sexta-feira, 11 de setembro de 2020

POR ISSO SE DIZ QUE VIVER NÃO CUSTA....

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...Ao que vejo por aí, eu sou (ainda) uma mera aprendiz.

* * * 


Um velho fazendeiro com sérios problemas financeiros comprou uma mula a outro fazendeiro por mil euros e concordou em receber a mesma no dia seguinte. Entretanto, nesse dia, o vendedor da mula procura-o:

— Desculpe-me, mas, infelizmente, tenho más notícias... a mula morreu.

— Tudo bem. Devolva-me o dinheiro.

— Não posso. Já o gastei.

— Ok. Então, traga a mula morta.

— E o que vai você fazer com ela?

— Vou rifá-la.

— Você não pode rifar uma mula morta.

— Claro que posso. Só não vou dizer a ninguém que ela está morta.

Passado um mês, os dois homens encontram-se novamente, e o vendedor da mula pergunta:

— Que fim levou a mula morta?

— Eu rifei-a, como tinha dito que faria. Vendi quinhentos números a dois euros. Consequentemente, recuperei novecentos e noventa e oito euros.

— E ninguém reclamou?

— Só o tipo que ganhou, mas eu devolvi-lhe os dois euros dele.

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Moral da estória: Ninguém ficou zangado, tampouco saiu prejudicado.

E o fazendeiro necessitado até ficou beneficiado.

Assim, é que é bonito e fica bem!!


Gostaram?

Eu, também gostei muito!




É O QUE VOS DESEJO.



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terça-feira, 8 de setembro de 2020

CELEBRAR A VIDA.

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Rio Vouga - Aveiro


Na água do rio que procura o mar;

No mar sem fim; na luz que nos encanta;

Na montanha que aos ares se levanta;

No céu sem raias que deslumbra o olhar;


No astro maior, na mais humilde planta;

Na voz do vento, no clarão solar;

No insecto vil, no tronco secular,

— A vida universal palpita e canta!


Vive até, no seu sono, a pedra bruta . . .

Tudo vive! E, alta noite, na mudez

De tudo, — essa harmonia que se escuta


Correndo os ares, na amplidão perdida,

Essa música doce, é a voz, talvez,

Da alma de tudo, celebrando a Vida!


*   *   *


O Soneto é de Olavo Bilac 

16-12-1865  - 28-12-1918

Rio de Janeiro - Brasil


A fotografia é minha


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segunda-feira, 7 de setembro de 2020

Vai Chamar Prima A Outra...

 ...e não me aborreças.

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Se há coisa que me faz perder as estribeiras nestas andanças de blogues, são as contas para entrar aqui e ali e-mails etc. Então, quando começam a aparecer-me mensagens estúpidas e sem sentido,  provavelmente provocadas por um inexplicável equívoco, nem vos digo nada.  

Acho que anda alguém a vasculhar o meu e-mail, ou, na pior das hipóteses a confundir a minha conta com uma outra parecida. Tenho de alterar a minha password.

A última era de um tal Primo Bernardo,  que nunca vi mais gordo e se queixava de uma amiga, pretendente a noiva ou coisa que o valha. Rezava assim:


  - "Prima Maria, começo a ficar enfastiado da conversa desta tagarela, que não pára de falar de assuntos completamente desprovidos de interesse para mim. Mostra-se, a cada dia que passa, mais fútil e  de cabeça oca. Nem posso crer como foi possível que já houvesse um tempo em que eu bebia as suas palavras, extasiado, olhos e ouvidos atentos nas suas palavras  de veludo. Bebia, sôfrego, tudo o que daquela boca de carmim saía  como se fossem um néctar dulcíssimo, indispensável neste meu ocaso encanecido. Já não a suporto."



Opá...e eu com isso? - respondi, ríspida - Vai chamar Prima Maria à tua tia! 

Espero que não me incomode mais...


😠


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domingo, 6 de setembro de 2020

CASTIGO SEM CRIME.

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Nada é mais comum 
a todos os seres vivos
do que a certeza
do fim da vida.

Um dia, quando eu 
partir
deixarei de ver a vida
através dos teus olhos,
as tuas palavras 
deixarão de ser o 
amparo que hoje
mantém
minh'alma viva
e me sustenta.

Ah...nesse dia,
ou noite, quem sabe?-
para meu infortúnio,
continuarei a
eterna 
prisioneira
deste meu silencioso
cativeiro...


