terça-feira, 3 de janeiro de 2023

FLAGRANTES.

 

"Domingo"
Edward Hopper



Se uns vivem os domingos
Como dias de descanso e nisso sentem tranquilidade
 e prazer, outros, sentem-se sozinhos.
Falta-lhes o movimento e a dinâmica do trabalho, do labor. 
A sua única companhia.
 
O que começa por necessidade pode terminar em rotina viciante...

Afinal, nascemos, vivemos e morremos sós.








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26 comentários:

  1. Para mim é o dia que melhor aproveito para descansar. Normalmente nem dispo o pijama.

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    1. Há domingos, sobretudo os chuvosos e cinzentos, em faço o mesmo. :)
      Obrigada.

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  2. Às vezes, é deixar que a vida aconteça ao seu bel prazer. Como se a aprendizagem desse ato não carecesse de tempo. Nem de espaço. E assim, vamos vivendo como um dia disse Pixinguinha em belo choro. E como ele soube tirar lições da vida e da música. Um tarde. Um tanto de sol e brisa. Outro de leve entorpecimento de olhos e sentidos e toca a carruagem com os olhos bem abertos, pois tudo pode parecer sublime!
    Um abraço, minha amiga!

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    1. Gosto desse seu ponto de vista, José Carlos.
      Deixar que a vida aconteça sem muita interferência da nossa parte. Ir somente desfrutando das pequenas oferendas da Natureza. Mas nem todos somos iguais. O homem solitário pintado por Hopper parece sentir-se meio perdido, sem a sua rotina laboral.
      Há um poema de Pessoa 'entoado' pelo Álvaro de Campos que me parece fazer sentido aqui. Eis um pequeno excerto da Ode Marítima:
      >Ah, a frescura das manhãs em que se chega,
      E a palidez das manhãs em que se parte,
      Quando as nossas entranhas se arrepanham
      E uma vaga sensação parecida com um medo
      — O medo ancestral de se afastar e partir,
      o misterioso receio ancestral à Chegada e ao Novo —
      Encolhe-nos a pele e agonia-nos,
      E todo o nosso corpo angustiado sente,
      Como se fosse a nossa alma...


      Um forte abraço, meu amigo JC!

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  3. Por lapso não coloquei o link, mas agora pode confirmar... e se não fosse o Eça não deixaria de ser mesmo assim.

    Renovo um bom ano 2023 com muita saúde.

    Um abraço

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    1. Olá, Maceta.
      Claro que essa «farpa» do nosso Eça está certíssima e eu também já conhecia a frase. Não pus isso em duvida, ou, pelo menos, nã foi essa a minha intenção. Lembrei-me desse programa televisivo semanal e disse o que disse em tom de brincadeira.
      Na verdade, é mesmo o que acontece actualmente no governo, mudam-se os políticos e todos saem borrados. :))

      Um abraço, Maceta.
      Bom Ano!

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  4. Acho estranho esse foco no trabalho!
    Quanto à tua frase final só não concordo com o facto de nascermos sós, afinal pelo menos temos lá a mãe!

    Abraço

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    1. Creio que nesta tela o foco de Edward Hopper se concentrou no desânimo do homem, solitário, na rua deserta, junto às portas e janelas encerradas. Daí a minha suposição acerca da falta e necessidade dele em ocupar o seu tempo a trabalhar.

      Quanto ao facto de não estarmos sós quando nascemos, lembra-te que, mãe e filho, após o acto de nascer e o corte do cordão umbilical, passam a ser duas pessoas, ainda que o recém-nascido venha acompanhado de um ou mais gémeos.
      Ninguém nasce por ti, ninguém vive por ti nem morre contigo só porque tu morres. Foi esse o meu raciocínio...
      Maior a explicação do que o texto, já viste? 😊

      Um abraço, Leo!

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    2. Concordo, fui muito simplista!

      Abraço

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    3. Não, Leo, eu é que tenho esta mania de querer tudo muito explicadinho. :)
      Abraço

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  5. No trabalho com a competição atual, também não está fácil. Nem sempre nos sentimos sós, quando estamos sozinhos, como nem sempre nos sentimos acompanhados no meio de uma multidão.
    Abraço, saúde e Feliz Ano 2023

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  6. Actualmente, nada está fácil. Quem não vive de rendimentos próprios e precisa trabalhar para se sustentar, até na construção civíl arranja trabalho. O pior é que hoje todos querem cargos de chefia e altas remunerações, ninguém quer 'trabalho', querem emprego. E outros, e não são poucos, subsídios para tudo e mais alguma coisa.
    A solidão é uma tema vasto e complexo, justamente pelas razões que a Elvira frizou. A verdadeira e trágica solidão vem da alma e não de se ter ou não companhia.
    Um abraço.

