVALHOS DA MEMÓRIA.
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| Foto e texto da autora do blogue, claramente inspirado no poema. |
Todos os que iluminavam a minha vida abandoram a casa.
A ausência de amor, tudo mata.
Aos poucos tudo se foi ressentindo e secando. Não se ouvem risos nem sussuros, tudo ficou quieto e dolorosamente sem vida.
A ausência de amor, tudo mata.
Até as flores e as plantam perderam o brilho e a cor. O orvalho resvala pelas folhas sem as humedecer, tal como as minhas mãos secas e a pele enrugada do meu rosto.
A ausência de amor, tudo mata.
Aos poucos, sem a seiva do afecto, também eu me sinto a morrer lentamente.
Como disse o Poeta:
"O Amor Tudo Mata Quando Morre".
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domingo, 18 de julho de 2021
NO RESCALDO DOS DIAS.
Hoje, voltas o rosto à tua vida presente
Não suportas os olhares e o julgamento de quem possa pensar seres tu, o que não és.
Mas, se às vezes, sem querer,
o teu olhar cruza
com o meu _
Vejo no fundo dos teus olhos um lago sereno e profundo. Aí, jaz a alma agonizante,
de uma Mulher que ainda respira, mas
já morreu.
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Nota: O postal tem o meu nome porque fui eu que o fotografei para participar numa rubrica de Bilhetes Postais. Tinha por título "Dia Do Postal Ilustrado". Quem quiser recordar pode clicar, aqui e aqui. Creio que muitos de vós ireis gostar de rever os vossos Bilhetes Postais.
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sexta-feira, 16 de julho de 2021
Um Soneto Por Semana. # 18
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| Foto minha. |
"O Amor Em Camões"
Além do mar, da guerra e da procela,
Foste o Poeta do Amor e da aventura,
Amor que homens e deuses transfigura,
E que o teu génio sideral estrela.
Nos teus poemas o Amor irrompe, e aquela
Palpitação fremente de ternura
Que adoça, amassa e estende a rocha dura,
Como a do "grande cabo" nos revela.
Sempre o Amor em teus versos de tal jeito
Escorre — como olímpico licor —
Que o coração inunda em cada peito.
Até na boca alvar do Adamastor
A garganta de pedra de que é feito
Canta Amor, ruge Amor, soluça Amor!
Autor: Filinto de Almeida
(1857-1945)
quarta-feira, 14 de julho de 2021
Simplicidade.
Não é muito o que peço...
...uma flor, um olhar ternoum gesto de carinho.
E junto ao meu peitoA tua voz...
...sussurrando, docemente, as palavras que nunca me disseram.
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segunda-feira, 12 de julho de 2021
"A Complicada Arte de Ver" *
Ela entrou, deitou-se no divã e disse: "Acho que estou ficando louca". Eu fiquei em silêncio aguardando que ela me revelasse os sinais da sua loucura.
"Um dos meus prazeres é cozinhar. Vou para a cozinha, corto as cebolas, os tomates, os pimentões - é uma alegria! Entretanto, faz uns dias, eu fui para a cozinha para fazer aquilo que já fizera centenas de vezes: cortar cebolas. Acto banal sem surpresas. Mas, cortada a cebola, eu olhei para ela e tive um susto.
Percebi que nunca havia visto uma cebola. Aqueles anéis perfeitamente ajustados, a luz se refletindo neles: tive a impressão de estar vendo a rosácea de um vitral de catedral gótica. De repente, a cebola, de objecto a ser comido, transformou-se em obra de arte para ser vista! E o pior é que o mesmo aconteceu quando cortei os tomates, os pimentões... Agora, tudo o que vejo me causa espanto."
Ela se calou, esperando o meu diagnóstico. Eu me levantei, fui à estante de livros e de lá retirei as "Odes Elementares", de Pablo Neruda. Procurei a "Ode à Cebola" e disse-lhe:
"Essa perturbação ocular que a acometeu é comum entre os poetas. Veja o que Neruda disse de uma cebola igual àquela que lhe causou assombro: "Rosa de água com escamas de cristal".
Não, você não está louca. Você ganhou olhos de poeta... Os poetas ensinam a ver".
* Crónica escrita por Rubem Alves (Excerto)
Já em tempos publicada aqui.
(Na anterior publicação está presente a "Ode à Cebola" de Neruda. Hoje, lembrei-me de quão diferentes dos nossos - olhares vulgares - podem ser, e são, os olhares dos Poetas.)
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| Preciso dizer a autoria das fotos? Minhas, claro! 😊 |
quinta-feira, 8 de julho de 2021
Em Tudo Existe Poesia...
...até na ameixa!
Balada da Ameixa Seca.Vai à mercearia e compra ameixa seca.P’ro intestino a ameixa é levada da breca.O mal do Ocidente – quem há que não o sinta? –é não ter a tripa sempre limpa.Com seus altos valores, o Ocidentedá por demais ao dente, dá por demais ao dente.Põe-me os olhos nos povos que só comem arroz:dão melhores guerrilheiros do que nós.«Noss’povo», ao contrário, come o que apanha à mão.Até parece fome de muita geração!E larga, já comido, o corpo em qualquer canto.Sonha Terceiro Mundo e é Europa, entretanto.Encostado ao sobreiro ou ao ficheiro,«Noss’povo» já nada tem de marinheiro.Sua tripa, represa, é trabalhosa.Sua prosápia já só é má prosa.Portugal-do-casqueiro à Europa-das-latasmanda cortiça, vinho, diplomatas.
Espera contrapartidas: sol-e-vistas
é cartaz que atrai muitos turistas.
Mas com a ameixa seca – coisa pouca –é que pode acordar sem amargos de boca.Vai à mercearia e compra ameixa seca.P´ro intestino a ameixa é levada da breca!Poema de Alexandre O'Neill
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Estas são fresquinhas, deu-mas a vizinha
Refrescam a boca, disse ela, ind'agorinha.
( E digo eu.)
😇
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terça-feira, 6 de julho de 2021
Um Soneto Por Semana. #17
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| Foto minha |
Cansaço
A velhice é cansaço... E esse cansaço,não nos vem de trabalho ou movimento...O que ora faço é demorado e lentoe acho malfeito o pouco que ainda faço.Tudo me cansa: até o pensamento.Já pouquíssimo ando e arrasto o passo...quase sempre dormente ou sonolento,vivo uma triste vida de madraço.Nunca fui mandrião nem calaceiro,nem também muito activo, é bem que o diga,mas domei sempre a inércia, sobranceiro.
Agora, a própria inércia me castiga,pois se acaso repouso um dia inteiroesse mesmo repouso me fatiga.
Autor: Filinto de Almeida
(1857-1945)