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sábado, 5 de setembro de 2020

Não Somos Deuses Tampouco Seres Belos E Perfeitos, Sabiam?

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Quem pensar - haverá quem isso pense? - que os autores de blogues são seres perfeitos, sem máculas no corpo ou na mente, desengane-se. Se bem que não me sinta mentalmente maculada, o mesmo não posso dizer do que me vai acontecendo fisicamente. Não serão bem nódoas vergonhosas ou que devam ser escondidas. É mais marcas comuns ao comum dos mortais.

Agora, haveria necessidade de as  assumir publicamente? Não, efectivamente não havia necessidade. Nem de mostrar a quase amputação da unha do dedão do meu pé direito, nem de ter mostrado como o fiz em tempos, a cavidade de um dente que me caiu. Mas eu quis mostrar e mostrei.

- Oh, Janita, - disse-me alguém de quem muito gosto e me conhece como ninguém - podias ter abordado o assunto e deixavas à imaginação de quem te lê - poucos, diga-se - essa figurinha triste.

Rimos ambos muito e nunca nos zangámos, por isso... O que vale é que desta vez ninguém vai ver e quem vir, fará de conta que não viu. 


Esta unha esteve doente e foi tratada por podologista de inegável competência. Não é nada bonito de se ver, não senhores. Quem tiver algum fetiche por pés vai ficar curado....  


😜 


TENHAM  UM

FELIZ

FIM  DE  SEMANA. 


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quinta-feira, 3 de setembro de 2020

DO MEU ENTARDECER.

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Não sei, nunca o soube 
e acredito que já seja tarde
para tentar saber.

Sempre que entardece
sinto que também 
em mim a noite vai descendo
e me sufoca.
Por isso, prefiro ficar
dentro de casa
acendo todos os candeeiros
para não me aperceber 
se já entardeceu.

A noite vai descendo e eu
fico esperando
que um dia
o entardecer não me 
entristeça...


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quarta-feira, 2 de setembro de 2020

ANTIGO, MAS VIRGEM.

Foi assim que te vi, virgem e puro
e logo por ti me enamorei
ó doce e querido
companheiro.






"Talvez em eu morrendo a teus ouvidos
chegue a notícia, que hoje os factos voam,
e oiças então os íntimos gemidos
que exalo e não te soam."

🍀

Isto me dizias quando por entre ti olhei
ainda antes mesmo de te desfolhar
tão amarelecido, cansado, gasto
ó querido companheiro
agora que já és meu de copo inteiro
enquanto não te tiver 
possuído
até ao fim, 
não conseguirei 
serenar.






Tive-o há já tanto tempo que nem sei fazer as contas há quantos anos foi,

emprestei-o não sei a quem, perdi-lhe o rasto

mas reencontrei-o numa banca de rua 

de livros usados.

Com todas as folhas ainda por abrir.


Segundo rezam os escritos da primeira página, as 

"POESIAS  LÍRICAS  COMPLETAS

foram coordenadas sob as vistas do autor

por

TEÓFILO  BRAGA."


Que preciosidade me veio  ter às mãos sem eu contar!

Sinto que fui abençoada, por um feliz acaso.



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terça-feira, 1 de setembro de 2020

Pequena Elegia a Setembro Com Céus (ainda) de Agosto

 

Aquele candeeiro veio estragar tudo



Não sei como vieste,
mas deve haver um caminho
para regressar da morte.

Estás sentada no jardim,
as mãos no regaço cheias de doçura,
os olhos pousados nas últimas rosas
dos grandes e calmos dias de setembro.

Que música escutas tão atentamente
que não dás por mim?
Que bosque, ou rio, ou mar?
Ou é dentro de ti
que tudo canta ainda?

Queria falar contigo,
Dizer-te apenas que estou aqui,
mas tenho medo,
medo que toda a música cesse
e tu não possas mais olhar as rosas.
Medo de quebrar o fio
com que teces os dias sem memória.

Com que palavras
ou beijos ou lágrimas
se acordam os mortos sem os ferir,
sem os trazer a esta espuma negra
onde corpos e corpos se repetem,
parcimoniosamente, no meio de sombras?

Deixa-te estar assim,
ó cheia de doçura,
sentada, olhando as rosas,
e tão alheia
que nem dás por mim.





As palavras são de Eugénio de Andrade in "Antologia Poética".

Os Céus, claro, são meus.


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