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  7. Vamos lá levantar esse astral.
    Isso são saudades do pequerrucho??
    Beijinhos

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    1. Ah, Pedro...o meu Noah está de dar gosto ver! Felizmente, em Agosto, matei as saudades acumuladas desde que nasceu. Agora, vejo-o amiúde, graças aos vídeos que os pais fazem com ele a ajudar a mãe na cozinha. Jogos de telemóveis e consolas PlayStation, são coisas completamente alheias e desconhecidas para ele. Livros, legos, animais e cozinhar bons petiscos, são o seu (saudável) passatempo. :)
      Beijinhos.

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  8. Recordo um colega de trabalho que aos 65 anos foi chamado pelo patrão que lhe disse:
    Sr. Arnaldo, amanhã não precisa vir trabalhar, está reformado.
    E agora, que vou fazer da minha vida, todos os dias me levanto às 7 da manhã e não podendo vir para aqui o que vou fazer da minha vida?
    O Sr. Arnaldo era solteiro e vivia com uma irmã, também ela solteira. Viveu como uma alma penada, durante 6 meses, e depois apagou-se, a vida fugiu-lhe do corpo por não conseguir adaptar-se a uma vida sem (trabalho) sentido.

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    1. Gostei imenso que me tivesse trazido esta história de vida que, muito provavelmente, não será única.
      Quem cedo fez do trabalho o seu modo de ser e estar na vida, quem nunca constituiu família, nem teve um hobby que lhe preenchesse as horas de lazer, quando fica com todo o seu tempo livre, não sabe o que fazer com ele.
      Essa é a tal solidão de alma que eu falei acima e pode matar, sim!
      Obrigada.

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  9. Bom dia
    O cágado gosta do domingo e não gosta do sábado, e durante a semana lá cagueja o cágado:
    Gosto do domingo mas não gosto do sábado.

    JR

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    1. ?????
      Ai, é? Então é adormecer na sexta - depois de vir do karaoke - e acordar no domingo.
      JM

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  10. Gostei do poema e sinceramente detesto os domingos, prefiro os sábados. Sabes eu tenho sempre que fazer e se não tiver invento:)ou então vou dar uma curva ao "bilhar grande":)))
    Força amiga a solidão está na alma versus coração e temos que derviar a rota dos pensamentos...dá cá tua mão sfv😘😘😘
    Beijos e um bom dia

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    1. Também prefiro os sábados! Tanto assim é que nos meus tempos de jovem trabalhadora na empresa Neocel, que há muito entregou a alma ao Criador para dar espaço ao Parque das Nações, era sempre eu a voluntária quando era preciso trabalhar ao domingo. E olha que fazia o turno das 6h00 às 14h00. Ganhar o dia a dobrar era uma ajuda preciosa...:)
      Apesar de todos os pesares, por veezes muitas saudades desse tempo.
      Depois disto tudo, dou-te a mão e vamos ambas passear e apanhar um pouco de sol na tola...
      Beijinhos😘😘

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  11. Quando no activo, também preferia o Sábado. Hoje é-me um pouco indiferente, mas com tendência a preferi-lo.
    Há já muitos anos, conheci um funcionário público - o senhor Virgílio - que, podendo ir para a reforma aos 65 anos, quis ficar até aos 70, o que era permitido. Morreu pouco depois de se reformar.
    Acho que não conhecia esta pintura do Hopper , bem esclarecedora.
    bji.

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    1. A pandemia veio roubar um dos meus maiores prazeres semanais. Sábado, era o dia que eu tirava para me mimar.
      Ia à cabeleireira 'alindar-me', almoçar com amigas, fazer a ronda pelas lojas da baixa ver como andavam as modas, etc, etc. Depois de dois anos encafuada em casa, perdi esse hábito. Até porque muita coisa mudou. A dona do salão, que era minha amiga há mais de vinte anos, foi para o seu país. o proprietário do restaurante desapareceu, assim com se esfumou a minha vontade de cirandar a ver montras. Virei uma eremita!
      Quanto ao senhor Virgílio, aconteceu-lhe o mesmo que ao Sr. Arnaldo. Morreram de solidão da Alma...Tão triste isso!
      Beijinhos, José.

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  12. Bom dia, Janita
    O quadro que escolheu é maravilhoso porque diz tudo sobre muitos dos (nossos) domingos e outros dias. Talvez por gostar de estar só de vez em quando, os domingos e outros dias em que estou em casa 'comigo própria', não me causam dor. Pelo contrário.
    Porém, a última frase do seu texto mostra a verdade, às vezes dura, que será sentida por muitos de nós, mortais.
    Penso, contudo, que, apesar da tristeza de rotinas boas terminarem, outras vão surgindo, embora, reconheço, fiquem às vezes com mais algumas nuvens.
    Um abracinho, Janita.

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    1. Um Abração, Maria Dolores.
      Muito grata, por tudo.

      Bom Ano.

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  13. Já passei pela solidão dos domingos (e dos sábados) quando estive fora em trabalho durante quase dois anos. É terrível, mesmo com telemóveis e computadores disponíveis.
    Continuação de boa semana, amiga Janita.
    Um beijo.

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    1. Verdade, Jaime!
      O vazio, é a maior e a mais dolorosa forma de solidão...
      Tudo de bom, amigo Jaime,.
      Um beijo amigo.

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